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Receita e MPF miram holding suspeita de movimentar ilegalmente mais de R$ 5 bi com apostas esportivas
Publicado 28/08/2026 • 10:15 | Atualizado há 23 minutos
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Publicado 28/08/2026 • 10:15 | Atualizado há 23 minutos
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Arte/ Times Brasil
A Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram nesta sexta-feira (28) a Operação Jogo de Sombras, que mira um grupo empresarial responsável por uma plataforma de apostas esportivas que teria movimentado mais de R$ 5 bilhões em 2025. A investigação apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
O alvo principal das investigações é o Grupo NSX, responsável por vários sites de apostas esportivas, como Betnacional, Mr. Jackbet e PagBet.
São cumpridos seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP). Não há mandados de prisão.
Segundo a Receita, há indícios de irregularidades tributárias e financeiras tanto antes quanto depois da regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil. O grupo investigado obteve autorização para atuar no mercado regulado a partir de 2025.
Leia também: Operação Arena: entenda investigação que mira esquema de apostas e lavagem de dinheiro
Segundo os investigadores, a plataforma já teria operado no Brasil antes da regulamentação do mercado de apostas. Para dar a impressão de que a atividade era realizada no exterior, integrantes do grupo teriam criado uma empresa de fachada em Curaçao, embora empresas brasileiras ligadas ao próprio grupo fossem responsáveis pela operação no país.
A investigação também identificou indícios de movimentação de recursos entre o Brasil e o exterior.

Parte do dinheiro enviado para fora teria retornado ao país como pagamento por prestação de serviços, em uma possível tentativa de dar aparência regular à entrada desses valores.
Outro ponto investigado é o uso de “contas bolsão” em fintechs. Segundo a Receita, esse tipo de estrutura teria dificultado o rastreamento do dinheiro e a identificação dos beneficiários finais.
Agora, a apuração busca reconstruir o caminho desses recursos, identificar quem recebeu os valores e verificar se houve omissão de receitas ou outros ilícitos fiscais.
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Siga o Times | CNBCEmbora tenha obtido autorização para operar no mercado regulado a partir de 2025, o grupo já teria explorado apostas no Brasil anteriormente, sem autorização e sem o recolhimento dos tributos devidos, segundo a Receita.
Os investigadores também buscam determinar se os recursos utilizados para pagar a outorga exigida para a operação regularizada tiveram origem em atividades desenvolvidas antes da regulamentação do setor.
As suspeitas alcançam ainda o período posterior à entrada em vigor das novas regras. Segundo a Receita, parte das estruturas utilizadas anteriormente teria sido adaptada para continuar viabilizando mecanismos de sonegação fiscal.
Entre os fatos investigados está a declaração ao Fisco de despesas supostamente fictícias, com potencial de reduzir indevidamente os tributos devidos a partir do ano-calendário de 2025.
Paralelamente aos mandados de busca e apreensão, a Receita instaurou 11 procedimentos fiscais para aprofundar a apuração. O órgão estima um potencial de recuperação de aproximadamente R$ 300 milhões aos cofres públicos.
As próximas etapas incluem a análise dos fluxos financeiros no Brasil e no exterior, da origem dos recursos movimentados, de eventual omissão de receitas e da identidade dos beneficiários efetivos das operações investigadas.
Participam das diligências 28 servidores da Receita Federal e dez procuradores da República, além de policiais do MPF e peritos da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea).
A Jogo de Sombras é a segunda operação de grande porte neste mês com participação da Receita Federal e do MPF voltada especificamente à investigação de irregularidades tributárias e financeiras ligadas ao mercado de apostas.
Em 13 de agosto, a Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados. Na ocasião, houve decisão judicial para apreensão de bens e valores de até R$ 1 bilhão.
Na Arena, as autoridades também investigaram uma estrutura que envolvia empresas no Brasil e no exterior, instituições de pagamento e operações de câmbio para movimentar recursos ligados a apostas.
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