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Segurança do paciente ganha protagonismo na odontologia à medida que setor amplia escala e complexidade
Publicado 22/06/2026 • 14:58 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 22/06/2026 • 14:58 | Atualizado há 3 horas
Foto: Freepik
A consolidação da saúde bucal como porta de entrada do sistema de saúde aumenta a pressão por processos padronizados, rastreabilidade e governança clínica em consultórios e clínicas odontológicas
O Brasil vive um movimento sem precedentes de expansão do acesso à saúde bucal, em que 68% dos brasileiros visitaram um dentista em 2024, de acordo com dados do Censo da Odontologia. O setor privado lidera esse movimento, respondendo por 74% dos atendimentos, enquanto a saúde suplementar acompanha esse salto: os planos odontológicos avançaram 60% na última década e já somam 35 milhões de beneficiários.
Esse aumento exponencial evidencia uma assimetria, na qual a governança assistencial deve imprimir a mesma velocidade do crescimento do acesso, estabelecendo controles sistêmicos de risco para garantir que a segurança do paciente seja o pilar central de toda a jornada do cuidado.
Historicamente, o rigor da segurança em saúde – traduzido em protocolos, rastreabilidade e certificações de excelência – sempre foi um tema caro na gestão hospitalar. Contudo, o modelo de cuidado contemporâneo é cada vez mais descentralizado, em que diagnósticos e intervenções cirúrgicas ocorrem diariamente fora de ambientes hospitalares. Quando a complexidade do cuidado se expande para as clínicas e consultórios odontológicos, o escudo de proteção do paciente precisa acompanhá-la.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um em cada dez pacientes sofra algum tipo de dano durante o cuidado em saúde – grande parte evitável. O dado desloca o debate para o ponto central: a segurança do paciente não está relacionada apenas à conduta individual, mas à estruturação de processos capazes de reduzir falhas previsíveis em qualquer ambiente assistencial.
O debate ganha relevância diante de casos recentes envolvendo infecções decorrentes de implantes e reações anestésicas graves em consultórios sem equipamentos básicos de emergência. Episódios assim reforçam que, na saúde, não existe procedimento isento de risco.
Na prática odontológica, isso exige medidas pragmáticas: conferência do histórico médico antes da aplicação de anestésicos, protocolos claros de prevenção de infecção, rastreabilidade da esterilização de materiais, checklists obrigatórios antes de procedimentos invasivos e integração das informações clínicas do paciente.
Esse desafio se torna ainda maior em um mercado altamente pulverizado, composto por milhares de clínicas operando em diferentes níveis de maturidade e sem padrões unificados de segurança e governança clínica. Importante ressaltar que há uma evolução desse mercado em direção a uma integração, em que a odontologia deixa de ser uma ilha isolada e passa a se conectar a amplos ecossistemas de cuidado. Isso não diminui a figura essencial do dentista solo – pelo contrário, valoriza a profissão e sua confiabilidade de processos.
À medida que a saúde suplementar incorpora a odontologia à jornada integral do paciente, o setor é estimulado a adotar protocolos de rigor médico. O dentista ganha infraestrutura e o paciente, uma rede de proteção em que o rigor clínico se estende à cadeira odontológica.
Isso porque a odontologia não ocupa um papel periférico na jornada de saúde. Para milhões de brasileiros, ela é uma das principais portas de entrada para o sistema de saúde. Problemas bucais não tratados adequadamente podem estar associados a doenças cardiovasculares, diabetes descompensada, infecções sistêmicas e piora da qualidade de vida. Garantir segurança nesse primeiro nível de atendimento significa proteger toda a cadeia assistencial.
Nesse contexto, acreditações internacionais como a Joint Commission International (JCI) deixam de ser apenas um diferencial reputacional para se tornar um indicador concreto de maturidade operacional e segurança assistencial. O ponto central não é o selo em si, mas o que ele representa: processos padronizados, gestão de risco, governança clínica e cultura contínua de melhoria.
Na hora de escolher uma clínica, o maior critério do paciente não é a estética do ambiente, mas a confiança, que, não raro, era depositada inteiramente na relação interpessoal com o profissional. Hoje, ele valoriza experiência, previsibilidade, transparência e confiança.
A governança em saúde bucal é a garantia invisível de que a segurança não depende apenas de um dia inspirado do profissional e sua equipe, mas de processos preparados para proteger vidas diante de qualquer emergência.
O padrão de qualidade da odontologia não pode ser medido apenas pelo resultado estético do sorriso. Ele é definido pela capacidade de garantir uma camada invisível – porém essencial – de proteção ao paciente.
Em um mercado que registra milhões de novos usuários por ano, isso deixa de ser diferencial. Passa a ser obrigação.
Dr. Ricardo Salem – CRM 99527 SP – RQE 47781 - Médico e diretor de Saúde da Care Plus
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