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Vorcaro completa neste domingo 200 dias preso, com delação travada e caso Master estremecendo o STF
Publicado 19/09/2026 • 21:04 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 19/09/2026 • 21:04 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Daniel Vorcaro completa neste domingo (20) 200 dias preso. Desde 4 de março, quando foi alvo de uma nova ordem de prisão preventiva na Operação Compliance Zero, o fundador do Banco Master se tornou personagem principal de uma crise que atingiu em cheio o Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal.
Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, ficou 11 dias detido e foi solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região com tornozeleira eletrônica. A segunda prisão veio após a PF encontrar no celular dele mensagens sobre intimidação de adversários, entre elas conversas que mencionavam um plano para simular um assalto e agredir o jornalista Lauro Jardim.
Duzentos dias depois, o conteúdo do aparelho do ex-banqueiro continua produzindo desdobramentos e sacudindo Brasília.
Nesta sexta-feira (18), a defesa apresentou ao presidente do STF, Edson Fachin, um novo pedido para revogar a prisão preventiva do ex-banqueiro. Os advogados sustentam que a medida não foi reavaliada dentro do prazo de 90 dias e argumentam que Vorcaro não pode permanecer preso indefinidamente enquanto o próprio Supremo discute quem deve conduzir partes das investigações. A defesa admite, como alternativa, medidas como tornozeleira e restrição para deixar o país.
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A divulgação de relatórios produzidos pela PF a partir do material extraído do telefone de Vorcaro indicou contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O material faz referência a pelo menos seis encontros, a conversas mantidas pouco antes da primeira prisão do ex-banqueiro e ao contrato de cerca de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A PF identificou ainda metadados segundo os quais Moraes teria feito alterações em uma minuta do contrato antes da assinatura.
Parte das mensagens foi atribuída diretamente ao ministro e, em outros trechos, a própria PF registra apenas a suspeita de que ele fosse o interlocutor. Moraes rejeitou as suspeitas levantadas a partir das mensagens e, na sessão do STF de 15 de setembro, sustentou que não existe pedido formal da PF ou da PGR para investigá-lo.
O plenário, porém, não chegou a decidir se o conteúdo dará origem a uma investigação contra o ministro. A sessão terminou com um pedido de vista de Flávio Dino enquanto os magistrados discutiam se o procedimento relacionado a Moraes deveria tramitar com o processo envolvendo André Mendonça. O mérito não foi examinado.
Outro personagem ligado ao caso pelas mensagens foi o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Na sessão do STF, Gonet afirmou que encontrou Vorcaro apenas uma vez, em Londres, e classificou o contato como “brevíssimo e banal”. Ele rejeitou a existência de relação de proximidade com o fundador do Master e contestou a forma como o relatório policial foi produzido.
Dias depois, uma fotografia encontrada no material apreendido pela PF mostra Gonet e Vorcaro durante um encontro em Londres, em abril de 2024. Na imagem, os dois aparecem em uma mesa durante uma confraternização com charutos e uísque. A PGR confirmou a autenticidade do registro.
A Procuradoria sustenta que a fotografia retrata justamente o encontro que Gonet já havia admitido, realizado na presença de outras pessoas, e afirma que a imagem não demonstra relação de proximidade entre os dois. Segundo a PGR, naquela época ainda não havia investigação sobre o Banco Master.
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Siga o Times | CNBCEm meio aos desdobramentos, a tentativa do próprio Vorcaro de negociar uma colaboração premiada continua sem acordo.
Tentativas anteriores foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela PGR. Os investigadores consideraram que as propostas apresentadas não traziam elementos inéditos e suficientemente corroborados.
A defesa voltou a sinalizar interesse em uma colaboração após a troca da equipe de advogados. Em depoimento à PF no fim de agosto, Vorcaro voltou a indicar disposição para falar.
Além disso, em 27 de agosto, a pedido do advogado Daniel Bialski, Vorcaro foi ouvido na Papudinha por um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça, sem a presença da equipe da PF responsável pela investigação. Na oitiva, Vorcaro relatou supostas intimidações de policiais e falou sobre a frustrada tentativa de colaboração.
O episódio provocou divergências dentro da própria defesa e irritação na PGR. Outros advogados do ex-banqueiro disseram não ter participado da iniciativa. Bialski sustentou que apenas atendeu a um pedido do cliente.
A defesa passou então a aguardar uma definição do STF antes de decidir como formular uma eventual nova proposta de colaboração.
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O primeiro movimento está nas mãos de Edson Fachin, que terá de analisar o novo pedido para revogar a prisão preventiva. Se a solicitação for rejeitada, a defesa já sinalizou que buscará levar a discussão ao plenário.
Outra definição depende de Flávio Dino, que pediu vista do julgamento realizado em 15 de setembro. Enquanto o processo não voltar ao plenário, permanece sem resposta a discussão sobre a reunião dos procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça e, principalmente, o exame do mérito das questões levantadas pelo relatório da PF.
Vorcaro também tem um novo encontro marcado com os investigadores. A PF intimou ele e o pai, Henrique Vorcaro, para depor em 30 de setembro no inquérito que apura o suposto uso de uma estrutura privada para intimidação e invasão de sistemas. Segundo a investigação, os depoimentos devem encerrar a atual etapa de diligências dessa frente.
No STF, ao mesmo tempo, segue aberta a disputa sobre quem conduzirá partes do caso e o que será feito com o material encontrado no celular que colocou o fundador do Master no centro de uma das maiores tensões internas recentes da Corte.
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