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Tarifas de Trump tornam exportação de mármore e granito aos EUA praticamente inviável, avalia presidente da Centrorochas
Publicado 27/07/2026 • 17:10 | Atualizado há 48 minutos
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Publicado 27/07/2026 • 17:10 | Atualizado há 48 minutos
KEY POINTS
A nova tarifa dos Estados Unidos torna a exportação brasileira de mármores e granitos para o mercado americano praticamente inviável. É o que afirma Tales Machado, presidente da Centrorochas, associação que representa a indústria nacional de rochas naturais.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Machado afirmou que os quartzitos brasileiros foram preservados da tarifa adicional de 25%, mas mármores, granitos e ardósias passaram a enfrentar a nova barreira comercial.
“Os mármores e granitos já estavam com a competitividade baixa. Agora, com essa taxação, fica praticamente impossível. A gente realmente vai ficar fora da pauta de importação dos Estados Unidos de mármore e granito”, disse.
Leia também: China pede fim de tarifas unilaterais dos EUA e critica nova alíquota de 12,5%
O Brasil é um dos principais fornecedores de rochas naturais aos Estados Unidos, com forte presença no segmento de quartzitos, materiais de maior valor agregado e encontrados principalmente em território brasileiro.
Segundo Machado, o crescimento das vendas de quartzito ajudou a manter o valor das exportações mesmo com a redução do volume de mármores e granitos enviado ao exterior.
Há cerca de dez anos, o setor exportava aproximadamente 3,5 mil contêineres por mês. Atualmente, o volume gira em torno de 2,5 mil, segundo a entidade. O avanço dos quartzitos, mais caros, compensou parte dessa queda.
“Os quartzitos são materiais próprios do Brasil e são muito bem aceitos nos Estados Unidos. Ficaram fora da taxação e representam uma parcela importante da nossa pauta”, afirmou Machado.
A exceção, no entanto, não elimina o impacto sobre os demais produtos. De acordo com o presidente da Centrorochas, mármores e granitos representam cerca de 30% das exportações do setor para o mercado americano.
“Se você perder 30% do seu salário, você não vive. Então, esses 30% são muito importantes para o equilíbrio do setor”, disse.
Machado afirmou que, durante um período anterior de aplicação de tarifas pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras de mármores e granitos chegaram a registrar queda próxima de 55%.
“Naquele período, tivemos uma perda de mais ou menos 55% em mármore e granito. A gente já tinha uma competitividade baixa e, com a taxação, ficou praticamente fora”, afirmou.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das rochas naturais brasileiras. Em 2025, o país comprou US$ 795 milhões do setor, o equivalente a 53,6% das exportações nacionais. No primeiro semestre de 2026, a participação ficou em 51,2%, com US$ 364,3 milhões importados e queda de 14,4% na comparação anual.
Segundo Machado, os Estados Unidos importam cerca de US$ 3,2 bilhões em rochas ornamentais, sendo aproximadamente US$ 2 bilhões em mármores e granitos.
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Siga o Times | CNBCA Centrorochas mantém interlocução com autoridades, importadores e entidades americanas para tentar retirar mármores, granitos e ardósias da lista de produtos tarifados.
A entidade já atuava nos Estados Unidos desde as primeiras ameaças de taxação e participou do processo que manteve os quartzitos brasileiros entre as exceções.
“Nosso trabalho daqui para a frente é tentar retirar o mármore, o granito e a ardósia, que são três produtos em que o Brasil é forte, mas já enfrenta dificuldades de competitividade por causa do custo brasileiro”, disse Machado.
O setor também procura ampliar as vendas para outras regiões, mas Machado afirmou que nenhum mercado substitui, no curto prazo, a demanda americana.
A Centrorochas desenvolve ações de promoção comercial em parceria com a ApexBrasil e já vende produtos brasileiros para cerca de 120 países.
No mercado árabe, por exemplo, a participação brasileira aumentou, mas continua pequena. A distância e os custos de frete reduzem a competitividade diante de fornecedores mais próximos, como Índia, China e países europeus.
“Não tem como deixar de lado o nosso principal mercado, que é o americano. É um mercado muito consumidor, muito ativo e importantíssimo para nós”, afirmou.
Na Europa, o setor enfrenta a concorrência de empresas tradicionais, especialmente da Itália. A indústria brasileira também busca ampliar a presença em países como a França, onde existe demanda por ardósia.
Machado afirmou que o mercado brasileiro continua aquecido e absorve parcela relevante da produção nacional.
Segundo ele, o setor exportou cerca de US$ 1,5 bilhão em 2025 e registrou valor semelhante em vendas no mercado interno. Os produtos enviados ao exterior, porém, tendem a ter maior valor agregado.
“O mercado brasileiro é muito bom e muito grande. Em valores, vendemos aproximadamente o mesmo para o mercado interno e para o externo”, disse.
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