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Redução da escala 6×1 pode elevar custos em alguns setores, mas também estimular consumo
Publicado 28/05/2026 • 18:30 | Atualizado há 37 minutos
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Publicado 28/05/2026 • 18:30 | Atualizado há 37 minutos
KEY POINTS
A redução da escala 6×1 tende a gerar impactos bastante diferentes entre os setores da economia, dependendo do nível de formalização e da capacidade de adaptação das empresas, afirmou o economista da Ford Intelligence, Bruno Maizumi, ao analisar os efeitos econômicos da proposta discutida no Congresso.
Em entrevista nesta quinta-feira (28) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele lembrou que cerca de 30% dos trabalhadores com carteira assinada atualmente atuam nesse modelo de jornada, o que representa aproximadamente 15 milhões de pessoas no país.
Maizumi explicou que os efeitos da mudança variam de acordo com as características de cada segmento econômico. “Os resultados são heterogêneos entre setores”, ressaltou.
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O economista afirmou que áreas como transporte aéreo, hospedagem e alimentação aparecem entre os segmentos mais expostos às mudanças na jornada.
Segundo ele, companhias aéreas possuem baixa capacidade de substituição por mão de obra informal, o que pode ampliar a necessidade de novas contratações formais. “Possivelmente ele contrataria mais pessoas”, observou, ao comentar o caso do setor aéreo.
Na avaliação de Maizumi, parte desse aumento de custos poderia acabar sendo repassada ao consumidor final, principalmente nas tarifas aéreas.
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Já nos setores de alojamento e alimentação, o economista afirmou que existe maior facilidade de migração para modelos informais de contratação. Segundo ele, algumas empresas poderiam substituir vínculos formais por mão de obra informal como forma de adaptação às novas regras. “A gente poderia ver uma transição”, pontuou.
Apesar das preocupações do setor empresarial, Maizumi destacou que a redução gradual da jornada acompanha um movimento observado historicamente em diversos países.
Segundo ele, o avanço tecnológico, a melhora da qualidade de vida e o aumento da expectativa de vida vêm contribuindo para a diminuição das horas trabalhadas ao longo do tempo. “A gente vê uma tendência de queda nas horas trabalhadas por semana”, afirmou.
Leia também: Câmara aprova PEC que acaba com escala 6×1 e reduz jornada de trabalho; matéria segue para Senado
O economista lembrou ainda que países latino-americanos como México, Chile e Colômbia já avançaram em modelos semelhantes sem registrar até agora grandes disrupções econômicas ou explosões inflacionárias ligadas diretamente à redução da jornada.
Na avaliação de Maizumi, a proposta aprovada na Câmara deve sofrer alterações ao longo da tramitação no Senado. Segundo ele, a votação acelerada na Câmara ocorreu em um ambiente de forte pressão política e eleitoral. “É um tema super sensível”, destacou.
O economista acredita que o Senado tende a adotar postura mais cautelosa na análise da proposta, aproximando o texto final de modelos implementados em países emergentes comparáveis ao Brasil. “Essa proposta deve ser um pouco mais desidratada”, afirmou.
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Maizumi também avaliou possíveis efeitos indiretos positivos da redução da jornada sobre o consumo e a produtividade da economia.
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Seguir no GoogleSegundo ele, trabalhadores com mais tempo livre podem aumentar gastos com serviços, lazer, saúde e entretenimento, estimulando setores ligados ao consumo doméstico.
O economista afirmou ainda que jornadas menores podem contribuir para melhora de saúde mental, redução de absenteísmo e aumento de produtividade. “As pessoas conseguem estar mais aptas a trabalhar”, ressaltou.
Na avaliação dele, a redistribuição do tempo dentro das famílias também pode ampliar a participação feminina no mercado de trabalho, especialmente pela divisão mais equilibrada das tarefas domésticas e de cuidado.
Leia também: Redução da jornada de trabalho pode elevar em 15% o custo da mão de obra, diz CBIC
Segundo Maizumi, um cálculo preliminar indica que a redução da jornada poderia retirar cerca de 1,4% do PIB anual caso não haja ganhos compensatórios de produtividade.
Ele explicou, porém, que esse tipo de estimativa não considera efeitos secundários positivos ligados ao consumo, à produtividade e à reorganização do mercado de trabalho. “Essa conta não considera justamente esses efeitos secundários”, observou.
Para o economista, o impacto final dependerá diretamente do texto definitivo aprovado pelo Congresso e do ritmo de transição adotado para implementação das mudanças.
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