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Anthropic superou a OpenAI no bolso das empresas americanas; a diferença está nas faturas; veja
Publicado 15/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 26 minutos
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Publicado 15/05/2026 • 08:00 | Atualizado há 26 minutos
KEY POINTS
Arte AI-451 - Midjourney
Pela primeira vez, mais empresas americanas pagam pelo Claude do que pelo ChatGPT, segundo dados de cartões corporativos de 50 mil negócios nos EUA.
Existe uma distinção importante entre o que as pessoas acham que está acontecendo no mercado de inteligência artificial e o que realmente acontece. Uma das melhores formas de tirar a prova pode ser olhar para o quê os cartões corporativos das empresas americanas registram mês a mês.
No mundo do consumidor, do podcast de tecnologia, da grande reportagem dominical, a OpenAI ainda é a empresa e o ChatGPT ainda é o atalho mental para qualquer coisa que envolva IA, enquanto Sam Altman ainda é o rosto de capa.
Mas entre janeiro e abril deste ano, em meio às bobagens que Sam Altman anunciava enquanto essa percepção pública seguia seu caminho, outra história acontecia nos sistemas de faturamento de dezenas de milhares de empresas nos Estados Unidos, elas começaram trocar o ChatGPT, da OpenAI, pelo Claude, da Anthropic.
Pela primeira vez desde que essa corrida começou, a fatura chegou com um nome diferente na frente.
O dado veio publicado na terça-feira (13) pelo Ramp AI Index, mostra mais que a fotografia do momento, mas o filme dos últimos meses, refletindo a conduta pública de cada uma dessas empresas.
🔍 O que é o Ramp AI Index: A Ramp é uma empresa americana de gestão financeira corporativa, cartões de crédito e automação de pagamentos usada por mais de 50 mil empresas nos Estados Unidos. Todo mês, os economistas da Ramp analisam os dados reais de transações dessas empresas, incluindo pagamentos de cartão e faturas, e mapeiam quais ferramentas de IA estão sendo contratadas, por quem e em que volume. Não é pesquisa de intenção nem enquete de satisfação. É o dinheiro que saiu da conta.
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Em abril, a adoção da Anthropic subiu 3,8 pontos percentuais, chegando a 34,4% das empresas na base da Ramp. A da OpenAI caiu 2,9 pontos, para 32,3%. A adoção geral de IA entre empresas chegou a 50,6%, o que significa que, pela primeira vez, mais da metade dos negócios na amostra paga por algum produto de inteligência artificial.
O número que impressiona mais, porém, não é o de abril, é o acumulado. Como eu disse mais acima, é o filme que importa, não a foto.
Em abril de 2025, a Anthropic respondia por menos de 8% da adoção corporativa na base da Ramp, enquanto a OpenAI estava perto de 32%. Em doze meses, a Anthropic quadruplicou sua presença. A OpenAI cresceu 0,3%.
A Anthropic não ganhou esse terreno fazendo o que a OpenAI sempre fez bem, produto bonito, lançamento espetacular e executivo carismático.
Dario Amodei dá entrevistas longas e densas sobre risco existencial (é bem verdade que ele se acha o salvador do planeta). A empresa raramente organiza eventos e mesmo assim, o motor silencioso dessa virada foi um único produto: o Claude Code, a ferramenta de programação com agentes de IA que se tornou o produto de crescimento mais rápido da história da empresa, e que expandiu sua presença de times técnicos para setores de finanças, direito e pesquisa corporativa.
Entre empresas com capital de risco, a Anthropic já lidera com 66% de adoção contra 59% da OpenAI. Também está na frente nos três setores de maior adoção geral: informação, finanças e serviços profissionais. O que os primeiros adotantes fazem hoje, como o economista da Ramp observou em relatório anterior, o mercado mais amplo tende a replicar alguns meses depois.
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Dentro da OpenAI, esse movimento não passou despercebido, em março, Fidji Simo, executiva responsável pela área de aplicações da empresa, reuniu a equipe e usou a expressão "code red" para descrever a situação no mercado corporativo.
Disse que a empresa não podia perder esse momento por estar distraída com projetos paralelos, numa referência a iniciativas como navegador próprio, modo adulto e recursos de compras no ChatGPT, que consumiam atenção e capacidade computacional enquanto a Anthropic avançava no segmento que gera receita mais consistente.
A OpenAI respondeu que segue gerando mais receita que a Anthropic no total do ano e que seus maiores contratos corporativos não passam por cartão de crédito, que é exatamente a metodologia da Ramp. O argumento tem mérito, mas também revela o incômodo de uma empresa que precisou encontrar uma justificativa técnica para relativizar um número que, até pouco tempo atrás, nunca precisaria questionar.
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O próprio economista da Ramp que publicou os dados foi cuidadoso ao celebrá-los.
Ara Kharazian listou três riscos concretos para a Anthropic: o modelo de precificação por tokens, que incentiva a empresa a empurrar modelos mais caros mesmo quando alternativas mais baratas seriam suficientes; problemas recentes de instabilidade e limites de uso no Claude; e uma atualização de modelo que triplicaria o custo de qualquer prompt que inclua uma imagem.
Os custos de migração entre ferramentas são baixos. Empresas conseguem mover cargas de trabalho rapidamente quando preço ou qualidade mudam. E fornecedores baseados em modelos de código aberto estavam entre os que mais cresceram no mês anterior, oferecendo IA suficientemente boa por uma fração do preço.
A liderança existe e o gráfico é real, mas no setor onde os dados do mês passado já envelheceram, a pergunta relevante não é quem está na frente hoje.
A tinta do gráfico da Ramp ainda estava fresca quando chegou a notícia que coloca tudo em perspectiva. Li na newsletter Notepad, de Tom Warren, que a Microsoft, uma das empresas que mais contribuiu para o salto da Anthropic no mercado corporativo americano, está se preparando para cancelar a maior parte de suas licenças do Claude Code e empurrar seus engenheiros de volta para o GitHub Copilot CLI, ferramenta da própria casa.
A decisão afeta a divisão Experiences + Devices, o time responsável por Windows, Microsoft 365, Outlook, Teams e Surface. O prazo é 30 de junho, último dia do ano fiscal da Microsoft. Não é coincidência, cancelar licenças caras às vésperas do início de um novo ano fiscal é um movimento contábil tão antigo quanto o próprio capitalismo.
O que torna essa história interessante, porém, não é o corte de gastos. É o que ele revela sobre o que aconteceu nos últimos seis meses dentro da Microsoft. A empresa havia aberto o Claude Code para milhares de funcionários em dezembro, incluindo designers e gerentes de projeto sem nenhuma experiência com código, como um experimento de democratização do desenvolvimento. O experimento funcionou. Funcionou bem demais. Os engenheiros preferiram o Claude Code ao Copilot CLI com uma consistência que começou a incomodar, porque o Copilot CLI é um produto da própria Microsoft, desenvolvido pelo GitHub, e ver seus funcionários escolhendo a ferramenta do concorrente todos os dias não é exatamente a mensagem que a empresa quer enviar ao mercado.
Para a Anthropic, a notícia tem dois lados. O Claude continua acessível dentro do Copilot CLI e segue sendo o modelo preferido em várias funções dentro do Microsoft 365. O acordo comercial com a Microsoft permanece intacto. Mas perder a visibilidade diária que o Claude Code tinha entre os engenheiros da maior empresa de software do mundo não é um número que aparece em nenhum gráfico da Ramp.
A liderança conquistada em abril pode ser real. Mas o mercado de IA é o único lugar onde o topo do ranking precisa ser reconquistado todo mês.
Leia as outras colunas de AI-451.
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