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SPFW destaca diversidade nas passarelas e parceria comercial para fortalecer negócios da moda
Publicado 23/10/2026 • 14:20 | Atualizado há 26 minutos
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Publicado 23/10/2026 • 14:20 | Atualizado há 26 minutos
KEY POINTS
A 61ª edição da São Paulo Fashion Week (SPFW) apresentou coleções marcadas por referências culturais brasileiras, artesanato, diversidade e uso de novas tecnologias. Além das propostas criativas, o evento trouxe discussões sobre os desafios comerciais da indústria da moda e a necessidade de transformar a visibilidade das passarelas em resultados financeiros para as marcas.
No quadro Classe Estilo, a comentarista Danni Rudz analisou os principais movimentos da edição e destacou a importância de alinhar criatividade, representatividade e planejamento empresarial. Entre os assuntos abordados estiveram a participação de modelos maduras no desfile da Apartamento 03 e a parceria de longo prazo anunciada entre a SPFW e a Mantecorp Skincare.
Um dos destaques da edição foi o desfile A Tempo, da marca Apartamento 03, comandada pelo estilista Luiz Cláudio. A apresentação abordou a passagem dos anos e questionou a predominância de modelos jovens em um mercado que também atende consumidoras de outras faixas etárias.
A coleção deu protagonismo a mulheres maduras, aproximando a representação nas passarelas do perfil de parte das clientes da marca. Para Danni Rudz, a iniciativa chama a atenção para uma contradição presente na indústria, que frequentemente direciona sua comunicação ao público jovem, embora mulheres mais velhas também tenham participação relevante nas decisões de compra.
“Por que é que essas mulheres mais velhas que estão com o poder aquisitivo na mão, que compram as roupas, inclusive as dele, não estão nas passarelas representadas?”, questionou. Segundo a comentarista, o estilista conseguiu associar a proposta artística ao posicionamento comercial da grife, permitindo que suas consumidoras se reconhecessem nas modelos escolhidas para apresentar a coleção.
Além da discussão sobre envelhecimento, o desfile apresentou peças inspiradas no kintsugi, técnica japonesa de restauração de cerâmicas quebradas com ouro. O conceito parte da valorização das marcas e imperfeições deixadas pelo tempo.
Na coleção, essa referência apareceu na utilização de diferentes fragmentos de tecidos para construir novas roupas.
Danni relatou que conversou com Luiz Cláudio nos bastidores e descobriu que os materiais utilizados eram amostras recebidas pelo estilista ao longo do tempo. Parte delas tinha custo elevado, o que inviabilizava seu uso na produção regular de peças comerciais.
Em vez de descartar os tecidos, o criador decidiu reunir os fragmentos e transformá-los em novas composições.
A proposta associou o reaproveitamento de materiais a uma reflexão sobre a passagem do tempo, demonstrando como elementos que poderiam ser descartados podem ganhar outra função no processo criativo.
Leia também: SPFW 2026: moda movimenta bilhões e atrai grandes empresas para além das passarelas
A presença de mulheres maduras, pessoas negras e pessoas trans também esteve entre os temas discutidos durante a análise da semana de moda. Embora esses grupos tenham conquistado espaço nas apresentações, Danni avalia que a diversidade ainda não se consolidou como uma prática permanente entre as marcas.
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Siga o Times | CNBC“É um movimento pontual, infelizmente, mas, na minha opinião, é um movimento natural que nós deveríamos seguir dentro da moda”, afirmou.
Na avaliação da comentarista, a representatividade precisa fazer parte da identidade das empresas e não apenas aparecer em ações específicas. “A moda é representatividade total e geral. E se você não entende quem é o seu público final, você não tem um negócio de fato”, declarou.
Para ela, a escolha dos modelos deve considerar também as características de quem consome os produtos. Dessa forma, a diversidade deixa de ser apenas um elemento visual e passa a integrar a estratégia de relacionamento das empresas com seus clientes.
Outro assunto abordado foi o anúncio de uma parceria de longo prazo entre a São Paulo Fashion Week e a Mantecorp Skincare. Com o acordo, a empresa passa a deter os direitos de nome do evento, conhecidos como naming rights. A partir do próximo ano, a semana de moda passará a ser chamada de Mantecorp SPFW.
A mudança representa uma alternativa ao modelo de patrocínios pontuais, tradicionalmente utilizado para financiar eventos e apresentações. Segundo Danni, a iniciativa demonstra a capacidade de Paulo Borges, responsável pela SPFW, de desenvolver um modelo comercial que permita planejar investimentos com maior continuidade.
“Ele entendeu que São Paulo Fashion é uma instituição vendável, transformou o nome São Paulo Fashion em um negócio rentável”, avaliou.
A comentarista explicou que o vínculo com uma empresa do segmento de beleza pode contribuir para ampliar o alcance da semana de moda. Até então, segundo sua análise, o setor de beleza aparecia principalmente nos bastidores das apresentações. Com a nova parceria, a Mantecorp assume maior participação na estrutura comercial do evento, enquanto a SPFW passa a contar com um investimento de prazo mais longo.
Apesar da criatividade apresentada nas passarelas, a dificuldade de transformar coleções em negócios financeiramente sustentáveis continua sendo uma preocupação no setor. De acordo com Danni, algumas grifes dedicam esforços à realização dos desfiles, mas encontram dificuldades para estruturar a comercialização das roupas posteriormente.
A comentarista observou que a dependência de patrocínios específicos pode comprometer a continuidade das operações, especialmente quando não existe um planejamento voltado para vendas e relacionamento com consumidores.
“Eu acho que a criatividade é muito bem-vinda, mas só a criatividade não sustenta um negócio”, afirmou.
Para Danni, as empresas precisam trabalhar de forma integrada os processos criativos, comerciais e de marketing. A proposta é fazer com que o investimento na apresentação de uma coleção também contribua para o desenvolvimento econômico da marca. Nesse cenário, a comentarista apontou a Apartamento 03 como exemplo de uma grife que busca relacionar a identidade de suas criações com o público consumidor, enquanto a SPFW demonstra a importância de construir parcerias comerciais mais duradouras.
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