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CNBCS&P 500 cai após fala de Warsh sobre inflação, mas fecha semana no positivo

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Juros nos EUA reduzem espaço para cortes da Selic e pressionam o real

Publicado 28/08/2026 • 21:01 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Possível alta dos juros americanos tende a fortalecer o dólar e aumentar a pressão sobre moedas de países emergentes, segundo Gesner Oliveira.
  • Economista avalia que Banco Central ainda pode fazer uma pequena redução da Selic, mas vê margem limitada sem melhora das expectativas fiscais.
  • Economia brasileira deve desacelerar de forma mais visível, mas cenário-base não aponta para recessão, afirma professor da FGV.

Uma eventual alta dos juros nos Estados Unidos deve reduzir ainda mais o espaço para cortes da Selic e aumentar a pressão sobre o real, segundo Gesner Oliveira, professor de economia da FGV e sócio da GO Associados. Para ele, a sinalização do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, reforçou a percepção de que o banco central americano continuará priorizando o combate à inflação.

Em entrevista nesta sexta-feira (28) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Gesner avaliou que o discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole foi relevante para a formação das expectativas do mercado. “O recado básico que ele deu foi um recado de que realmente é necessário perseguir a meta de inflação”, afirmou.

Apesar de não ter oferecido indicações explícitas sobre os próximos passos da política monetária, Warsh demonstrou, na avaliação do economista, preocupação em levar a atividade econômica americana a um nível compatível com a meta de inflação de 2%. “O que se deriva do discurso dele é a preocupação em realmente trazer a economia americana para um nível de atividade compatível com a meta de inflação de 2%”, observou.

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Juros americanos podem pressionar o real

Gesner explicou que taxas mais elevadas nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos ativos denominados em dólar, o que tende a retirar recursos de mercados emergentes e enfraquecer suas moedas.

“Juros mais altos nos Estados Unidos, em geral, estão associados a uma migração para ativos denominados em dólar, consequentemente para um aumento do preço do dólar, o que é uma desvalorização das moedas de economias emergentes em geral e do real no caso brasileiro”, pontuou.

Na avaliação do professor, uma eventual elevação dos juros americanos não deverá ser muito acentuada. Ainda assim, mesmo um movimento limitado teria consequências para o câmbio brasileiro. “Esse aumento de juro significa enfraquecimento do real, portanto, uma certa pressão do ponto de vista de desvalorização do real”, acrescentou.

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Fed limita margem para novos cortes da Selic

A perspectiva de juros americanos mais altos também torna mais difícil para o Banco Central brasileiro acelerar a redução da Selic, mesmo diante dos sinais recentes de desaceleração da inflação e da atividade econômica.

“Isso certamente coloca mais restrições, diminui a margem de manobra para o Banco Central reduzir a taxa de juros”, avaliou Gesner. Para ele, ainda existe espaço para mais uma pequena redução, mas cortes adicionais dependeriam de uma mudança significativa das expectativas em relação às contas públicas.

O professor argumentou que seria necessário um sinal crível de ajuste fiscal, capaz de produzir maior equilíbrio entre as políticas fiscal e monetária. “Hoje, toda a responsabilidade pela redução da taxa de inflação e para trazer a taxa de inflação para o intervalo da meta repousa na política monetária, e a política fiscal faz o serviço contrário, quer dizer, estimula a economia”, explicou.

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Gesner relacionou ainda o nível elevado dos juros à deterioração financeira de empresas e famílias. “Com esse juro, não é surpreendente que haja um número recorde de recuperações judiciais, um percentual recorde de famílias endividadas e um comprometimento também recorde da renda das famílias com o pagamento do serviço da dívida”, ressaltou.

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Desaceleração deve ficar mais evidente

Para Gesner, os sinais de perda de ritmo da economia brasileira devem se tornar mais visíveis, inclusive no mercado de trabalho. Apesar disso, ele não prevê uma retração abrupta da atividade.

“Eu creio que nós teremos uma desaceleração que é mais visível agora. Acho que esses dados do Caged realmente são ilustrativos. Porém, não acredito numa forte desaceleração ou mesmo em recessão”, ponderou.

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A projeção apresentada por Gesner é de crescimento de 1,9% do PIB em 2026 e de 1,7% em 2027. A trajetória representa perda de ritmo, mas alguns fatores ainda sustentam a atividade, entre eles o nível de gastos e os estímulos ao consumo.

Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias limita o consumo, enquanto as dificuldades financeiras das empresas tendem a reduzir investimentos, contratações e geração de renda. Em sentido contrário, a renda média e a massa salarial ainda avançam.

“A economia está funcionando com movimentos muito antagônicos. Você tem, de um lado, um juro elevadíssimo que arrebenta o balanço das empresas e arrebenta o orçamento das famílias e, de outro lado, você tem estímulos à demanda que ainda ocorrem”, analisou.

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Economia segue vulnerável a choques

Gesner definiu o atual quadro brasileiro como uma combinação de desaceleração e fragilidade financeira. Sem um choque externo relevante, a tendência, segundo ele, é que a perda de ritmo permaneça gradual.

“Se não houver um choque muito forte, seja pelo choque de custo com aumento do preço do petróleo, seja um choque com uma forte elevação dos juros americanos, eu não acredito que a gente sairá dessa desaceleração suave”, projetou.

O economista, porém, advertiu que o cenário continua vulnerável diante da volatilidade internacional e das condições financeiras domésticas. “É uma situação muito vulnerável, porque você está num mundo muito tenso, com os principais indicadores de preços de ativos extremamente voláteis e com uma economia muito frágil do ponto de vista financeiro”, frisou.

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Por enquanto, Gesner considera mais provável a manutenção de uma perda gradual de dinamismo. “Pelo painel de informações que nós temos nesse momento, é provável que a gente permaneça nessa trajetória mais suave de desaceleração”, concluiu.

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