Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Por que os novos navios Classe Trump podem virar um risco estratégico para os EUA
Publicado 29/12/2025 • 18:24 | Atualizado há 5 meses
Ações da Akzo Nobel despencam após fracasso de negociações de aquisição; bolsas europeias fecham em queda
Empresas de criptomoedas tentam deixar ciclo de hype para buscar receitas mais estáveis
EUA propõem novas tarifas sobre 60 economias devido a práticas comerciais de trabalho forçado
Venda de US$ 80 bi em ações da Alphabet coloca Wall Street em “território sem precedentes”, diz Goldman Sachs
EXCLUSIVO CNBC: CEO da Pfizer vê câncer de pulmão cada vez mais perto de virar doença crônica
Publicado 29/12/2025 • 18:24 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Foto: reprodução Freepik
Em 22 de dezembro, durante um anúncio feito em Mar-a-Lago, na Flórida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou o plano para a construção de uma nova geração de grandes navios de guerra, batizada de ‘Classe Trump’, como eixo central da chamada Frota Dourada.
A proposta surge em um momento de pressão estratégica crescente no Indo-Pacífico e de fragilidade industrial da construção naval americana, levantando a pergunta central do motivo de investir bilhões em mega-navios pode se transformar em um ponto fraco, e não em força, para a Marinha dos EUA.
Leia também:
Trump pressiona Netanyahu por avanço no plano americano para a Faixa de Gaza
Os navios Classe Trump, segundo as informações divulgadas pelo The Telegraph, teriam entre 30 mil e 40 mil toneladas, possivelmente com propulsão nuclear, e seriam armados com mísseis hipersônicos, armas a laser, canhões eletromagnéticos e mísseis de cruzeiro, inclusive com capacidade nuclear.
O plano inicial prevê dois navios, com ambição declarada de chegar a até 25 unidades ao longo das próximas décadas.
A previsão mais otimista aponta os primeiros cascos apenas para meados dos anos 2030. Ou seja, trata-se de um projeto de longo prazo em um ambiente estratégico que muda rapidamente, especialmente diante do avanço acelerado da China no mar.
Leia também: Trump anuncia ataque contra instalação na Venezuela; autoridades não confirmam
Historicamente, grandes navios sempre carregaram forte simbolismo, dos navios de linha à vela aos encouraçados do século 20, tamanho e poder de fogo eram sinônimo de supremacia. Esse conceito, no entanto, perdeu centralidade após a Segunda Guerra Mundial, quando o porta-aviões passou a dominar a doutrina naval.
Hoje, a lógica é outra, a guerra naval contemporânea privilegia dispersão, redundância e número. Drones, sensores, mísseis de longo alcance e submarinos tornaram grandes plataformas concentradas alvos caros e vulneráveis.
Leia também: Ações de empresas europeias de defesa estão em queda após conversas Trump–Zelensky
Nesse contexto, apostar em um megacruzador de alto valor estratégico e financeiro vai na contramão do pensamento naval moderno.
Apesar do discurso de superioridade absoluta, não há garantia de que um navio da Classe Trump sobreviveria em um conflito de alta intensidade. Plataformas grandes e concentradas tendem a se tornar alvos prioritários em cenários modernos, nos quais o volume de ameaças e a velocidade dos ataques reduzem as margens de reação.
Outro ponto negativo é a escassez de efetivos na Marinha dos EUA. Grandes navios exigem tripulações numerosas e altamente qualificadas, em um momento em que as Forças Armadas americanas enfrentam dificuldades crescentes de recrutamento e retenção de marinheiros. Além disso, essas plataformas concentradas se tornam alvos ideais para ataques assimétricos, especialmente por enxames de drones de baixo custo, marítimos, aéreos ou submersíveis, capazes de saturar sistemas defensivos e elevar o risco operacional.
