Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Redução da jornada para 40 horas é avanço necessário, mas pode pressionar pequenas empresas
Publicado 28/05/2026 • 12:30 | Atualizado há 2 semanas
Oracle supera expectativas, mas ações caem após plano de captar mais US$ 20 bilhões
Wall Street precisará aprender a economia dos tokens antes dos IPOs de IA; SpaceX oferece prévia
SoftBank despenca mais de 8% enquanto ações de tecnologia da Ásia caem, acompanhando perdas de Wall Street
Meta fecha acordo para data center de IA na Índia enquanto amplia infraestrutura global
Índices futuros do Dow Jones caem 400 pontos após Trump afirmar que o Irã demorou demais nas negociações
Publicado 28/05/2026 • 12:30 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
A redução da jornada semanal para 40 horas chega atrasada ao Brasil e representa uma medida necessária do ponto de vista social e econômico, afirmou o professor de economia da FIA Business School, Paulo Feldmann, ao comentar a aprovação do fim da escala 6×1 pela Câmara.
Em entrevista nesta quinta-feira (28) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele lembrou que a maior parte das economias relevantes do mundo já opera com jornadas menores, enquanto países que ainda mantêm cargas horárias mais elevadas costumam enfrentar críticas relacionadas a direitos humanos. “É muito importante que o Brasil parta para trabalhar 40 horas por semana, cinco dias por semana apenas”, ressaltou.
Para Feldmann, a mudança acompanha uma transformação histórica nas relações de trabalho. “Trabalhar 100 horas por semana era o que se fazia no século XIX e começo do século XX”, lembrou.
Leia também: Câmara aprova PEC que acaba com escala 6×1 e reduz jornada de trabalho; matéria segue para Senado
Apesar da avaliação positiva sobre a medida, o professor alertou que pequenas empresas tendem a enfrentar dificuldades mais intensas no processo de adaptação.
Segundo ele, companhias de maior porte possuem estrutura operacional mais robusta para reorganizar escalas e equipes, enquanto pequenos negócios podem sofrer forte impacto financeiro. “As pequenas empresas terão problemas sérios”, frisou.
Feldmann destacou que os pequenos negócios representam 99% das empresas brasileiras, embora respondam por apenas 28% do PIB nacional.
Na avaliação do professor, esse desequilíbrio evidencia uma fragilidade estrutural da economia brasileira. “Esse é outro problema brasileiro”, observou.
Leia também: Relatório da PEC do fim da escala 6×1 prevê jornada de 40 horas e transição de 14 meses
O especialista afirmou que a redução da jornada pode provocar um aumento natural da produtividade no país, já que empresas tenderiam a produzir o mesmo em menos horas trabalhadas. “Uma consequência natural que vai acontecer é o aumento da produtividade”, pontuou.
Segundo Feldmann, o Brasil apresenta atualmente índices considerados muito baixos nesse indicador, o que reforça a importância de mudanças estruturais nas relações de trabalho.
Ele também minimizou o risco de perda de competitividade internacional do país, argumentando que pequenas empresas brasileiras ainda possuem baixa inserção no mercado externo. “A pequena empresa brasileira é responsável por 1% das exportações brasileiras”, destacou.
Leia também: Câmara fecha acordo para reduzir jornada a 40 horas e acabar com escala 6×1 em um ano
Como comparação, o professor citou o caso da Itália, onde pequenas empresas respondem por 53% das exportações do país.
Para Feldmann, a sobrevivência dos pequenos negócios dependerá de mudanças profundas de gestão e de políticas públicas voltadas ao setor.
Segundo ele, empresas menores precisarão revisar custos, reorganizar processos e buscar ganhos de eficiência para acomodar a nova jornada de trabalho. “Ela precisa rever completamente formas de gestão”, explicou.
O professor afirmou ainda que o governo deveria criar mecanismos de compensação para empresas de menor porte, incluindo redução de impostos e linhas de crédito mais acessíveis. “Nos outros países é muito comum que a pequena empresa tenha uma carga tributária mais baixa”, destacou.
Siga o Times Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Seguir no GoogleEle também criticou o custo do crédito para pequenos empreendedores no Brasil. “A taxa de juro para pequena empresa é mais alta do que para a grande empresa. É um absurdo”, avaliou.
Leia também: CNI diz que reduzir jornada de trabalho pode afetar PIB em 0,7 ponto percentual
Na avaliação do professor, a ausência de políticas de proteção pode ampliar o fechamento de pequenos negócios no país. “O risco maior é exatamente esse, de a gente ter aí uma quebradeira de pequenas empresas”, alertou.
Segundo Feldmann, cerca de 70% das pequenas empresas brasileiras fecham antes de completar cinco anos, uma das taxas de mortalidade empresarial mais elevadas do mundo.
Para ele, a nova legislação exige que governo e instituições financeiras desenvolvam medidas específicas de apoio durante a transição.
Apesar dos desafios, Feldmann avalia que os benefícios sociais da mudança tendem a superar os impactos negativos. “Eu coloco essa medida, em primeiro lugar, como uma medida de proteção a direitos humanos”, afirmou.
O professor argumentou que jornadas menores podem ampliar o tempo disponível para lazer, estudos e deslocamentos menos desgastantes, além de elevar a motivação dos trabalhadores. “As pessoas trabalhando menos ficarão mais motivadas”, concluiu.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Anthropic lança o Claude Fable 5, sua inteligência artificial mais poderosa
2
Qual a probabilidade de ganhar na Quina de São João? Entenda as chances do concurso milionário
3
Naskar troca de dono pela segunda vez, app segue fora do ar e investidores sem o dinheiro
4
iFood expõe milhões de brasileiros a golpistas e omite fato das autoridades de proteção de dados
5
Quina de São João 2026 pode pagar o maior prêmio da história da modalidade; veja