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PF intima Galípolo, Campos Neto e André Esteves para depor sobre caso Master

Publicado 09/09/2026 • 17:38 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Gabriel Galípolo, Roberto Campos Neto e André Esteves serão ouvidos na condição de testemunhas.
  • Intimações foram determinadas após os nomes aparecerem em depoimento de Paulo Sérgio Souza, ex-integrante da supervisão bancária do BC investigado na Operação Compliance Zero.
  • PF também determinou nova oitiva do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.

A Polícia Federal (PF) determinou a intimação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto e do presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, para prestarem depoimento nas investigações sobre o Banco Master.

Os três deverão ser ouvidos, a princípio, na condição de testemunhas. A PF também determinou uma nova oitiva do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, que já prestou depoimento anteriormente no caso.

As ordens de intimação foram expedidas em 3 de agosto, mas os depoimentos ainda não haviam sido realizados porque outras oitivas estavam na fila da investigação. A informação foi revelada pelo Estadão nesta quarta-feira (9).

Leia também: Caso Master amplia crise no STF e aumenta chance de risco institucional, diz Reale Júnior

Depoimento de ex-integrante do BC levou a novas oitivas

A decisão de ouvir Galípolo, Campos Neto e Esteves ocorreu depois que os três foram mencionados por Paulo Sérgio Souza, ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, em depoimento à Polícia Federal.

Paulo Sérgio e Belline Santana, ex-chefe do mesmo departamento, foram alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero. Os investigadores apuram suspeitas de que os dois tenham recebido pagamentos de Daniel Vorcaro em troca de informações internas sobre a fiscalização do Master e de auxílio informal ao banco dentro da própria autarquia.

Os dois negam ter favorecido o Master ou cometido irregularidades.

Os novos depoimentos deverão ajudar a PF a confrontar as declarações de Paulo Sérgio com as versões de integrantes e ex-integrantes da cúpula do Banco Central e de representantes do mercado financeiro.

Galípolo foi citado em reuniões sobre situação do Master

Em seu depoimento, Paulo Sérgio relatou duas reuniões com Galípolo para discutir a situação do Banco Master e uma eventual comunicação ao Ministério Público Federal.

Segundo a versão apresentada pelo ex-servidor à PF, ele teria informado a Ailton de Aquino sobre a necessidade de comunicar suspeitas envolvendo o banco ao Ministério Público.

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Paulo Sérgio afirmou que, em uma primeira reunião, comunicou a Galípolo que o Master já não recolhia integralmente o compulsório, reserva obrigatória mantida no Banco Central, e que seria necessário buscar uma solução para a instituição.

Segundo o depoimento, naquele momento Galípolo teria pedido um “voto de confiança” para a solução que envolvia a possível operação entre o Master e o Banco de Brasília.

Em uma segunda reunião, realizada meses depois, Paulo Sérgio afirmou que Galípolo teria dito que não faria uma comunicação ao Ministério Público por gestão temerária porque informações internas já indicariam suspeita de fraude na carteira do banco.

Campos Neto e BTG Pactual aparecem em episódio de 2024

Paulo Sérgio também relatou aos investigadores um episódio envolvendo Roberto Campos Neto e o BTG Pactual no fim de 2024. Segundo ele, Ailton de Aquino teria informado, em novembro daquele ano, que o BTG havia encerrado uma análise prévia sobre o Master e identificado problemas relevantes na instituição.

O ex-servidor afirmou que houve uma apresentação em 3 de dezembro de 2024, da qual Campos Neto teria participado enquanto ainda presidia o Banco Central.

De acordo com a versão relatada à PF, o BTG teria comunicado verbalmente suas conclusões, sem entregar documentação naquela reunião.

Leia também: Presidente Lula defende quebra total de sigilo de investigações sobre caso Master

Defesa de Campos Neto diz que ainda não foi intimada

A defesa de Roberto Campos Neto afirmou ao Estadão que não havia recebido intimação nem tinha conhecimento formal do despacho.

Os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti disseram que, sem acesso ao documento, não poderiam confirmar sua existência, autenticidade ou conteúdo.

O BTG informou que não comentaria o assunto. O Banco Central ainda não se manifestou sobre as intimações.

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