CNBC
O que justifica um valuation de mais de US$ 2 trilhões para a SpaceX (5)

CNBCAções da SpaceX passam por teste crucial e investidores experientes apostam que fundo do poço pode ter sido atingido

Sua saúde, seu sucesso Brazil Health

Você está sozinho ou só se sente assim? A diferença muda tudo, diz a ciência

Publicado 06/08/2026 • 08:16 | Atualizado há 10 horas

Foto de Brazil Health

Brazil Health

A Brazil Health é uma agência de notícias especializada em saúde e bem-estar, que tem mais de uma década de atuação. Desenvolve conteúdos exclusivos baseados em ciência e ética, destacando-se pela qualidade e precisão de suas informações.

Sozinho

Freepik

Estar sozinho e sentir-se sozinho são experiências diferentes. O especialista em Ciência da Felicidade, Gustavo Arns explica quando a solitude favorece o bem-estar e quando a solidão representa um alerta para a saúde.


Nunca tivemos tantos meios para nos conectar uns aos outros. Ainda assim, uma em cada seis pessoas no mundo relata solidão, segundo a Organização Mundial da Saúde. O dado expõe uma contradição. Ter contato disponível não garante vínculo verdadeiro. Estar sozinho e sentir solidão são experiências diferentes.

Quando estar cercado de gente não impede a solidão

A solidão não se mede pelo número de pessoas ao redor. Ela nasce da distância entre os vínculos que desejamos e aqueles que percebemos ter. Alguém pode morar com a família, trabalhar cercado de colegas, conversar o dia inteiro e ainda se sentir só em meio a uma multidão. Há também quem vive só sem sofrer com a solidão. É uma experiência subjetiva, que não depende apenas do que existe ao redor.

A solitude é outro conceito e ocupa outro lugar. Nela, o tempo a sós não representa abandono. Pode ser uma escolha consciente, um espaço para descansar, organizar pensamentos, estimular a criatividade e compreender melhor as próprias emoções. Não é isolamento nem recusa das relações. É a capacidade de permanecer consigo sem preencher cada silêncio com uma tela, uma conversa, uma compra ou a aprovação de outra pessoa.

O impacto na saúde e o papel das telas

Essa distinção importa para a saúde. A solidão persistente está associada a maior risco de depressão, ansiedade, doenças cardiovasculares e morte prematura. O ser humano precisa de vínculos. Relações de qualidade oferecem apoio, afeto, pertencimento e sentido. Também nos ajudam a atravessar perdas e enfrentar períodos difíceis. Além disso, o bem-estar relacional é uma dimensão fundamental da nossa felicidade.

O desconforto com a própria companhia também merece atenção, pois pode ser a raiz de relacionamentos abusivos. Quem não suporta ficar só pode manter relações por medo, depender da validação alheia ou recorrer a estímulos rápidos para encobrir um vazio. A pessoa procura no outro, no consumo ou nas redes sociais uma resposta imediata para o vazio que permanece dentro dela.

A cena é comum. Depois de um dia cansativo, muitas pessoas pegam o celular e passam de um conteúdo a outro. Parece uma pausa, mas a sucessão de estímulos não oferece o descanso de que a mente precisa. Muito pelo contrário: o uso de telas está amplamente associado à fadiga mental. A tecnologia pode aproximar pessoas; acompanhamos a vida de amigos, familiares (e desconhecidos), porém tudo à distância – e isso não substitui presença, intimidade e conversa genuína. Em excesso, as redes sociais acabam por reduzir a disposição para o encontro presencial e, dessa forma, ampliam a sensação de desconexão.

Esse padrão afeta outras dimensões do bem-estar. Para a Ciência da Felicidade, o bem-estar reúne dimensões físicas, emocionais, intelectuais, relacionais e espirituais. Elas não funcionam de forma

isolada. Um comportamento prejudicial costuma puxar outro. Pouco sono, por exemplo, aumenta a impaciência, afeta nossas escolhas alimentares e desgasta as relações. O movimento contrário também existe. Um hábito saudável pode abrir caminho para outros.

Como desenvolver a solitude sem se isolar

A solitude é uma habilidade e, como toda habilidade, pode ser aprendida e desenvolvida, mas exige prática. O começo não precisa ser grandioso. Uma caminhada sem celular, uma refeição em silêncio, alguns minutos de respiração consciente, a leitura de um livro ou um hobby que peça atenção podem mudar a relação com o tempo a sós. Atividade física, sono regular e pausas sem telas também ajudam a recuperar presença.

Aprender a ficar só não significa desistir do outro. As relações continuam essenciais. Um curso, um grupo de interesse, uma conversa sincera ou um trabalho voluntário podem fortalecer vínculos e devolver sentido à rotina. O desafio está em pertencer sem perder o espaço interior.

Há casos em que o convívio existe, mas a sensação de solidão permanece. Essa experiência é real, mesmo na presença de família, amigos e colegas. A terapia pode ajudar a compreender as causas dessa sensação e a reconstruir a relação consigo e com os outros.

Precisamos de vínculos, mas também de intimidade conosco. A solitude não nos afasta do outro. Ela nos ensina a encontrá-lo sem usar sua presença para fugir de nós mesmos. Ficar só pode ser uma pausa saudável. Sentir-se sozinho por tempo prolongado é um pedido de cuidado.

Leia outras colunas de Brazil Health

Gustavo Arns

Especialista em Ciência da Felicidade

Mestre em Estudos da Felicidade pela Centenary University (EUA)

Professor de Psicologia Positiva

Idealizador do Congresso Internacional de Felicidade.

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Brazil Health