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Tarifa dos EUA pode atingir 70% das exportações do RS ao mercado americano
Publicado 02/06/2026 • 18:27 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 02/06/2026 • 18:27 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode atingir 70% do valor das exportações gaúchas ao mercado americano caso entre em vigor. É o que avalia Luciano D’Andrea, gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Sistema Fiergs.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, D’Andrea afirmou que a medida gera forte preocupação para a indústria do Rio Grande do Sul, especialmente em setores que já vinham sendo afetados por tarifas anteriores.
Os segmentos mais expostos, segundo ele, são tabaco, máquinas e equipamentos, produtos de metal, armas, calçados, couro, setor coureiro-calçadista, móveis e partes de móveis.
“São setores basicamente industriais. Por isso que a Fiergs recebeu essa medida com muita preocupação”, afirmou.
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D’Andrea disse que a entidade defende a negociação direta com os Estados Unidos como caminho prioritário para tentar reverter ou aliviar a tarifa. Segundo ele, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) não tem produzido efeitos relevantes no atual ambiente de maior protecionismo.
“A Fiergs entende desde o início que o melhor caminho é a diplomacia, é a negociação direta com os Estados Unidos”, disse.
Na avaliação do executivo, o Brasil precisa analisar ponto a ponto os argumentos apresentados pelo governo americano e atuar dentro do protocolo previsto para a medida, incluindo audiências públicas. Ele afirmou que a decisão reforça a orientação protecionista da política comercial dos Estados Unidos.
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Siga o Times | CNBCD’Andrea também disse que empresas gaúchas buscaram alternativas desde a primeira onda de tarifas, incluindo diversificação de mercados e, em alguns casos, transferência de parte da produção para os Estados Unidos. Esse movimento, porém, ficou mais concentrado em companhias maiores e mais estruturadas.
“O Rio Grande do Sul tem mais de 100 empresas gaúchas que exportam para os Estados Unidos. Estados Unidos é o nosso segundo principal destino das exportações”, afirmou.
Segundo ele, as medidas tarifárias já tiveram impacto negativo sobre as vendas externas do estado. De julho do ano passado a dezembro de 2025, as exportações gaúchas ao mercado americano caíram 37%. De janeiro a abril, a queda acumulada foi de 22%, de acordo com D’Andrea.
A União Europeia aparece como uma alternativa em meio ao aumento das barreiras comerciais americanas. Para o executivo, o acordo entre Mercosul e União Europeia chega em um momento oportuno, marcado por tensões geopolíticas e avanço do protecionismo.
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D’Andrea afirmou que a Fiergs vê o acordo de forma positiva, embora reconheça sensibilidades para alguns setores industriais. Ele citou vinho, queijos, lácteos, chocolates, máquinas e equipamentos entre os segmentos que podem enfrentar maior exposição competitiva.
“A gente entende que o acordo vem num momento oportuno, onde o mundo tem apresentado questões geopolíticas importantes e complexas, sobretudo com o acirramento do protecionismo”, disse.
Segundo ele, a União Europeia representa cerca de 12% das exportações gaúchas e pode ampliar fluxos de comércio, investimentos, inovação e tecnologia no Rio Grande do Sul. Ainda assim, D’Andrea afirmou que o custo Brasil segue como um entrave relevante à competitividade da indústria nacional.
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