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Tarifa dos EUA derruba contratos, mas impulsiona demanda por armazenagem no Brasil

Publicado 23/07/2026 • 18:03 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Empresa perdeu negócios com clientes americanos após tarifa de 25%, mas ampliou atuação no mercado interno.
  • Busca por galpões temporários cresceu com o acúmulo de mercadorias nas cadeias logísticas.
  • Companhia também vê oportunidades na Europa e em novos mercados internacionais.

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros interrompeu contratos da Pistelli Engenharia com clientes americanos, mas também abriu novas oportunidades de negócios ligadas à armazenagem e à reorganização das cadeias logísticas, afirmou nesta quinta-feira (23) Gustavo Yogi, diretor de Operações da empresa, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“Nós tínhamos alguns contratos que estavam para ser executados com empresas americanas e que acabaram sendo interrompidos por conta da carga tributária imposta pelo governo dos Estados Unidos. Esse foi o impacto mais imediato para a empresa”, afirmou.

Segundo o executivo, a estratégia agora é compensar a perda do mercado americano com o fortalecimento da atuação no Brasil e em outros países.

“A tendência para os próximos meses é recuperar esse espaço dentro do mercado local e buscar novos mercados capazes de suprir essa demanda que foi perdida nos Estados Unidos”, disse.

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Estruturas temporárias perderam espaço nos EUA

Yogi explicou que a empresa exportava principalmente galpões temporários de grande porte, utilizados para ampliar rapidamente áreas de armazenagem.

“Nós vendíamos estruturas temporárias, galpões que a Pistelli fabrica há mais de 40 anos. São soluções que permitem criar grandes áreas de armazenagem em um espaço muito curto de tempo, utilizando coberturas em lona e, em muitos casos, estruturas metálicas”, afirmou.

Segundo ele, a empresa ocupa uma posição diferenciada nesse segmento, o que torna difícil uma substituição rápida por outros fornecedores.

“No mercado americano existe um concorrente direto, mas, em termos globais, somos praticamente pioneiros nessa tecnologia. O grande problema é que a tarifa sobre os materiais têxteis utilizados nessas estruturas acabou fechando uma porta extremamente importante para nós”, explicou.

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Na avaliação do diretor, a capacidade produtiva da empresa também dificulta que outro fornecedor consiga atender rapidamente à demanda deixada pela companhia.

“Eu acho muito difícil que alguém substitua o Brasil no curto prazo. Pela capacidade produtiva que temos hoje e pela tecnologia empregada, acredito que o mercado americano não conseguirá encontrar um fornecedor equivalente com facilidade”, afirmou.

Mercado interno ganhou força

Apesar da perda dos contratos internacionais, a empresa registrou um aumento da procura por soluções de armazenagem no Brasil.

Segundo Yogi, o redirecionamento das exportações e o acúmulo de mercadorias provocados pelas mudanças no comércio internacional ampliaram a necessidade de estruturas temporárias para estocagem.

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“O tarifaço acabou criando uma situação muito positiva para nós. Como houve taxações sobre diversos produtos, muitas empresas passaram a acumular mercadorias e precisaram ampliar rapidamente seus espaços de armazenagem. Foi justamente aí que conseguimos atender essa nova demanda”, afirmou.

Ele acrescentou que esse movimento beneficiou tanto as operações brasileiras quanto as unidades da empresa na Europa.

“Hoje estamos atendendo de maneira bastante significativa o mercado brasileiro. Também temos operações na Europa há mais de 30 anos, com fábricas na Espanha e em Portugal, e conseguimos absorver parte dessa demanda local gerada pelas mudanças nas cadeias logísticas. Por esse outro lado, o cenário acabou sendo bastante positivo para nós”, concluiu.

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