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Sob pressão, Inter vê remuneração de executivos virar alvo de investidores
Publicado 28/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 28/05/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora
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Divulgação
As ações do Inter acumulam queda de cerca de 19% nos últimos 30 dias na bolsa de valores, e um dos motivos do mau humor tem sido um número que até então passava despercebido: o quanto a instituição paga à sua cúpula.
Segundo cálculo apresentado por um gestor a investidores nas últimas semanas, o banco desembolsa aproximadamente R$ 110 milhões por ano para remunerar seus executivos, o equivalente a cerca de 8% do lucro líquido de R$ 1,397 bilhão registrado em 2025. O cálculo foi divulgado pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Para uma companhia que precisa convencer o mercado de que vai crescer rápido, cada centavo que escorre para a estrutura interna vira combustível para a desconfiança.
E o incômodo não chega em bom momento para o Inter. O balanço do primeiro trimestre de 2026, divulgado em 7 de maio, mostrou lucro líquido recorde de R$ 395 milhões para o banco, mas trouxe deterioração nos indicadores de crédito que pegou o mercado de surpresa. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,1%, ante 4,6% um ano antes, e o custo do risco avançou para 5,6%. Para o Safra, os resultados ficaram abaixo das expectativas tanto da instituição quanto do consenso, com perda de fôlego nas receitas e sinais de deterioração na qualidade dos ativos. As ações chegaram a despencar 14,5% em um único pregão na Nasdaq — o pior dia em três anos.
Leia também: Banco Inter despenca mais de 14% na bolsa após alta da inadimplência acender alerta de risco
Pressionada, a administração realizou na semana seguinte um encontro com investidores em Wall Street para tentar acalmar os ânimos. Ali, sinalizou que a meta de rentabilidade que vinha prometendo desde 2023 (atingir um retorno sobre o patrimônio de 30% até 2027, considerado ambicioso até para os padrões dos grandes bancos) foi adiada. O novo horizonte passou a ser 2029. Em outras palavras, o Inter está pedindo ao mercado mais tempo para entregar o que prometeu.
E os números tendem a piorar. Segundo documentos da Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC), acessados pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, os acionistas da Inter & Co aprovaram em assembleia um orçamento de até US$ 29,9 milhões (cerca de R$ 165 milhões pela cotação do balanço da própria companhia) para a remuneração agregada de diretores e officers em 2026. O valor cobre salário fixo, bônus variável e remuneração baseada em ações, e supera em quase 50% a cifra de R$ 110 milhões atribuída ao banco para 2025. Na mesma renunião, os acionistas chancelaram uma alteração nos estatutos da companhia para aumentar de dez para doze o número máximo de officers que o conselho pode nomear.
Foi nesse cenário de cobrança crescente que entrou em cena, na sexta-feira passada (22), a gestora carioca Squadra Investimentos. Em comunicado ao mercado, a Inter & Co informou ter sido notificada de que os fundos da Squadra atingiram participação de 10,07% das ações ordinárias Classe A da companhia, totalizando 32,8 milhões de papéis.
Mas a entrada da gestora tem um peso que vai além do tamanho da fatia. A Squadra é conhecida no mercado brasileiro por entrar em empresas em dificuldades e pressionar publicamente por mudanças de governança. Foi ela que, em 2020, revelou a fraude contábil no IRB, e tem histórico de questionar abertamente pacotes de remuneração considerados desproporcionais ao desempenho das ações. Para uma administração que já vinha sob fogo cruzado por adiar metas e ver a inadimplência subir, ter agora uma gestora com esse histórico segurando quase 10% do capital pode mudar o tom da conversa.
Leia também: Os 5 pontos que explicam por que o Banco Inter desabou na bolsa
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Seguir no GoogleA discussão sobre remuneração também esbarra em outra contradição na narrativa de eficiência do Inter. Apesar do banco se apresentar como uma operação 100% digital e enxuta — e de ter, segundo divulgação do próprio resultado de 2025, fechado 212 postos de trabalho em 12 meses, terminando o ano com 4.179 funcionários —, suas despesas com pessoal subiram 16,3% no período, chegando a R$ 1,1 bilhão. Ou seja, menos gente na ponta, mais dinheiro na folha.
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