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TIMES | CNBC Parlatório Talks: Brasil precisa dobrar investimento em infraestrutura, diz CEO da Acciona

Publicado 25/05/2026 • 22:36 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Avaliação foi feita durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado por Carlos Marques.
  • André de Angelo afirmou que o Brasil investe cerca de 2% do PIB em infraestrutura, mas deveria chegar a pelo menos 4%.
  • CEO da Acciona no Brasil disse que transporte, logística, saneamento e mobilidade urbana estão entre as áreas mais urgentes para o país.

O Brasil precisa praticamente dobrar o investimento em infraestrutura para reduzir gargalos logísticos, ampliar competitividade e acompanhar o crescimento da economia, afirmou André de Angelo, CEO da Acciona no Brasil.

A avaliação foi feita durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado pelo jornalista e CEO do Grupo Parlatório, Carlos Marques. O programa discute com lideranças temas como economia, infraestrutura, energia, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento institucional.

Segundo De Angelo, o país investiu R$ 280 bilhões em infraestrutura em 2025 e tem previsão de R$ 300 bilhões neste ano, o equivalente a cerca de 2% do PIB. Para ele, o patamar adequado seria de pelo menos 4%.

“Mesmo assim, nós precisaríamos estar investindo quase o dobro disso”, afirmou. “Em transporte, nós precisaríamos investir pelo menos uns R$ 200 bilhões a mais por ano para conseguir acompanhar o crescimento do país.”

O executivo disse que o principal gargalo está em transporte e logística. Segundo ele, 62% das cargas no Brasil ainda passam por rodovias, muitas delas em condições inadequadas. A ampliação de ferrovias e a melhora da infraestrutura de transporte poderiam reduzir em pelo menos 50% o custo do frete, afirmou.

“Hoje, se você investe em transporte, nós passamos a ser mais competitivos”, disse.

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De Angelo afirmou que o Brasil vem aumentando o volume de concessões, Parcerias Público-Privadas (PPPs) e leilões de infraestrutura, mas disse que o modelo ainda não é suficiente para suprir todo o déficit do país.

“As concessões e PPPs estão aumentando, mas o privado investe onde tem retorno”, afirmou. Segundo ele, há projetos necessários que não têm taxa interna de retorno adequada para atrair capital privado sem participação pública.

O CEO da Acciona disse que cerca de 80% dos investimentos atuais em infraestrutura vêm do setor privado. Para que projetos menos atrativos avancem, afirmou, será necessário ampliar os orçamentos públicos e estruturar melhor as parcerias.

“Hoje temos um orçamento público de transporte de não mais do que R$ 30 bilhões. É muito pouco para o que o Brasil precisa”, disse.

Saneamento e financiamento

Na avaliação de De Angelo, o saneamento básico foi uma das áreas que mais evoluíram desde o marco legal do setor, aprovado em 2020. Ele lembrou que a meta é chegar até 2033 a 99% de atendimento com água tratada e 90% de coleta e tratamento de esgoto.

Apesar do avanço, o executivo disse que o investimento atual ainda está abaixo do necessário.

“Nós estamos investindo R$ 25 bilhões, R$ 30 bilhões ao ano, e precisaríamos investir pelo menos R$ 50 bilhões ao ano até 2033 para atingir essa meta”, afirmou.

De Angelo também destacou o papel do BNDES e do mercado de capitais no financiamento de projetos. Segundo ele, o banco financiou mais de R$ 150 bilhões em 2025, dos quais R$ 53 bilhões foram destinados à infraestrutura.

“O BNDES tem feito um papel fundamental na infraestrutura do país”, disse.

O executivo afirmou que, com juros elevados, a criatividade financeira se tornou ainda mais necessária. Ele citou debêntures estruturadas, debêntures incentivadas e outros instrumentos como mecanismos relevantes para viabilizar projetos.

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Segurança jurídica e licenciamento

Para atrair mais investimentos, De Angelo defendeu avanços em segurança jurídica, licenciamento ambiental e fortalecimento das agências reguladoras.

Ele citou a proposta de modernização das PPPs e concessões, em tramitação no Senado, como uma medida importante para dar mais equilíbrio à relação entre poder público e iniciativa privada e acelerar a solução de conflitos.

“Se existe algo que é fato num contrato de infraestrutura é que ocorrerão problemas. E esses problemas têm que ser solucionados”, afirmou.

Segundo ele, mecanismos como dispute boards podem ajudar a reduzir incertezas e aumentar a confiança do investidor privado.

O CEO da Acciona também afirmou que o Brasil tem uma legislação ambiental rigorosa, o que considera positivo, mas defendeu mais agilidade no processo de licenciamento.

“Às vezes, para conseguir iniciar um investimento, demora dois, três, quatro anos para conseguir uma licença”, disse. “Isso é difícil, atrasa.”

De Angelo também defendeu o reforço técnico e financeiro das agências reguladoras, que precisam acompanhar o crescimento dos contratos de concessão e PPPs no país.

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Brasil entre prioridades globais da Acciona

A Acciona está no Brasil há quase 30 anos e ganhou maior relevância no país a partir de 2020, quando assumiu a Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo, afirmou De Angelo.

Segundo ele, o Brasil hoje está entre os três principais países para investimentos da Acciona no mundo, excluindo a Espanha, país de origem do grupo.

“O Brasil é um dos países que mais se destaca pelo seu programa de investimentos e de projetos estruturados em carteira”, disse.

O executivo afirmou que há mais de R$ 700 bilhões em projetos estruturados no país, em diferentes fases, entre execução, licitação e elaboração. Para ele, poucos países no mundo têm uma carteira semelhante.

De Angelo disse que a Acciona seguirá olhando para o setor de infraestrutura como um todo, mas destacou duas prioridades no Brasil: mobilidade urbana e saneamento básico.

“São as áreas em que estamos realmente bastante focados”, afirmou.

Sustentabilidade e mobilidade

O CEO da Acciona afirmou que infraestrutura, sustentabilidade e inovação não podem mais ser tratadas separadamente. Segundo ele, projetos precisam ser avaliados não apenas por investimento e retorno financeiro, mas também por impacto social e redução de emissões.

“Hoje não tem como desassociar infraestrutura de sustentabilidade e inovação”, disse.

Ao citar a Linha 6 do metrô de São Paulo, De Angelo afirmou que o projeto deve atender mais de 600 mil pessoas por dia e reduzir em cerca de duas horas e meia o tempo de deslocamento de usuários.

Segundo ele, a energia usada na obra é 100% renovável, e a operação também será abastecida por energia renovável ao longo de mais de 20 anos.

O executivo afirmou que o atraso do Brasil em transporte metroviário está ligado principalmente à falta de investimento, já que metrôs estão entre as infraestruturas mais caras. Para ele, PPPs são o caminho para ampliar esse tipo de projeto.

“No caso da Linha 6, a Acciona, que é o parceiro privado, está investindo junto com o governo do Estado”, disse.

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Transição energética

De Angelo também afirmou que o Brasil já está no caminho da transição energética há muito tempo. Segundo ele, mais de 80% da energia gerada no país vem de fontes renováveis.

“O Brasil tem a ensinar a outros países como fazer a transição energética”, afirmou.

O executivo citou hidrogênio verde, combustíveis alternativos e etanol como vantagens competitivas brasileiras. Para ele, o país já parte de uma base mais limpa do que outras economias.

“O Brasil está no caminho certo. É só seguir”, disse.

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