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Voar vai ficar mais caro: guerra, querosene e reforma tributária pressionam tarifas aéreas
Publicado 15/04/2026 • 06:54 | Atualizado há 11 horas
ALERTA DE MERCADO:
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Publicado 15/04/2026 • 06:54 | Atualizado há 11 horas
KEY POINTS
Agência Brasil
Aeroporto de Guarulhos
O setor de aviação brasileiro enfrenta uma combinação inédita de choques: o reajuste de 55% no querosene de aviação (QAV), reflexo da guerra no Oriente Médio, e a reforma tributária que pode elevar em até 27% a carga sobre o setor. Economistas alertam que o impacto será inevitavelmente repassado ao consumidor, encarecendo voos domésticos e internacionais.
“Se está mais caro para levar passageiro daqui para lá, de lá para cá, esse custo tem que ser repassado na passagem”, afirmou Rafael Chaves, professor da FGV EPGE, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, as empresas já operam com margens estreitas e têm pouca capacidade de absorver choques simultâneos de custo.
A reforma prevê a criação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que juntos formam o IVA. Diferente dos tributos atuais, o IVA não ficará embutido na tarifa, mas será acrescido diretamente ao preço final.
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🔍 O que é o IVA? sigla para Imposto sobre Valor Adicionado. Diferente dos tributos atuais, que incidem sobre o faturamento bruto, o IVA é cobrado sobre o valor que cada elo da cadeia produtiva agrega ao produto ou serviço. É o modelo usado pela maioria dos países.
“O resultado dessa mudança é o contrário do que se imagina: é uma tributação que vai prejudicar os mais pobres”, disse José Roberto Afonso, professor do IDP e da Universidade de Lisboa ao programa Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Ele destacou que pessoas jurídicas poderão abater o imposto, mas consumidores comuns não terão esse recurso.
O QAV, que representa entre 30% e 45% dos custos operacionais das companhias, disparou com a crise no Estreito de Ormuz. “Pegou a guerra, o aumento do petróleo, o aumento do querosene de aviação e o aumento do IVA através da carga tributária”, resumiu Chaves.
🔍 QAV é o combustível usado por aeronaves comerciais, derivado do petróleo e mais refinado que a gasolina comum. Por ser negociado em dólar e atrelado à volatilidade do petróleo, seu preço oscila com frequência e tem impacto direto no custo das passagens. No Brasil, a Petrobras define o preço mensalmente.
Com o conflito no Oriente Médio, os preços globais do QAV dispararam 103% em março, de acordo com a Iata. Nos Estados Unidos, o combustível quase dobrou entre o fim de fevereiro e o início de abril, passando de US$ 2,50 para US$ 4,88 por galão. No Brasil, além do reajuste de 55% anunciado pela Petrobras, o governo federal zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível por decreto publicado em 8 de abril, com validade até 31 de maio.
Além do impacto imediato, especialistas alertam para riscos na atração de capital estrangeiro. “Você não sabe como explicar para um investidor por que vou ser diferente do resto do mundo”, disse Afonso. Ele lembrou que as grandes companhias brasileiras têm participação acionária de grupos internacionais e que o momento seria propício para novos investimentos.
Para Chaves, o choque do petróleo é global e não representa perda isolada para o Brasil. “Esse choque aí é para todo mundo. Então todas as passagens vão ficar mais caras por conta da guerra e por conta do preço do petróleo.”
Ele destacou, porém, que os principais entraves ao turismo brasileiro estão em outras áreas: “Segurança pública, talvez de forma lateral, seja a pauta mais importante para estimular o turismo.” O professor também defendeu investimentos em infraestrutura e transporte para ampliar a capacidade de receber visitantes e melhorar a experiência de quem viaja pelo país.
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Na Europa, o cenário é ainda mais agudo. Especialistas ouvidos pela CNBC alertam para risco de escassez “sistêmica” de querosene nas próximas semanas, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz se prolongue. Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy, avalia que a situação pode se tornar crítica já em maio e junho, com cortes severos de voos.
Rico Luman, economista sênior do ING, aponta sinais concretos: “Já vemos navios parando e o suprimento do Oriente Médio se esgotando”, disse. A associação ACI Europe estima que a escassez pode ocorrer em até três semanas, afetando o período de maior demanda do continente. O setor aéreo europeu movimenta quase US$ 1 trilhão por ano e sustenta 14 milhões de empregos.
As companhias já reagem. A SAS cancelou mil voos em abril. A Wizz Air projeta novos cortes caso a crise se prolongue.
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