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Medicamentos genéricos podem faltar nos EUA com tarifa de Trump, alerta entidade do setor
Publicado 23/07/2026 • 10:56 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 23/07/2026 • 10:56 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
Genéricos podem faltar nos EUA com tarifa de Trump, alerta Pró Genéricos
O governo americano anunciou tarifa de até 200% sobre medicamentos genéricos importados, com aplicação prevista para dois anos. Cerca de 90% dos remédios consumidos nos Estados Unidos são genéricos, e a medida pode elevar o preço ao consumidor e abrir risco de desabastecimento no país, segundo a Pró Genéricos, Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o presidente executivo da entidade, Thiago de Moraes Vicente, afirmou que a exportação brasileira de genéricos para os Estados Unidos ainda é pequena, mas que associados da Pró Genéricos já possuem pedidos de registro em andamento para comercializar medicamentos no mercado americano, incluindo produtos ligados ao controle de diabetes e obesidade.
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Segundo Vicente, ainda não há regulamentação detalhada da medida americana, e empresas dos Estados Unidos, da Índia e da China, principais exportadoras de genéricos para o mercado americano, também tentam entender o alcance da tarifa. O executivo apontou ainda um dado político relevante, a segunda fase da taxação, com aplicação de 200%, está marcada para começar em 2028, justamente quando termina o mandato do presidente Donald Trump.
Para o presidente da Pró Genéricos, a margem de comercialização de genéricos nos Estados Unidos já é reduzida, e uma tarifa de 200% funcionaria na prática como banimento. Ele afirmou que o cenário tende a pressionar o sistema de reembolsos americano e pode inviabilizar parte das importações atuais.
Ainda de acordo com Vicente, os genéricos concentram boa parte do tratamento de hipertensão, diabetes e obesidade nos Estados Unidos, doenças de alta prevalência no país. Ele avaliou que a demanda por medicamentos é inelástica, já que o paciente não pode deixar de fazer uso do tratamento, o que amplia a pressão social sobre o governo americano caso o preço suba.
O executivo citou o exemplo do agronegócio brasileiro para projetar o comportamento dos exportadores asiáticos. Segundo ele, assim como produtores de soja brasileiros buscaram novos mercados diante de barreiras comerciais, Índia e China devem redirecionar parte de sua produção de genéricos para outros destinos, reduzindo a dependência do mercado americano.
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Siga o Times | CNBCEnquanto os Estados Unidos avançam com política tarifária, o Brasil sancionou nesta semana a Lei da Estratégia Nacional da Indústria da Saúde. Vicente afirmou que a legislação cria benefícios para instalação de fábricas no país e agiliza prioridades em registros de medicamentos.
Para o presidente da Pró Genéricos, o contraste entre as duas abordagens é direto. Ele defendeu que a indústria farmacêutica responde melhor a incentivos do que a punições, e citou a lei brasileira como exemplo de política que atrai investimento sem impor taxação.
Vicente também mencionou que empresas associadas à Pró Genéricos, incluindo companhias de capital estrangeiro instaladas no Brasil, já buscam alternativas para preservar sua atuação nos Estados Unidos, com pedidos de exceção para medicamentos considerados de maior relevância clínica.
O presidente da entidade afirmou que a indústria brasileira de genéricos tem mercado doméstico consolidado e já avança em processo de internacionalização, com destino a países da América Latina e da África. Segundo ele, o mercado americano segue como objetivo estratégico do setor, apesar do cenário de incerteza regulatória.
Vicente reforçou que, até o momento, não há definição final sobre a aplicação da tarifa americana, e que o setor aguarda o detalhamento da medida pelo governo dos Estados Unidos nas próximas semanas.
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