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TIMES | CNBC Parlatório Talks: Brasil virou estratégico para a Shell e responde por quase 30% da produção global, diz presidente

Publicado 18/05/2026 • 22:17 | Atualizado há 26 minutos

KEY POINTS

  • A avaliação foi feita pelo executivo durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado por Carlos Marques.
  • Cristiano Pinto da Costa afirmou que o Brasil é hoje o maior produtor de petróleo dentro do grupo Shell.
  • Presidente da Shell Brasil disse que segurança energética, transição energética e competitividade precisam ser discutidas em conjunto.

O Brasil se tornou um país estratégico para a Shell e já responde por quase 30% da produção global de petróleo do grupo, afirmou Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil.

A avaliação foi feita durante o TIMES | CNBC Parlatório Talks, apresentado pelo jornalista e CEO do Grupo Parlatório, Carlos Marques. O programa discute temas como economia, energia, inovação, desenvolvimento institucional e transformação dos mercados.

“Hoje o Brasil é o maior produtor de petróleo dentro do grupo Shell”, disse Costa. Segundo ele, a operação brasileira superou recentemente a marca de 500 mil barris de petróleo por dia pela primeira vez.

O executivo afirmou que o Brasil ganhou relevância dentro da companhia em um momento de forte volatilidade global no setor de energia. Segundo ele, os conflitos recentes mudaram os fluxos internacionais de energia e recolocaram a segurança energética no centro da agenda.

“Hoje segurança energética e segurança nacional estão praticamente andando em paralelo”, afirmou.

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Para Costa, a transição energética se tornou mais complexa nos últimos anos. Ele disse que não é possível discutir descarbonização sem considerar segurança energética, preços competitivos e o aumento contínuo da demanda global por energia.

“Você não pode falar de transição energética, que é superimportante e precisa acontecer, sem falar de segurança energética”, disse.

O presidente da Shell Brasil afirmou que o mundo segue consumindo mais energia ano após ano. Segundo ele, esse movimento vem do crescimento populacional, da busca por melhora na qualidade de vida no hemisfério sul e do avanço da inteligência artificial, que exige mais energia para data centers e novas aplicações digitais.

“A inteligência artificial está demandando cada vez mais consumo de energia”, afirmou.

Na avaliação do executivo, petróleo e gás ainda terão papel relevante na matriz energética global nas próximas décadas, mesmo com o avanço das fontes renováveis.

“A gente continua vendo crescimento de demanda de óleo e gás para as próximas décadas”, disse. “O óleo e gás vão ter ainda um papel importantíssimo na matriz energética global.”

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Brasil em posição de vantagem

Costa afirmou que o Brasil está em posição privilegiada na transição energética por ter uma matriz diversificada, com hidrelétricas, energia solar, biocombustíveis, petróleo e gás.

“A matriz energética brasileira é de dar inveja a várias grandes economias do mundo”, afirmou.

Segundo ele, o país fez um trabalho importante ao deixar de ser importador líquido de petróleo para se tornar exportador líquido, especialmente após o desenvolvimento do pré-sal.

“O Brasil fez um trabalho fantástico nas últimas décadas de criar a sua autossuficiência”, disse.

O executivo afirmou que o país sofre menos com o choque do petróleo do que outras economias por ser produtor relevante. Ao mesmo tempo, disse que o Brasil ainda é impactado em áreas como diesel, já que importa parte do consumo, e pode ficar mais exposto ao gás natural caso precise ampliar importações em períodos de baixa hidrologia.

No caso do petróleo, Costa disse que o aumento dos preços beneficia a arrecadação pública. Segundo ele, a cada três barris de petróleo produzidos no Brasil, dois ficam com o governo por meio de royalties, participação especial, imposto de renda e outros tributos.

“Desproporcionalmente, essa receita adicional com o aumento do preço do petróleo vai para os cofres do governo brasileiro”, afirmou.

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Carga tributária e estabilidade regulatória

O presidente da Shell Brasil afirmou que a carga tributária do setor já é elevada e que mudanças inesperadas aumentam a percepção de instabilidade regulatória.
Ele citou a medida provisória que elevou o imposto de exportação em 12% e disse que esse tipo de decisão pesa no cálculo de investidores internacionais.

