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Como a FIDI transformou tecnologia em escala no SUS e virou um dos motores silenciosos da saúde no Brasil
Publicado 13/04/2026 • 12:30 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 13/04/2026 • 12:30 | Atualizado há 1 mês
Divulgação
Em silêncio, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), uma operação vem redesenhando a forma como o diagnóstico por imagem é produzido em escala
Com mais de 5 milhões de exames de imagens por ano e uso intensivo de inteligência artificial, fundação combina eficiência operacional, impacto social e ambição de expansão nacional
A transformação digital da saúde no Brasil não está acontecendo apenas dentro de startups ou hospitais privados de elite. Em silêncio, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), uma operação vem redesenhando a forma como o diagnóstico por imagem é produzido em escala – e com impacto econômico mensurável.
Criada há 40 anos por profissionais ligados à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) como uma entidade científica voltada à pesquisa, a FIDI passou por uma inflexão decisiva em 2003, quando iniciou sua atuação em diagnóstico por imagem. Desde então, evoluiu para uma estrutura que hoje opera como uma verdadeira plataforma de produção diagnóstica no país.
Com 118 unidades espalhadas pelo Brasil, cerca de 2.100 colaboradores diretos e mais de 500 médicos, a instituição emite aproximadamente 15 mil laudos por dia, fechou o ano de 2025 com faturamento na casa de R$ 450 milhões, com projeção de alcançar R$ 500 milhões em 2026. Cerca de 90% da operação está concentrada no SUS, o que reforça o papel da organização dentro da infraestrutura pública de saúde.
“Quando você opera milhões de exames por ano, deixa de pensar em tecnologia como apoio e ela passa a ser core”, afirma Simone Vicente, CEO da FIDI.
Essa escala exige uma arquitetura tecnológica robusta, baseada em processamento em nuvem, padronização de protocolos e integração de dados. Na prática, trata-se de uma industrialização do diagnóstico, em que eficiência, velocidade e qualidade precisam coexistir sob alta demanda.
Apesar da sofisticação tecnológica, Simone é direta ao apontar que o maior desafio do sistema de saúde brasileiro não está na falta de especialistas ou de equipamentos.
“O maior gargalo é a atenção primária, em primeiro lugar disparado. Muitos pacientes poderiam ser tratados logo no início, evitando um gasto enorme ao longo da jornada”, afirma.
A leitura reforça uma visão cada vez mais presente entre gestores: o problema não está apenas na capacidade instalada, mas na organização do fluxo assistencial. Nesse contexto, a tecnologia surge não apenas como ferramenta de eficiência, mas como mecanismo de racionalização do sistema.
A FIDI começou a trabalhar com inteligência artificial em 2017, antes da popularização do tema no setor. À época, a tecnologia já era utilizada para apoiar a leitura de radiografias, com análise de cerca de 75 parâmetros por exame. O impacto foi imediato: redução de exames desnecessários, ganho de produtividade médica e diminuição do tempo de permanência dos pacientes nas unidades de saúde. Hoje, a IA avançou para diferentes camadas da operação, incluindo o atendimento ao paciente e o backoffice.
“A IA gera custos de implantação e manutenção, mas reduz custos na operação. A complexidade aumenta nos bastidores. Quanto mais simples para o paciente, mais complexo é o sistema”, explica Simone. Em alguns casos, o ganho vai além da eficiência operacional e toca diretamente a experiência do usuário. “Tem IA fazendo mais atendimento humanizado do que muito atendente humano”, afirma a executiva.
A escala operacional da FIDI gera um volume massivo de dados, ainda pouco explorado no Brasil. Para Simone, esse é um dos principais desafios estruturais do país.
“O Brasil gera um volume enorme de dados, mas ainda com estruturas isoladas, em silos. Isso impede que essas informações sejam utilizadas em sua melhor versão”, diz.
Mesmo com essas limitações, a fundação desenvolveu um modelo capaz de mensurar seu impacto econômico e social. Em 2025, para cada R$ 1 usufruído em imunidade tributária, a FIDI gerou R$ 12,03 em retorno para a sociedade, considerando ganhos diretos e indiretos, como diagnóstico precoce, redução de morbidade e eficiência sistêmica.
O resultado coloca a organização em uma posição incomum no setor: a de uma operação que combina escala industrial, tecnologia intensiva e impacto social mensurável.
Para Simone, a evolução da saúde no Brasil passa inevitavelmente por uma maior integração entre setor público e iniciativa privada.
“O SUS é público para o paciente, mas vive de diversas parcerias. Quem ainda não está preparado para a IA precisa buscar parceiros”, afirma.
Essa visão se conecta com o plano de expansão da FIDI. Segundo Alan Ramos, gerente de expansão da instituição, a organização pretende ampliar sua presença geográfica e fortalecer parcerias com hospitais, governos e instituições privadas nos próximos anos.
“Temos um plano claro de crescimento. Queremos expandir para novos estados e ampliar nossa atuação com parceiros que precisam de uma operação sólida e confiável”, diz.
À frente dessa operação está uma executiva com formação fora do eixo clássico da saúde. Formada em jornalismo, Simone Vicente construiu sua trajetória dentro da própria FIDI, passando por áreas como projetos, qualidade, gestão de pessoas e operação até assumir o cargo de CEO. Segundo ela, a formação ajudou a desenvolver uma visão integrada da organização. “O jornalismo me trouxe capacidade de escuta e síntese, além de uma visão do todo. Na saúde, é preciso eficiência, mas sem perder o foco em vidas”, afirma.
Com um sistema universal, grande volume de pacientes e crescente adoção de tecnologia, o Brasil reúne condições para se tornar referência global em diagnóstico digital, na avaliação da executiva. “Temos vantagens únicas, mas ainda precisamos evoluir em estratégias unificadas e desenvolvimento tecnológico em escala”, diz.
Se essa transformação avançar, o país pode não apenas melhorar sua eficiência interna, mas também exportar um modelo baseado na combinação de tecnologia, escala e acesso.
Enquanto isso, operações como a da FIDI seguem operando longe dos holofotes, mas cada vez mais no centro de uma discussão essencial: como tornar a saúde mais eficiente, acessível e sustentável em um sistema de dimensões continentais.
Alexandre Hercules é editor-chefe da Brazil Health.
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