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Sua saúde, seu sucesso Brazil Health

O verdadeiro colapso na saúde não é falta de médicos, é falta de tempo 

Publicado 22/09/2026 • 09:30 | Atualizado há 1 dia

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Brazil Health

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Durante muito tempo, acreditamos que o principal desafio da saúde seria formar mais médicos. A discussão girava em torno da abertura de vagas nas universidades, da distribuição de profissionais pelo país e da capacidade do sistema de atender uma população cada vez maior. 

O tempo do médico está sumindo em tarefas que não cuidam de ninguém 

Esses fatores continuam sendo relevantes. Mas, olhando para o cenário atual, fica evidente que existe um problema ainda menos visível e talvez mais urgente. 

A questão já não é apenas quantos médicos teremos. É quanto do tempo desses profissionais continuará sendo consumido por atividades que pouco têm relação com o cuidado. 

Nos últimos anos, a saúde incorporou novas tecnologias, ampliou sua capacidade diagnóstica e passou a produzir um volume sem precedentes de informações. Ao mesmo tempo, cresceu também a carga administrativa. Documentação, registros, autorizações, validações, sistemas que não se comunicam e inúmeras tarefas burocráticas passaram a disputar espaço com aquilo que deveria ser a atividade central do médico: cuidar de pessoas. 

Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Dados divulgados pela American Medical Association (AMA), com base em informações coletadas ao longo de 2024 junto a quase 18 mil médicos norte-americanos, mostram que, além do atendimento direto aos pacientes, os profissionais dedicam, em média, 13 horas semanais a atividades indiretas, como registros clínicos, interpretação de exames e encaminhamentos, além de 7,3 horas exclusivamente a tarefas administrativas. Mais de um quinto dos médicos relatou ainda gastar mais de oito horas por semana, fora do horário regular de trabalho, utilizando prontuários eletrônicos.

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Produtividade na saúde não é atender mais, é remover obstáculos 

Não se trata apenas de uma questão de conforto profissional. Trata-se de capacidade produtiva. Quando um médico dedica parte significativa da sua jornada a processos administrativos, todo o sistema perde eficiência. Aumentam os tempos de espera, cresce a pressão sobre as equipes e diminui a capacidade de ampliar o acesso da população aos serviços de saúde. 

Ao mesmo tempo, a demanda continua aumentando. Um estudo publicado pela McKinsey, em 2024, estima que os Estados Unidos poderão enfrentar um déficit de até 86 mil médicos até 2036, impulsionado pelo envelhecimento da população e pela crescente demanda por cuidados. Mais do que formar novos profissionais, será necessário criar condições para que eles utilizem melhor o tempo disponível. 

Esse talvez seja o maior equívoco das discussões atuais sobre produtividade na saúde. Durante muito tempo, associamos produtividade ao aumento do número de consultas ou à redução de custos. Mas produtividade, nesse contexto, significa outra coisa: remover obstáculos que impedem o profissional de exercer plenamente sua atividade. 

Tecnologia só ajuda quando muda o processo, não apenas a ferramenta 

É nesse ponto que a tecnologia passa a assumir um papel estratégico. Nos últimos meses, a inteligência artificial tem demonstrado um enorme potencial para automatizar documentação clínica, organizar informações, reduzir tarefas repetitivas e apoiar processos administrativos complexos. Um estudo publicado em 2025 no periódico Arthroscopy: The Journal of Arthroscopic & Related Surgery destaca que soluções baseadas em IA podem reduzir a carga administrativa, otimizar processos como faturamento e credenciamento e contribuir para ganhos significativos de produtividade nos sistemas de saúde. 

Mas existe uma diferença importante entre automatizar tarefas e transformar a operação. Tecnologia, sozinha, não devolve tempo ao médico. O ganho acontece quando ela está inserida em processos bem estruturados, integrando informações, eliminando retrabalho e permitindo que atividades administrativas aconteçam quase de forma invisível para quem está na assistência. 

Esse talvez seja o próximo grande movimento da saúde. Não veremos apenas hospitais mais digitais. Veremos organizações desenhadas para que seus profissionais possam dedicar mais tempo àquilo que realmente gera valor: a relação com o paciente, a tomada de decisão clínica e a qualidade do cuidado. 

A escassez que desafia o setor não será resolvida exclusivamente pela formação de novos profissionais. Ela dependerá, cada vez mais, da capacidade de tornar o trabalho dos médicos mais inteligente, mais integrado e menos burocrático. 

Porque, no fim das contas, produtividade na saúde não significa fazer o médico trabalhar mais. Significa permitir que ele volte a fazer, predominantemente, aquilo para o qual foi formado. 

Roberto Chilvarguer 

CEO da MedSimples

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