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Você está sozinho ou só se sente assim? A diferença muda tudo, diz a ciência
Publicado 06/08/2026 • 08:16 | Atualizado há 10 horas
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Publicado 06/08/2026 • 08:16 | Atualizado há 10 horas
Freepik
Estar sozinho e sentir-se sozinho são experiências diferentes. O especialista em Ciência da Felicidade, Gustavo Arns explica quando a solitude favorece o bem-estar e quando a solidão representa um alerta para a saúde.
Nunca tivemos tantos meios para nos conectar uns aos outros. Ainda assim, uma em cada seis pessoas no mundo relata solidão, segundo a Organização Mundial da Saúde. O dado expõe uma contradição. Ter contato disponível não garante vínculo verdadeiro. Estar sozinho e sentir solidão são experiências diferentes.
Quando estar cercado de gente não impede a solidão
A solidão não se mede pelo número de pessoas ao redor. Ela nasce da distância entre os vínculos que desejamos e aqueles que percebemos ter. Alguém pode morar com a família, trabalhar cercado de colegas, conversar o dia inteiro e ainda se sentir só em meio a uma multidão. Há também quem vive só sem sofrer com a solidão. É uma experiência subjetiva, que não depende apenas do que existe ao redor.
A solitude é outro conceito e ocupa outro lugar. Nela, o tempo a sós não representa abandono. Pode ser uma escolha consciente, um espaço para descansar, organizar pensamentos, estimular a criatividade e compreender melhor as próprias emoções. Não é isolamento nem recusa das relações. É a capacidade de permanecer consigo sem preencher cada silêncio com uma tela, uma conversa, uma compra ou a aprovação de outra pessoa.
O impacto na saúde e o papel das telas
Essa distinção importa para a saúde. A solidão persistente está associada a maior risco de depressão, ansiedade, doenças cardiovasculares e morte prematura. O ser humano precisa de vínculos. Relações de qualidade oferecem apoio, afeto, pertencimento e sentido. Também nos ajudam a atravessar perdas e enfrentar períodos difíceis. Além disso, o bem-estar relacional é uma dimensão fundamental da nossa felicidade.
O desconforto com a própria companhia também merece atenção, pois pode ser a raiz de relacionamentos abusivos. Quem não suporta ficar só pode manter relações por medo, depender da validação alheia ou recorrer a estímulos rápidos para encobrir um vazio. A pessoa procura no outro, no consumo ou nas redes sociais uma resposta imediata para o vazio que permanece dentro dela.
A cena é comum. Depois de um dia cansativo, muitas pessoas pegam o celular e passam de um conteúdo a outro. Parece uma pausa, mas a sucessão de estímulos não oferece o descanso de que a mente precisa. Muito pelo contrário: o uso de telas está amplamente associado à fadiga mental. A tecnologia pode aproximar pessoas; acompanhamos a vida de amigos, familiares (e desconhecidos), porém tudo à distância – e isso não substitui presença, intimidade e conversa genuína. Em excesso, as redes sociais acabam por reduzir a disposição para o encontro presencial e, dessa forma, ampliam a sensação de desconexão.
Esse padrão afeta outras dimensões do bem-estar. Para a Ciência da Felicidade, o bem-estar reúne dimensões físicas, emocionais, intelectuais, relacionais e espirituais. Elas não funcionam de forma
isolada. Um comportamento prejudicial costuma puxar outro. Pouco sono, por exemplo, aumenta a impaciência, afeta nossas escolhas alimentares e desgasta as relações. O movimento contrário também existe. Um hábito saudável pode abrir caminho para outros.
Como desenvolver a solitude sem se isolar
A solitude é uma habilidade e, como toda habilidade, pode ser aprendida e desenvolvida, mas exige prática. O começo não precisa ser grandioso. Uma caminhada sem celular, uma refeição em silêncio, alguns minutos de respiração consciente, a leitura de um livro ou um hobby que peça atenção podem mudar a relação com o tempo a sós. Atividade física, sono regular e pausas sem telas também ajudam a recuperar presença.
Aprender a ficar só não significa desistir do outro. As relações continuam essenciais. Um curso, um grupo de interesse, uma conversa sincera ou um trabalho voluntário podem fortalecer vínculos e devolver sentido à rotina. O desafio está em pertencer sem perder o espaço interior.
Há casos em que o convívio existe, mas a sensação de solidão permanece. Essa experiência é real, mesmo na presença de família, amigos e colegas. A terapia pode ajudar a compreender as causas dessa sensação e a reconstruir a relação consigo e com os outros.
Precisamos de vínculos, mas também de intimidade conosco. A solitude não nos afasta do outro. Ela nos ensina a encontrá-lo sem usar sua presença para fugir de nós mesmos. Ficar só pode ser uma pausa saudável. Sentir-se sozinho por tempo prolongado é um pedido de cuidado.
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Gustavo Arns
Especialista em Ciência da Felicidade
Mestre em Estudos da Felicidade pela Centenary University (EUA)
Professor de Psicologia Positiva
Idealizador do Congresso Internacional de Felicidade.
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