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Google fez com o mouse o que ninguém ousou em 58 anos, e ainda trouxe mais novidades
Publicado 19/05/2026 • 11:55 | Atualizado há 1 minuto
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Publicado 19/05/2026 • 11:55 | Atualizado há 1 minuto
KEY POINTS
Midjourney
Em 9 de dezembro de 1968, num auditório lotado em São Francisco, um engenheiro chamado Douglas Engelbart ficou de pé diante de uma câmera e passou noventa minutos mostrando ao mundo uma coisa que o mundo ainda não tinha nome para chamar: uma tela que respondia a um objeto de madeira com rodinha que você deslizava sobre a mesa. Era o mouse, com o ponteiro se movimentanto na tela e era, naquele momento, a ideia mais estranha e mais óbvia que qualquer pessoa na plateia havia visto, e a demonstração ficaria conhecida para sempre como "A Mãe de Todas as Demonstrações".
Cinquenta e oito anos se passaram. A bolinha virou sensor óptico, o cabo sumiu, o scroll apareceu, os gamers ganharam botões extras e DPI ajustável. Mas o ponteiro em si, aquela setinha branca que você aponta para as coisas, permaneceu exatamente o que era: um dedo digital sem opinião própria, esperando que você decidisse o que fazer.
Na segunda-feira (12), o Google decidiu que essa era acabou.
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No Android Show, evento-surpresa que o Google organizou como abertura do Google I/O da última semana, a empresa apresentou o que chamou de Magic Pointer: um mouse com o modelo Gemini integrado ao ponteiro, capaz de entender o contexto visual e semântico de tudo que está ao redor dele na tela. Não é mais um dedo digital. É um dedo digital que lê, interpreta e age.
We’re reimagining a 50-year-old interface - the mouse pointer - with AI. 🖱️
— Google DeepMind (@GoogleDeepMind) May 12, 2026
These experimental demos show how people can intuitively direct Gemini on their screens using motion, speech, and natural shorthand to get things done 🧵 pic.twitter.com/p6fhgNcopz
No modelo atual, se você está olhando para a imagem de um prédio numa página qualquer e quer saber como chegar lá, precisa copiar o endereço, abrir outra aba, colar no Maps, clicar em rotas. São cinco ou seis ações para uma intenção que você teve num segundo. Com o Magic Pointer, a lógica se inverte e você aponta o cursor para o prédio, fala em voz alta "me mostre o melhor caminho até lá", e o sistema entende o objeto apontado, o contexto da tela e a instrução de voz ao mesmo tempo.
O Google organizou a nova lógica de interação em quatro princípios: O primeiro é não interromper o fluxo e a IA estar disponível em qualquer app, aba ou ambiente, sem forçar o usuário a mudar de contexto. O segundo é a combinação de mostrar e contar, já que não são necessários prompts longos e descritivos porque o ponteiro entende o que está apontado. O terceiro é o que eles chamaram de "Isso e Aquilo": conversas humanas são objetivas, do tipo "faça isso" ou "conserte aquilo", e o sistema foi treinado para entender esse modo abreviado. O quarto é transformar pixel em ação, o que significa que o ponteiro reconhece entidades estruturadas como lugares, datas e objetos nos pontos onde pousa.
É uma reimaginação da interface, muito além de um aplicativo novo.
A apresentação do Magic Pointer ainda estava quente quando um desenvolvedor publicou no X que havia feito engenharia reversa do mouse com IA do Google e lançado uma versão open-source. No mesmo dia. Horas depois do anúncio.
A versão reconstruída vê a tela, permite que o usuário pinte livremente sobre qualquer área para indicar o que quer modificar, entende a janela ou o aplicativo em foco, clica, digita, navega e escreve código. "Um ponteiro minúsculo se tornando um agente de uso real do computador", escreveu o desenvolvedor. Ele se desculpou com o Google DeepMind pela pressa, mas deixou claro que não tinha intenção de parar.
Esse episódio diz algo sobre o momento. Não é só que a IA avança rápido. É que a distância entre "o Google apresentou" e "qualquer pessoa pode usar uma versão alternativa" é agora medida em horas. A vantagem competitiva de uma ideia dura o tempo de uma tarde.
O mouse com Gemini foi o detalhe mais preciso do Android Show, mas não foi o único anúncio. O Google também apresentou os Googlebooks, laptops AI-native desenvolvidos com Dell, HP, Lenovo, Acer e Asus, que rodam apps Android, fundem o ChromeOS com o ecossistema Google e têm o Gemini integrado em toda a experiência.
O problema, como apontou o The Verge logo depois do evento, é que o Google não explicou o que um Googlebook faz que um Chromebook já não fazia, nem forneceu especificações de chips, faixa de preço ou posicionamento claro de produto. ChromeOS já tinha compatibilidade com apps Android há uma década. Os Googlebooks parecem uma evolução, não uma ruptura, e chegam num momento em que o MacBook Neo está derrubando concorrentes na faixa de 600 dólares com performance que nenhum laptop baseado em Android consegue igualar hoje.
O mouse com Gemini convence. O laptop que o acompanha ainda precisa de uma resposta melhor.
Além do mouse e dos Googlebooks, o Android Show trouxe o Android 17 com um conjunto de recursos agrupados sob o nome Gemini Intelligence: automação de tarefas em múltiplos passos dentro de apps de delivery e transporte, um autofill que usa informações de apps conectados para preencher formulários complexos, e o Rambler, ferramenta de transcrição em tempo real que elimina cacoetes de fala, corta repetições e troca de idioma dentro da mesma mensagem sem perder o contexto.
Tem também o Create My Widget, que constrói widgets personalizados para a tela inicial a partir de descrições em linguagem natural. Um ciclista que quer saber só vento e chuva pede exatamente isso, e o Gemini monta. Um cozinheiro que quer sugestões semanais de receitas com proteína descreve, e o widget aparece.
A Gemini Intelligence não é um aplicativo. É uma camada que atravessa celular, relógio, carro, óculos e laptop, com a promessa de que a IA estará disponível onde o usuário estiver, sem que ele precise ir até ela. É o oposto do que as ferramentas de IA fizeram até agora, que era forçar o usuário a entrar numa janela específica e deixar o mundo lá fora.
Douglas Engelbart resolveu o problema de como o humano aponta para a máquina. O Google, na segunda-feira (12), decidiu que era hora de a máquina aprender a apontar de volta.
Leia outras colunas em AI-451.
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