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PF vê atuação de Jaques Wagner, líder do governo no Senado, em três frentes a favor do Banco Master

Publicado 18/06/2026 • 15:50 | Atualizado há 24 minutos

KEY POINTS

  • Polícia Federal cumpriu buscas em endereços ligados a Jaques Wagner nesta quinta-feira (18).
  • Investigadores apontam interlocução do senador com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
  • Em um imóvel ligado ao líder do governo no Senado, foram apreendidos US$ 49 mil, o equivalente a R$ 252 mil

A Polícia Federal afirma que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, atuou em favor de interesses do Banco Master em ao menos três frentes. A informação consta na investigação da Operação Compliance Zero, que teve uma nova fase deflagrada nesta quinta-feira (18).

Segundo a PF, Wagner teria atuado em discussões sobre ampliação do crédito consignado, em iniciativas relacionadas ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e no acompanhamento da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Para os investigadores, as medidas eram estratégicas para fraudes atribuídas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca em endereços ligados ao senador. Em um imóvel associado a Wagner, os agentes apreenderam US$ 49 mil, o equivalente a R$ 252 mil.

A defesa de Jaques Wagner não se manifestou sobre a nona fase da Operação Compliance Zero. O espaço segue aberto para manifestação.

Leia também: Caso Master ganha novo capítulo após descoberta de estrutura armada; entenda

PF aponta interlocução com ex-sócio de Vorcaro

A investigação afirma que Wagner manteve interlocução direta com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, sobre propostas legislativas e iniciativas parlamentares que poderiam beneficiar o Master.

Lima já havia sido alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro, e voltou a ser alvo de medidas da PF nesta quinta-feira. Agentes cumpriram mandados em endereços ligados ao empresário na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

A defesa de Augusto Lima afirmou que as buscas foram “desnecessárias”.

Crédito consignado e FGC estão no foco

A primeira frente citada pela PF envolve a ampliação do crédito consignado. Segundo os investigadores, Wagner atuou em medidas para aumentar a margem de empréstimos descontados em folha para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As discussões também incluíram a possibilidade de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda acessarem empréstimos consignados.

De acordo com a PF, essa articulação resultou na apresentação de uma emenda depois incorporada à legislação que ampliou o acesso a essa modalidade de crédito.

Ainda segundo as investigações, a empresa da nora de Wagner recebeu R$ 11 milhões do Master entre 2022 e 2025 para prospectar negócios ligados ao crédito consignado, serviço oferecido pelo banco e que está no centro do escândalo de fraude financeira.

A investigação aponta ligação da pauta com os negócios de Augusto Lima. Segundo a PF, ele foi responsável por implementar, durante os governos de Jaques Wagner na Bahia, um sistema de crédito consignado para servidores públicos que mais tarde foi incorporado ao Banco Master.

O modelo, chamado Credcesta, tornou-se um dos principais ativos financeiros da instituição de Daniel Vorcaro.

A segunda frente envolve discussões sobre mudanças nas regras do FGC, entidade que protege depositantes e investidores em caso de quebra de instituições financeiras.

Segundo a PF, a ampliação da cobertura do fundo, que não se concretizou, era de interesse do Banco Master. A investigação afirma que o banco usava a garantia do FGC como um dos principais instrumentos para captar recursos no mercado.

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As apurações já haviam apontado que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu minuta e apresentou emenda sobre o tema. O ex-ministro da Casa Civil nega irregularidades.

Leia também: O que está por trás da nova fase do caso que envolve o Banco Master?

Venda ao BRB também é citada

A terceira frente apontada pelos investigadores envolve a tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Para a PF, Wagner acompanhou de perto a operação, considerada estratégica para o futuro da instituição controlada por Daniel Vorcaro.

A transação foi posteriormente rejeitada pelo Banco Central.

PF cita vantagens e supostos repasses

Diálogos extraídos do celular de Augusto Lima indicam, segundo a Polícia Federal, que ele emprestou seu avião particular ao líder do governo no Senado em diferentes ocasiões.

A PF também afirma que Lima bancou ingressos para um camarote em um show em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Para os investigadores, essas vantagens se somam a outros supostos pagamentos de propina ao senador, incluindo a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões a uma empresa de familiares.

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