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R$ 6,9 bi em um mês: o rastro do estrangeiro que pode sustentar a tese da “terceira onda” na bolsa
Publicado 02/08/2026 • 20:18 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/08/2026 • 20:18 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Pexels
O estoque de títulos públicos em poder de investidores não residentes aumentou R$ 6,87 bilhões em junho, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. No mesmo período, o custo médio das emissões da dívida interna realizadas por oferta pública, acumulado em 12 meses, chegou a 14,20% ao ano.
O valor é quase três vezes maior que o registrado em maio, quando o estoque em posse de estrangeiros havia crescido apenas R$ 2,35 bilhões. A aceleração acontece no momento em que parte do mercado defende que a bolsa brasileira estaria no início de um novo ciclo de alta.
André Moraes, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, e Alexandre Wolwacz, o Stormer, sócio-fundador da Liberta e da TraderUp, chamam esse movimento de “terceira onda”, tese que vêm defendendo em entrevistas e eventos a investidores. Os dois comparam o momento atual aos ciclos iniciados em 2002 e 2016. Segundo eles, o primeiro ciclo teria levado o Ibovespa a uma alta em torno de 800% até o início de 2011, e o segundo, a uma alta média de 300% até 2021.
Para Stormer, o retorno do capital estrangeiro, que segundo ele ganhou força a partir de janeiro, combinado à ausência do investidor pessoa física e a preços ainda descontados em dólar, seria um “sinal de fundo muito forte”. Moraes destaca o alinhamento raro entre cenário macroeconômico e leitura gráfica como o principal sustento da tese neste momento.
A participação dos não residentes no total da Dívida Pública Federal vem caindo há três meses, de 10,38% em abril para 10,14% em maio e 9,95% em junho. A queda acontece apesar do aumento do estoque em poder desse grupo, porque o estoque total da dívida cresce ainda mais rápido, tendo passado de R$ 9,032 trilhões em maio para R$ 9,268 trilhões em junho, alta de 2,61%.
Outro dado qualifica a leitura mais otimista sobre a “terceira onda”. Do total investido por não residentes em títulos públicos, 69,42% está em papéis prefixados. É dinheiro perseguindo taxa de juros alta e garantida, não uma aposta declarada em alta de bolsa.
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Siga o Times | CNBCEnquanto o estoque de dívida pública em poder de estrangeiros crescia em junho, a bolsa perdia capital estrangeiro. Segundo dados de negociação, o fluxo estrangeiro para o mercado acionário teve saída líquida de R$ 7,78 bilhões em junho, considerando apenas o mercado secundário. O resultado veio na esteira de maio, quando a saída de capital estrangeiro, incluindo aportes em ofertas públicas, chegou a R$ 13,27 bilhões, a maior retirada mensal desde 2022.
Levantamento da Elos Ayta Consultoria mostra o quadro maior por trás desses dois meses. O primeiro trimestre de 2026 teve entrada líquida de R$ 53,36 bilhões na bolsa, um dos maiores volumes trimestrais desde o início da série histórica, em 2022. O segundo trimestre inverteu o sinal, com saída de R$ 19,52 bilhões, uma das maiores saídas trimestrais já registradas. No acumulado do semestre, o saldo segue positivo em R$ 33,85 bilhões, mas sustentado quase inteiramente pelo primeiro trimestre.
Os dados sugerem uma preferência relativa pela renda fixa em maio e junho. Enquanto os estrangeiros reduziam posições em ações, o estoque de títulos públicos em suas mãos aumentava.
O sinal mais recente, porém, aponta em outra direção. Nos primeiros 15 dias de julho, o fluxo estrangeiro para a bolsa voltou a ficar positivo, com entrada de R$ 2,35 bilhões, encerrando dois meses seguidos de saída.
O programa Tesouro Direto fechou junho com 3,69 milhões de investidores ativos, alta de 21,2% em 12 meses, segundo o Tesouro Nacional. As aplicações de até R$ 1.000 responderam por 50,7% das operações do mês, com ticket médio de R$ 9.648,34. A emissão líquida do programa somou R$ 10,10 bilhões, o maior valor da série histórica.
O Tesouro também elevou sua reserva de liquidez em 11,17%, para R$ 1,346 trilhão, o maior nível da série histórica iniciada em 2015. O valor é suficiente para cobrir os vencimentos de títulos públicos por 8,33 meses sem necessidade de novos leilões.
Desde 2021, o investidor estrangeiro responde por mais da metade do volume negociado na bolsa brasileira. Em 2026, essa fatia chegou a 60,80%, contra 10,70% de pessoas físicas, o menor patamar de participação do pequeno investidor no período.
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