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Rigor cobrado do Brasil parece não ser o mesmo para empresas dos EUA, diz ministro da CGU

Publicado 03/06/2026 • 12:30 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques Carvalho, foi às redes sociais comparar a atuação fiscalizadora americana em relação às suas empresas.
  • Ele afirmou que "há uma contradição difícil de ignorar na investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil".
  • A manifestação do ministro aconteceu em meio às recomendações de nova rodada de aumento de impostos para o Brasil pelos EUA, devido acusações de que o país não estaria cumprindo seu papel no combate à corrupção

Foto: canva

O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) foi às redes sociais comparar a atuação fiscalizadora americana em relação às suas empresas.

Em meio às recomendações de nova rodada de aumento de impostos para o Brasil pelos Estados Unidos e de acusações de que o País não estaria cumprindo seu papel no combate à corrupção, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques Carvalho, foi às redes sociais comparar a atuação fiscalizadora americana em relação às suas empresas.

Ele afirmou que “há uma contradição difícil de ignorar na investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil” e que o rigor cobrado aqui não parece valer com a mesma intensidade para empresas locais. “O que deveria ser princípio vira conveniência. O que deveria fortalecer instituições vira ferramenta de pressão externa”, escreveu no X.

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Carvalho destacou que o discurso usado para pressionar o País fala em combate à corrupção. “Mas esse mesmo discurso aparece no momento em que o governo dos Estados Unidos reduz a prioridade de aplicação do FCPA, lei criada para punir empresas americanas que corrompem agentes públicos em outros países”, postou, citando a Foreign Corrupt Practices Act ou Lei de Práticas de Corrupção no Exterior.

Segundo o ministro, quando a corrupção envolve empresas dos Estados Unidos atuando fora das fronteiras, a cobrança perde força. Ele também escreveu que, quando envolve pressionar um país soberano, o combate à corrupção vira instrumento geopolítico. “No caso brasileiro, a contradição é ainda mais grave porque essa ofensiva contou com apoio e provocação da família Bolsonaro, que mais uma vez aposta em levar disputas domésticas para Washington e transformar divergências políticas internas em ataques à soberania nacional”, atacou.

O Brasil, de acordo com Carvalho, segue aplicando a Lei Anticorrupção com vigor. E apresentou números: desde 2013, a Lei nº 12.846 permitiu a instauração de mais de 2.200 processos de responsabilização de empresas, a aplicação de cerca de R$ 2,1 bilhão em multas e a celebração de 36 acordos de leniência, com compromissos de devolução superiores a R$ 20,1 bilhões. Mais de R$ 11,3 bilhões já retornaram aos cofres públicos.

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“A atuação recente também mostra um Estado mais capaz de investigar e prevenir irregularidades”, afirmou, informando que, em 2025, somente a CGU participou de 76 operações com a Polícia Federal, que identificaram mais de R$ 13,6 bilhões em prejuízos potenciais a grupos criminosos. Ele citou que auditorias corrigiram distorções bilionárias em programas sociais, operações desarticularam redes criminosas e ferramentas de inteligência evitaram perdas antes que elas acontecessem.

“O Brasil não está recuando no combate à corrupção. Está fortalecendo as instituições, ampliando a transparência e aplicando a lei. A diferença é que faz isso dentro da democracia com soberania e sem transformar a pauta anticorrupção em arma contra outros países.”

Carvalho continuou, dizendo que a melhor resposta à hipocrisia é a prática. “E a prática mostra que o governo brasileiro, sob a liderança do Presidente Lula, investiga, responsabiliza, recupera recursos públicos e combate a corrupção sem abrir mão dos interesses nacionais”, finalizou.

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