“Isso causa uma instabilidade regulatória”, afirmou. “Se nos últimos quatro anos duas vezes isso aconteceu, é provável que vai acontecer de novo.”

Segundo Costa, projetos de petróleo e gás têm ciclos longos. Entre vencer uma concessão em leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e começar a produzir, o prazo pode chegar a sete a dez anos. As concessões, disse ele, duram cerca de 30 anos.

“Para você se planejar do ponto de vista estratégico, investir bilhões de dólares, você precisa de estabilidade jurídica e estabilidade regulatória”, pontuou.

O executivo disse que a indústria se coloca à disposição do governo para discutir soluções antes da adoção de medidas que afetem o setor.

“O ponto mais importante que a gente traz para o governo é que, em situações como essa, a indústria se coloca à disposição para sentar, conversar e cocriar uma solução, e não ser pega de surpresa”, disse.

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Pré-sal e risco de queda da produção

Costa afirmou que o pré-sal segue estratégico para a Shell, mas disse que o Brasil precisa abrir novas fronteiras exploratórias para evitar queda na produção na próxima década.

Segundo ele, campos de petróleo costumam ter declínio de 7% a 10% ao ano se não houver novos investimentos. Por isso, afirmou, a atividade exploratória precisa ser retomada para preservar a posição do país como exportador líquido.

“Se novas fronteiras exploratórias não forem abertas, se a atividade exploratória no Brasil não voltar a se reaquecer e novas descobertas de óleo e gás não acontecerem, o Brasil corre o risco de voltar a ser um importador de petróleo”, disse.

O executivo afirmou que, em um cenário de choque global de energia, uma reversão desse tipo deixaria o país mais vulnerável.

Investimentos e inovação

A Shell teve em 2025 o maior investimento da história no Brasil, segundo Costa. Foram R$ 12,5 bilhões aplicados no país, maior valor já investido pelo grupo em 113 anos de atuação contínua no mercado brasileiro.

O presidente da companhia disse que o principal negócio da Shell no Brasil é exploração e produção. Ele citou a decisão final de investimento em um novo navio-plataforma para o pré-sal, com capacidade de 120 mil barris de óleo equivalente por dia, em parceria com a Ecopetrol e a QatarEnergy.

A plataforma deve entrar em produção no fim da década, segundo ele.
Costa também destacou o papel do Brasil como polo de inovação dentro da Shell. Ele disse que a companhia investe de US$ 100 milhões a US$ 120 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento no país, em parceria com universidades e centros de pesquisa.

“Temos um papel cada vez mais relevante de gerar tecnologia nova no Brasil para o Brasil e progressivamente estamos exportando essas tecnologias para fora do Brasil também”, afirmou.

Segundo o executivo, um projeto brasileiro de pesquisa e desenvolvimento venceu, no ano passado, o CEO Awards Global como o projeto mais inovador dentro do grupo Shell.

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Petrobras é parceira estratégica

Costa também afirmou que a Petrobras é vista pela Shell como uma grande parceira no Brasil.

“Sem dúvida nenhuma, uma parceira, uma grande parceira”, disse.

Segundo ele, as duas companhias estão entre os maiores produtores de petróleo em águas profundas do mundo e mantêm colaboração tecnológica, com troca de iniciativas, lições aprendidas e desenvolvimento conjunto.

“A Petrobras tem um corpo técnico de primeira linha internacionalmente”, afirmou.
O executivo disse que Shell e Petrobras podem competir em leilões, mas ressaltou que a estatal é o maior parceiro da companhia no Brasil.

Demanda precisa mudar para acelerar transição

Na área ambiental, Costa afirmou que a pressão por metas de descarbonização deve crescer. Para ele, governos e sociedade devem cobrar compromissos ambiciosos, mas acompanhados de planos concretos.

O executivo disse que a transição energética só vai acelerar se houver mudança no perfil de consumo de energia.

“O mundo só vai conseguir realmente acelerar a transição energética se você mudar a forma como cada um de nós, indivíduos, companhias e sociedade, consome energia”, afirmou.

Ele citou o programa Combustível do Futuro como exemplo de política pública capaz de incentivar o aumento gradual da participação de etanol, biodiesel, biogás e biometano na matriz brasileira.

“O governo tem um papel fundamental em criar políticas públicas robustas que incentivem essa mudança de perfil de demanda”, disse.

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