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Terremoto pode causar até US$ 1 bilhão em perdas e ampliar crise fiscal na Colômbia

Publicado 10/08/2026 • 22:22 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Estimativa preliminar do sistema PAGER, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, coloca as perdas econômicas na faixa de US$ 100 milhões a US$ 1 bilhão.
  • Ao menos 1.600 imóveis foram danificados e 61 desabaram; operações foram suspensas em aeroportos do oeste colombiano para inspeções.
  • Colômbia terá de financiar a recuperação enquanto convive com déficit fiscal elevado, dívida próxima de 60% do PIB e uma das políticas monetárias mais restritivas da região.

Divulgação redes sociais

O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste da Colômbia nesta segunda-feira (10) pode deixar uma conta de centenas de milhões de dólares para o país, além do impacto humano de uma tragédia que já matou ao menos 111 pessoas.

Uma avaliação preliminar do sistema PAGER, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), coloca as perdas econômicas mais prováveis entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão. A estimativa ainda pode mudar à medida que as autoridades avancem no levantamento dos danos nas áreas mais atingidas.

O órgão classificou o episódio em alerta laranja para perdas econômicas, nível que indica possibilidade de impactos significativos e necessidade de uma resposta regional ou nacional.

O tremor ocorreu às 7h34 no horário local, com epicentro próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, e profundidade de 107 quilômetros. Segundo as autoridades, foi o terremoto mais forte registrado na Colômbia neste século.

Até esta segunda-feira, o governo contabilizava cerca de 1.600 construções danificadas, das quais pelo menos 61 desabaram completamente. Ao menos 111 pessoas morreram e 87 ficaram feridas, e as equipes de resgate ainda procuravam vítimas nos escombros.

Leia também: Terremoto de magnitude 7,4 deixa mortos, feridos e estruturas destruídas na Colômbia

Infraestrutura entra na conta

Parte importante dos prejuízos deve vir dos danos à infraestrutura urbana. Pereira, Cali e Manizales estão entre as cidades mais atingidas, com registros de danos em hospitais e estruturas aeroportuárias. As operações foram suspensas nos aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura para avaliações de segurança.

A destruição também alcançou áreas do eixo cafeeiro e do Valle del Cauca, regiões relevantes para a atividade agrícola, industrial, comercial e logística da Colômbia. Ainda não há, porém, estimativas confiáveis sobre perdas específicas na produção de café ou em outros setores.

A Cotality, especializada em análise de riscos e seguros, calcula preliminarmente que as perdas seguradas possam chegar a centenas de milhões de dólares.

A cobertura de seguros residenciais e comerciais, no entanto, é relativamente baixa nas regiões próximas ao epicentro, o que significa que uma parcela relevante dos prejuízos pode acabar sendo absorvida diretamente por famílias, empresas e pelo setor público.

Contas públicas já estavam pressionadas

A reconstrução começa em um momento delicado para as finanças colombianas. O país encerrou 2025 com déficit fiscal equivalente a 6,4% do PIB. Em junho, o governo elevou de 5,1% para 5,3% do PIB a meta de déficit para 2026. Miguel Gómez, ministro da Fazenda do novo governo de Abelardo de la Espriella, já afirmou que o desequilíbrio efetivo pode ficar entre 7% e 8% do PIB.

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A dívida líquida projetada para este ano está próxima de 59% do PIB, acima da âncora fiscal de 55%. Antes mesmo do terremoto, o novo governo já havia colocado a reorganização das contas públicas e a gestão da dívida entre suas prioridades.

Agora, as despesas com resgate, assistência às vítimas e reconstrução adicionam uma nova pressão às contas do país.

O presidente De La Espriella declarou estado de emergência, medida que permite acelerar a mobilização de recursos para enfrentar as consequências do desastre.

Juros de 12% encarecem recuperação

Outro desafio é o custo do crédito. O Banco da República manteve no fim de julho a taxa básica de juros em 12% ao ano. A inflação chegou a 6,1% em junho, mais que o dobro da meta de 3%, reduzindo o espaço para uma flexibilização rápida da política monetária.

Os juros elevados tornam mais caro o financiamento da recuperação. O efeito vale tanto para o governo quanto para famílias e empresas que precisem reconstruir imóveis, recompor estoques ou financiar a retomada das atividades.

O banco central colombiano também projeta que as pressões inflacionárias permaneçam ao longo de 2026 antes de começarem a ceder gradualmente em 2027.

Leia também: Colômbia decreta emergência nacional após terremoto de magnitude 7,4

EUA anunciam US$ 15,5 milhões em ajuda

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira US$ 15,5 milhões em ajuda emergencial à Colômbia. Os recursos serão destinados a abrigos, alimentação, proteção e ações de resposta e avaliação dos danos.

O montante representa apenas uma fração das perdas econômicas projetadas até agora. Caso os prejuízos se aproximem do teto de US$ 1 bilhão indicado pela estimativa preliminar, a ajuda americana equivaleria a cerca de 1,5% desse valor.

A incerteza sobre o tamanho final da conta continua alta, principalmente em Chocó, uma das regiões mais pobres e de acesso mais difícil do país.
Falhas nas comunicações dificultaram o levantamento dos danos nas primeiras horas após o tremor. Com isso, tanto o número de vítimas quanto a estimativa dos prejuízos ainda podem aumentar.

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