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TIMES | CNBC Parlatório Talks: Mundo saiu da globalização para a “vingança da geopolítica”, diz Marcos Troyjo
Publicado 01/06/2026 • 22:35 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 01/06/2026 • 22:35 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O mundo saiu de um ciclo intensivo em globalização para uma fase em que a geopolítica passou a comandar os rumos da economia internacional, afirmou Marcos Troyjo, economista, diplomata e ex-presidente do Banco dos Brics.
A avaliação foi feita durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado pelo jornalista e CEO do Grupo Parlatório, Carlos Marques. O programa conversa com lideranças para sobre temas como economia, geopolítica, relações internacionais, inovação e desenvolvimento institucional.
“Se a gente fosse utilizar uma linguagem hoje de tecnologias da informação, nós saímos de um modo intensivo em globalização para um modo intensivo em geopolítica”, disse Troyjo. “Geopolítica é quem está no assento, quem está comandando os rumos.”
Segundo ele, os últimos 20 anos marcaram uma reversão em relação ao período de hiperglobalização, quando comércio, investimentos internacionais, cadeias produtivas e acordos de livre comércio avançavam com menos barreiras.
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Para Troyjo, esse movimento começou a mudar com choques sucessivos, como os ataques de 11 de setembro, a crise financeira de 2008, a crise europeia de 2011, o Brexit, a primeira eleição de Donald Trump, a pandemia, a guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio.
“Nós estamos vivendo a vingança da geopolítica”, afirmou.
O economista disse que a atual conjuntura pode ser definida como uma “policrise”, em que múltiplos choques ocorrem ao mesmo tempo. Ele citou a pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia, as tensões no Oriente Médio e a disputa entre Estados Unidos e China.
“Em geral, as pragas vêm uma depois da outra. Agora elas estão chegando todas ao mesmo tempo”, disse.
Troyjo afirmou que o peso dos Estados Unidos faz com que decisões do presidente americano, Donald Trump, tenham repercussões globais amplas. Segundo ele, o país representa cerca de um quarto da economia mundial e concentra poder financeiro e corporativo desproporcional.
“Se o presidente Trump acerta, ele acerta muito. As reverberações positivas são muito grandes. Agora, se ele pisa na bola, se ele erra, os efeitos multiplicadores também são grandes”, afirmou.
Ao comentar a política tarifária americana, Troyjo disse que os Estados Unidos construíram parte relevante de sua prosperidade com uma economia mais aberta, tarifas baixas, inovação e mercado financeiro sofisticado.
Para ele, o aumento do protecionismo reflete uma combinação de nostalgia industrial, preocupação geopolítica e percepção de dependência excessiva de cadeias externas, especialmente em setores como fármacos, minerais críticos, aço e defesa.
“Parece que o presidente Trump tem outra filosofia, mais permeada pela questão geopolítica”, disse.
Troyjo afirmou que o protecionismo voltou com força ao centro da economia global.
“A onda protecionista voltou como uma espécie de tsunami violento, bem mais forte e crescente”, afirmou.
Apesar disso, ele disse que a desglobalização não significa o fim da globalização, mas uma desaceleração e reacomodação dos fluxos globais. Segundo ele, quando os Estados Unidos elevam barreiras, outros países buscam novas parcerias.
“O protecionismo de alguns, ou as forças desglobalizantes de alguns, convidam a uma outra globalização”, disse.
Para Troyjo, o Brasil deve orientar sua política externa e econômica pelo interesse nacional. Segundo ele, o país precisa ter como grande projeto alcançar, em duas décadas, uma renda per capita equivalente à de países da Europa mediterrânea, como Portugal.
Ele afirmou que isso exigiria crescimento médio de 3,5% ao ano durante 20 anos.
“O grande projeto do Brasil deveria ser chegar, em um período de duas décadas, a uma renda per capita equivalente ao que hoje é a de alguns países da Europa mediterrânea”, disse.
Na avaliação do economista, o Brasil tem condições para isso porque reúne vantagens em produção de alimentos, minérios, energia, diversidade de fontes e mercado interno relevante.
Troyjo disse que o país hoje oferece respostas para algumas das principais perguntas da economia mundial.
“O Brasil, curiosamente, oferece respostas para perguntas que o mundo tem: segurança alimentar, segurança energética, segurança de minerais críticos, grande mercado consumidor interno”, afirmou.
Ele lembrou que o Brasil se tornou o segundo maior destino de investimento estrangeiro direto no agregado dos últimos anos, movimento que, na avaliação dele, vai além do ciclo político-eleitoral.
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Seguir no GoogleSegundo Troyjo, o desafio é usar os excedentes gerados por essas vantagens para financiar pesquisa, desenvolvimento e inovação, em vez de apenas ampliar a extração tributária sobre a sociedade.
“Se você vai utilizar esses excedentes para direcionar recursos para pesquisa, desenvolvimento e inovação, que é o berçário das novas revoluções tecnológicas, ou vai usar isso para extrair da sociedade 33% de carga tributária? Eu acho que a gente acaba perdendo muita oportunidade”, disse.
Troyjo afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia “vai acontecer” e deve ser positivo para os dois blocos. Segundo ele, o acordo foi concluído em 2019, reconcluído em dezembro do ano passado e assinado há poucas semanas.
Para o economista, o contexto geopolítico tornou o acordo mais relevante, especialmente para uma Europa pressionada pela competição entre Estados Unidos e China.
“O fato é que esse acordo é muito bom para todo mundo”, afirmou.
Ele disse que o acordo deve estimular não apenas comércio de bens, mas também joint ventures, investimentos transfronteiriços e transferência de tecnologia.
“Eu acho que nós vamos ver um aumento muito caudaloso do fluxo de investimentos europeus no Brasil”, disse.
Apesar da importância da Europa, Troyjo afirmou que o Brasil precisa criar alternativas e ampliar sua presença no mercado americano. Segundo ele, os Estados Unidos importam US$ 3,6 trilhões por ano, mas o Brasil responde por apenas US$ 40 bilhões desse total, cerca de 1,1%.
“Tem muito que crescer no mercado americano”, afirmou.
Na avaliação do diplomata, o Brasil precisa buscar fatias maiores do mercado dos Estados Unidos independentemente de quem esteja na Casa Branca.
“Nós temos que ter fatias maiores do mercado americano com Trump, sem Trump, com tarifaço, sem tarifaço, com protecionismo, sem protecionismo”, disse.
Troyjo classificou a relação recente entre Brasil e Estados Unidos como “improdutiva, contenciosa e deseconômica”, mas afirmou que a demanda americana por minerais críticos ajudou a reduzir tensões.
Segundo ele, os Estados Unidos foram levados a buscar novas fontes depois que a China restringiu voluntariamente exportações de minerais críticos. Nesse contexto, o Brasil ganhou importância estratégica.
“Tudo isso ajuda a distensionar a relação entre essas duas economias que são as maiores do continente”, afirmou.
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Ao resumir o momento atual do mundo, Troyjo disse que a sigla ESG ganhou novo significado.
Segundo ele, a primeira geração do ESG era marcada por ambiente, social e governança. Agora, afirmou, o mundo vive um “ESG 2.0”.
“O ESG que surgiu há 20 anos era a prevalência das questões ambientais, sociais e de governança. Nós estamos agora testemunhando a ascensão do ESG 2.0: E de economia, S de segurança, G de geopolítica”, afirmou.
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