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El Niño tem 75% de chance de atingir intensidade histórica, ameaçando safras e pressionando preços das commodities
Publicado 10/09/2026 • 23:45 | Atualizado há 44 minutos
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Publicado 10/09/2026 • 23:45 | Atualizado há 44 minutos
KEY POINTS
Imagem gerada por IA
O atual El Niño tem 75% de probabilidade de alcançar uma intensidade histórica, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
A estimativa divulgada nesta quinta-feira (10) subiu de 69% para 75% em um mês. O fenômeno deve continuar se intensificando até atingir o pico entre outubro e dezembro de 2026.
O fenômeno é uma variação natural do clima que ocorre a cada dois a sete anos. O aquecimento das águas do Pacífico equatorial altera padrões de vento, pressão e precipitação e pode provocar secas, enchentes e temperaturas extremas.
No início de setembro, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmou que o episódio poderia ser mais intenso do que qualquer outro observado desde o início do monitoramento. Os efeitos também se somam às mudanças climáticas provocadas pela atividade humana, que ampliam eventos extremos.
A possibilidade de um El Niño mais forte preocupa o agronegócio brasileiro. Temperaturas elevadas, alterações nas chuvas e maior estresse hídrico podem reduzir a produtividade, afetar a qualidade das lavouras e pressionar os preços de commodities agrícolas.
Os reflexos já aparecem nos mercados. Os contratos futuros de cacau negociados na Bolsa de Nova York acumulam alta superior a 40% desde o início de fevereiro, mesmo em um momento de maior oferta, impulsionada pelo avanço das entregas no Oeste Africano e pela recuperação dos estoques certificados.
O fenômeno está entre os fatores que sustentam a valorização recente do cacau, embora não seja o único elemento que influencia as cotações. No café, os contratos futuros de arábica acumulam alta de 35% desde junho, enquanto os contratos de robusta avançaram, em média, 20% no mesmo período.
Na cafeicultura, Caio Junqueira, produtor da Fazenda Santo Amaro, em São Sebastião do Paraíso (MG), afirma que o aumento das temperaturas prejudica a fisiologia do café e reduz a produção.
“Com a redução da produção, diminui a oferta, os preços sobem e aumenta a incerteza sobre a renda do produtor agrícola”, afirma.
Caio Tucunduva, mestre de torra da No More Bad Coffee, também aponta os efeitos das mudanças no regime de chuvas. “Todas essas mudanças causadas pelo El Niño, com tornados e chuvas em julho, podem fazer com que a produção caia praticamente pela metade”, diz.
Para reduzir os impactos, produtores investem em estrutura do solo, tecnologias para mitigar temperaturas e manejo das plantas. Segundo Junqueira, até protetores solares já são utilizados nas lavouras.
“Estamos sofrendo com as mudanças climáticas desde 2020. Ano após ano, não tivemos nenhum ano normal”, afirma.
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Siga o Times | CNBCNo cacau, a principal preocupação está na África Ocidental, especialmente em Costa do Marfim e Gana, que concentram grande parte da produção mundial.
Leonardo Sorice, sócio e CEO da Fazenda Santa Luzia, em Ibirapitanga (BA), afirma que um El Niño forte pode combinar excesso de chuva, calor e déficit hídrico. Essas condições podem prejudicar a formação dos frutos e reduzir a produtividade.
O estresse hídrico também pode resultar em amêndoas menores e malformadas, enquanto chuvas excessivas dificultam os processos de fermentação e secagem.
Com uma possível redução da oferta de cacau de alta qualidade, a diferença de valor entre o cacau fino e a commodity pode aumentar. Nesse cenário, relações mais próximas e contratos de fornecimento com produtores ganham importância para empresas que precisam garantir acesso à matéria-prima.
Patricia Landmann, sócia e diretora de marketing da Chocolat du Jour, afirma que a cadeia integrada da marca ajuda a proteger o fornecimento de cacau fino.
“Como temos uma cadeia integrada, muita proximidade e afinidade com os nossos fornecedores, temos a nossa demanda por cacau fino assegurada. Não corremos risco de quebras”, afirma.
Na viticultura, temperaturas elevadas podem reduzir a produtividade, acelerar a maturação e diminuir a acidez das uvas. Paulo Roberto Guaspari, sócio da Face Norte Vinícola, em Espírito Santo do Pinhal (SP), afirma que o calendário de colheita passou a depender mais das condições de cada safra.
“O calendário de colheita está cada vez menos fixo. Acompanhamos de perto a maturação das uvas e ajustamos o momento da colheita de acordo com as condições de cada safra”, explica.
Entre as medidas adotadas estão o fortalecimento do sistema radicular, o manejo da vegetação e o monitoramento da disponibilidade hídrica.
“Nosso objetivo é investir em manejo e tecnologia para preservar a qualidade das uvas e evitar que essas oscilações sejam simplesmente repassadas ao consumidor”.
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