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Checkup preventivo: o investimento que os executivos mais negligenciam – e que pode custar caro
Publicado 29/04/2026 • 08:50 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 29/04/2026 • 08:50 | Atualizado há 3 horas
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Mas existe um ativo que raramente entra na planilha – e que, quando falha, paralisa tudo: o próprio corpo
Para quem gerencia riscos corporativos com precisão, ignorar a própria saúde é a maior contradição. O checkup preventivo é a ferramenta mais eficaz – e subutilizada – da medicina moderna.
No ambiente corporativo, especialmente no setor financeiro, a gestão de riscos não é apenas uma prática — é um princípio. Decisões são tomadas com base em dados, projeções e cenários cuidadosamente analisados. Quem trabalha em centros financeiros sabe calcular risco. Analisa cenários, antecipa ameaças, diversifica portfólio. Mas existe um ativo que raramente entra na planilha – e que, quando falha, paralisa tudo: o próprio corpo.
Dados do IBGE revelam que 70,6% dos brasileiros não fazem checkup regularmente. Entre executivos, o perfil é paradoxal: alta capacidade de decisão, baixíssima adesão à medicina preventiva. O argumento mais comum é falta de tempo. O resultado mais comum é diagnóstico tardio.
A medicina deu uma virada estrutural nas últimas décadas. Saiu do modelo reativo – tratar o que já adoeceu – para o modelo preditivo: identificar o risco antes que ele vire doença. Para o executivo acostumado com gestão de riscos, a lógica é a mesma: intervir cedo custa menos e resolve mais.
O impacto é mensurável. Cânceres de mama e colorretal detectados precocemente têm mais de 90% de chances de cura. Doenças cardiovasculares – a principal causa de morte no Brasil – têm seu risco de infarto e AVC reduzido em até 80% com acompanhamento regular. Mais de 330 mil mortes prematuras na faixa de 30 a 69 anos poderiam ter sido evitadas apenas em 2024, segundo o Datasus.
São números que não cabem em nenhuma política de benefícios corporativos. Porque o custo da omissão é pago em outra moeda.
Leia também: Seu cérebro virou refém do digital? O alerta para líderes 40+ que ninguém está ouvindo
A resposta para "quando devo começar?" é simples: AGORA. Adultos saudáveis entre 18 e 40 anos já deveriam realizar checkup anual com exames básicos – hemograma, glicemia, colesterol, triglicerídeos, função renal e hepática. São marcadores silenciosos de condições que, sem rastreamento, evoluem por anos sem sintoma algum.
A partir dos 40 anos, o protocolo se expande. A avaliação cardiológica ganha reforços: eletrocardiograma e teste ergométrico passam a ser recomendados, especialmente para quem mantém rotina de alta pressão ou pretende intensificar atividade física. Hipertensão e diabetes figuram entre as condições mais subdiagnosticadas nessa faixa etária justamente porque não doem – até que é tarde.
Após os 50, o olhar se volta também para o rastreamento oncológico: colonoscopia para câncer colorretal, PSA para próstata, densitometria óssea. Cada exame com sua lógica, cada resultado com sua janela de intervenção.
Existe uma diferença relevante entre os dois. O checkup básico cobre os marcadores essenciais e é indicado anualmente para qualquer adulto. O checkup ampliado – também chamado executivo em algumas instituições – incorpora avaliações cardiológicas, exames de imagem, rastreamento oncológico e, em alguns casos, análise genética de predisposições. A indicação do escopo ideal depende da idade, histórico familiar e estilo de vida.
O que não existe é o checkup desnecessário. Diagnóstico precoce é sempre uma vantagem competitiva do ponto de vista biológico. Toda alteração identificada antes do surgimento de sintomas amplia o leque de possibilidades terapêuticas, reduz a complexidade das intervenções e, frequentemente, evita desfechos graves. Em termos empresariais: menor custo, menor risco, maior previsibilidade.
Existe um fenômeno bem documentado na clínica: o excesso de confiança em quem se sente bem. Executivos com boa forma física, alimentação razoável e sono mediano tendem a adiar o checkup porque "não sentem nada". Mas hipertensão, dislipidemia, pré-diabetes e tumores iniciais são assintomáticos por definição. A ausência de sintoma não é ausência de doença – é ausência de diagnóstico.
Paralelamente, o estresse crônico – frequentemente naturalizado em ambientes de alta performance – atua como um catalisador de múltiplos processos patológicos. Irritabilidade persistente, fadiga não explicada, alterações no sono, lapsos de memória, redução de performance cognitiva e até mudanças sutis no humor são sinais que não devem ser ignorados. Não são apenas “efeitos colaterais da rotina”, são indicadores de sobrecarga fisiológica.
O corpo não falha de forma abrupta sem antes emitir sinais – o problema é que, no contexto executivo, esses sinais costumam ser racionalizados, minimizados ou adiados. Se uma empresa operasse com dados financeiros desatualizados, decisões estratégicas seriam comprometidas e riscos aumentariam exponencialmente. No entanto, é exatamente isso que ocorre quando um indivíduo conduz a própria saúde sem informações (check-ups) atualizadas.
O check-up não deve ser encarado como um evento pontual, mas como uma ferramenta contínua de monitoramento – um painel de controle biológico que permite ajustes antes que desvios se tornem crises.
No fim, a lógica é simples e inquestionável: aquilo que pode ser medido pode ser gerenciado – e aquilo que é gerenciado tende a gerar melhores resultados. Inclusive na saúde.
Dra. Julianne Pessequillo - CRM 160.834 | RQE 71.895 - Geriatra e clínica geral especializada em Longevidade Saudável - Membro da Brazil Health
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