Do ponto de vista armamentista, a vulnerabilidade também permanece. Torpedos pesados seguem sendo armas decisivas, e a história mostra que mesmo navios fortemente blindados não estão imunes a esse tipo de ameaça. Já os mísseis antinavio modernos produzem níveis de destruição comparáveis aos de bombas aéreas que, no passado, afundaram embarcações muito mais protegidas.
Além disso, grandes navios dependem de camadas complexas de defesa, normalmente fornecidas por escoltas e pela aviação embarcada em porta-aviões. Um navio de combate isolado, ainda que fortemente armado, não dispõe dessa proteção aérea orgânica, o que amplia sua exposição em ambientes saturados por drones, mísseis e sensores distribuídos.
As estimativas apontam para um custo de cerca de US$ 9 bilhões por navio, podendo chegar a US$ 14 bilhões na primeira unidade. É um valor comparável ao de um superporta-aviões da classe Ford.
Leia também: Trump decide destino de navios de petróleo apreendidos na Venezuela; confira
Trata-se de um investimento enorme concentrado em um único casco, quando as mesmas funções poderiam ser distribuídas entre várias plataformas menores, mais baratas e mais difíceis de neutralizar.
Esse custo também pressiona um sistema industrial já fragilizado, os estaleiros americanos enfrentam falta de capacidade, atrasos crônicos e dificuldades de mão de obra.
Leia também: Zelensky, antes de reunião com Trump: “Decisões que serão tomadas dependem de nossos parceiros”
Projetos recentes, como os destróieres Zumwalt, os Littoral Combat Ships e a fragata Constellation, sofreram com estouros de orçamento, complexidade excessiva e cancelamentos prematuros.
Siga o Times Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Seguir no GoogleEnquanto discute navios gigantes, a Marinha americana segue com lacunas críticas. Falta um número suficiente de fragatas, que é um navio de guerra, antissubmarino, justamente quando a ameaça de submarinos chineses, russos e não tripulados cresce.
Faltam também navios de patrulha em quantidade adequada para garantir presença global contínua, uma das bases da dissuasão naval.
Leia também: Navio-tanque apreendido pelos EUA ocultou localização e visitou até Oriente Médio
Essas embarcações menores, muitas vezes desprezadas por não serem “de alta tecnologia”, são essenciais para manter rotas seguras, monitorar áreas sensíveis e evitar que crises escalem para conflitos abertos.
Enquanto os EUA discutem um novo navio símbolo, a China avança em outra direção. Imagens recentes mostram navios mercantes adaptados com sistemas de lançamento de mísseis em contêineres, radares e defesas de curto alcance.
É uma abordagem baseada em volume, dissimulação e custo reduzido, capaz de gerar poder de fogo significativo sem depender de plataformas icônicas.
Leia também: EUA preparam apreensão de mais navios-tanque na Venezuela
Essa diferença de estratégia evidencia o risco americano, investir prestígio, recursos e tempo em navios que podem se tornar obsoletos antes mesmo de entrarem em operação.
Os navios Classe Trump do ponto de vista estratégico, não compensam os riscos operacionais, financeiros e industriais envolvidos.
Em vez de fortalecer a Marinha, o projeto pode drenar recursos de áreas mais urgentes e aprofundar desequilíbrios já existentes.
Leia também: Caso Epstein: Trump cobra divulgação de documentos que citam democratas
Se a história recente servir de alerta, a Classe Trump corre o risco de se juntar a uma lista de programas caros, tecnicamente ousados e estrategicamente mal calibrados.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
EXCLUSIVO: Galapagos perde concessão bilionária por erro primário em due diligence e mercado questiona gestora
2
Embaixada dos EUA detalha punições ao Brasil após classificação de PCC e CV como terroristas
3
JHSF inaugura shopping de luxo no interior de São Paulo
4
TIMES | CNBC Parlatório Talks: Mundo saiu da globalização para a “vingança da geopolítica”, diz Marcos Troyjo
5
EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil após concluir investigação