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Gestão hospitalar: o que está drenando dinheiro e como virar o jogo

Publicado 05/08/2026 • 14:37 | Atualizado há 1 hora

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Tássia Morgana Bernardo mostra como integrar processos e tecnologia para cortar desperdícios, reduzir falhas e manter a qualidade do atendimento, mesmo com a pressão por custos mais baixos

A gestão de custos tornou-se um dos principais desafios no setor hospitalar, que precisa equilibrar sustentabilidade financeira e qualidade assistencial. Na saúde suplementar, um estudo encomendado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), feito pela EY e publicado em 2023, estimou que as perdas combinadas com fraudes, abusos e desperdícios ficaram entre R$ 30 bilhões e R$ 34 bilhões em 2022, equivalentes a aproximadamente 11,1% a 12,7% das receitas das operadoras.

Diante desse cenário, integrar processos clínicos, administrativos e financeiros tem se tornado fundamental para aumentar a eficiência e otimizar a operação hospitalar. A adoção de tecnologias capazes de automatizar atividades, reduzir falhas operacionais e ampliar a governança de dados permite maior controle sobre custos sem comprometer a qualidade do atendimento.

Desafios para a redução de custos

Um dos fatores que pressionam os custos hospitalares é a falta de padronização dos processos clínicos e administrativos, que pode aumentar desperdícios, comprometer o giro de leitos e afetar o fluxo de caixa das instituições.

Outro indicador relevante é a sinistralidade. Segundo a ANS, o índice das operadoras de planos de assistência médica foi de 81,7% em 2025 e ficou em 81,0% no primeiro trimestre de 2026. Embora seja um indicador das operadoras, essa pressão repercute em toda a cadeia, aumentando o rigor sobre autorizações, auditorias, negociações contratuais e contas apresentadas pelos hospitais.

Integração tecnológica como aplicação inteligente

Os investimentos em tecnologia tornaram-se uma necessidade operacional, pois apresentam soluções que automatizam processos, eliminam retrabalhos e reduzem atividades manuais, contribuindo para maior produtividade e melhor utilização dos recursos.

Nesse cenário, o ERP hospitalar exerce um papel relevante ao integrar áreas de glosas e processamento de autorizações, com informações consolidadas em um único ambiente, fazendo com que a tomada de decisão seja mais ágil e baseada em dados confiáveis.

Além disso, o Padrão TISS e iniciativas de interoperabilidade, como a Rede Nacional de Dados em Saúde, ampliam as possibilidades de troca estruturada de informações. Seus resultados, contudo, dependem da adesão das instituições, da qualidade dos dados e da integração efetiva entre os sistemas.

Estratégias para a gestão financeira sustentável

Construir uma gestão hospitalar eficiente exige uma visão integrada dos processos assistenciais e administrativos. A digitalização acelerada do setor reforça a importância de plataformas capazes de conectar informações, proporcionando maior controle sobre toda a jornada do beneficiário. Padrões de interoperabilidade desenvolvidos pela HL7, como o FHIR, permitem estruturar e trocar informações clínicas e assistenciais entre diferentes sistemas, conectando dados sobre pacientes, procedimentos, diagnósticos e faturamento.

O avanço de tecnologias como a inteligência artificial, combinado ao uso de ERPs hospitalares integrados e à interoperabilidade entre sistemas, pode ampliar a eficiência dos processos, apoiar a identificação de desperdícios e fornecer informações mais qualificadas para a tomada de decisão. Quando essas tecnologias são implementadas com processos bem definidos, dados confiáveis e equipes preparadas, contribuem para a sustentabilidade financeira, a qualidade do cuidado e a relação entre hospitais e operadoras.

Tássia Morgana Bernardo é Product Manager da Benner Tecnologia

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