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Protagonistas: Mercado financeiro ainda não sabe conversar com mulheres investidoras, diz Mariella Gontijo

Publicado 07/05/2026 • 21:52 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Executiva afirma que mulheres devem controlar 50% do dinheiro do mundo nos próximos 10 anos.
  • Segundo Mariella, o setor financeiro ainda avalia lideranças femininas por uma lógica masculina.
  • Ela defende que mulheres tenham mais controle sobre gastos, objetivos financeiros e decisões de investimento.

O mercado financeiro ainda não sabe se comunicar com mulheres investidoras, embora elas caminhem para controlar uma fatia cada vez maior do patrimônio global, afirmou Mariella Gontijo, executiva com mais de três décadas de atuação no private banking.

Em entrevista ao quadro Protagonistas, do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Mariella disse que a baixa participação feminina no universo dos investimentos não está ligada apenas ao acesso ao dinheiro, mas também ao controle sobre as decisões financeiras.

A executiva afirmou que passou a perceber com mais clareza as barreiras de gênero ao participar de discussões internas sobre mulheres na alta liderança de grandes instituições financeiras. Segundo ela, situações que antes pareciam individuais passaram a ser vistas como parte de um padrão do setor.

A partir daí, Mariella disse que começou a olhar também para a experiência das clientes. Para ela, se as mulheres dentro das instituições já enfrentam dificuldades de reconhecimento, o desafio é ainda maior para quem está do lado de fora buscando orientação para investir.

“O mercado financeiro hoje não sabe conversar com essa cliente e não sabe valorizar as características das mulheres que trabalham no mercado financeiro”, afirmou.

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Mariella afirmou que bancos e gestoras já se movimentam para atender melhor o público feminino, mas ainda por uma lógica mais pragmática do que genuína. Ela citou estudos que apontam que as mulheres devem controlar cerca de 50% do dinheiro do mundo nos próximos 10 anos.

“Qualquer instituição financeira percebe que vai ter um público que ele não sabe atender tão bem”, disse.

Na avaliação dela, o setor precisa mudar a composição de suas lideranças para se comunicar melhor com esse público. Para Mariella, a falta de representatividade afeta tanto a experiência das clientes quanto a trajetória das profissionais dentro do mercado financeiro.

Depois de anos em grandes instituições, Mariella decidiu empreender e criar negócios voltados à gestão patrimonial e à orientação financeira de mulheres. A transição, segundo ela, exigiu planejamento, inclusive financeiro, para trocar a segurança de uma carreira consolidada por um projeto próprio.

“Para mim estava muito claro que o mercado não sabe conversar com a mulher, que não valoriza a mulher da forma que ela deveria ser valorizada”, disse.

A executiva afirmou que sua empresa atua como um family office, com origem na gestão de grandes patrimônios. O grupo também criou uma estrutura para atender clientes com investimentos a partir de R$ 1 milhão e estuda ampliar o alcance para mulheres em fases anteriores de formação patrimonial.

Mariella disse que existe um jeito feminino de investir, marcado por mais estudo, profundidade na análise e menor frequência de compra e venda de ativos. Segundo ela, esse comportamento tende a favorecer a rentabilidade no longo prazo.

“A mulher estuda mais, ela é mais detalhista, ela vai com mais profundidade”, afirmou.

Para a executiva, antes mesmo de investir, muitas mulheres precisam reorganizar a relação com o dinheiro. Segundo Mariella, o primeiro erro recorrente é não saber quanto se gasta.

“O primeiro erro feminino é não ter controle do que ela gasta”, disse.

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Ela também criticou a forma como lideranças femininas são avaliadas dentro do mercado financeiro. Para a executiva, mulheres ainda são julgadas majoritariamente por homens e por critérios associados a um padrão masculino de liderança.

“As empresas têm que parar de avaliar as mulheres com olhar masculino”, afirmou.

Questionada sobre o principal conselho para mulheres que ganham dinheiro, mas ainda investem pouco, Mariella disse que o ponto de partida é encontrar um objetivo concreto para cuidar do patrimônio.

“A mulher tem que querer ter dinheiro, ela tem que ter prazer em ter dinheiro”, afirmou. “Quem tem liberdade financeira tem liberdade de escolha.”

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