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Shakira no Brasil: o impacto econômico dos shows e o avanço do “gig tripping” na América Latina
Publicado 02/05/2026 • 16:45 | Atualizado há 4 horas
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Publicado 02/05/2026 • 16:45 | Atualizado há 4 horas
KEY POINTS
Foto: Instagram
Rio se prepara para show de Shakira com operação de grande escala e expectativa de público superior a 2,5 milhões.
O projeto “Todo Mundo no Rio”, criado para posicionar a cidade do Rio de Janeiro como um dos principais palcos globais de grandes espetáculos e impulsionar o turismo em larga escala, ganha um novo capítulo com a chegada de Shakira. A artista, um dos maiores nomes da cultura pop latina, se apresenta nas areias de Copacabana neste sábado (2), com uma expectativa que chama atenção até para padrões internacionais: 2,5 milhões de pessoas ou mais, número que a própria cantora classificou como “surreal”.
A iniciativa segue um histórico recente de eventos de grande impacto. Em 2024, o show de Madonna em Copacabana reuniu cerca de 1,6 milhão de pessoas e movimentou aproximadamente R$ 600 milhões na economia local, segundo a prefeitura.
Já em 2025, Lady Gaga elevou esse patamar, ao reunir cerca de 2,5 milhões de pessoas nas areias de Copacabana, entrando para o Guinness Book como o maior público da história em um show gratuito de uma artista feminina.
O evento consolidou de vez o Rio de Janeiro como palco de megaespetáculos globais em escala inédita. É dentro dessa lógica que o show de Shakira se posiciona: com expectativa de até 2,5 milhões de pessoas ou mais, o evento não apenas acompanha esse novo padrão como reforça a cidade como destino estratégico para grandes turnês e ativações de marca.
No caso de Shakira, com mais de 80 milhões de discos vendidos e uma base global altamente engajada, a artista mobiliza não apenas fãs locais, mas um fluxo de pessoas que viajam especificamente para viver essa experiência.
E é exatamente aí que o entretenimento se conecta diretamente com a economia.
A expectativa em torno do show também se sustenta pela dimensão inédita da produção. O evento deve contar com uma estrutura de palco ampliada em Copacabana, pensada para comportar tanto o repertório completo da artista quanto a projeção visual para um público de milhões nas areias.
A apresentação integra uma lógica de espetáculo de grande escala, com possibilidade de participações especiais e ativações ao longo da noite, ainda não totalmente divulgadas, mas já especuladas pelo mercado como parte da estratégia de engajamento.
Outro ponto que chama atenção é a própria operação do evento: logística reforçada, ampliação de áreas técnicas e expectativa de transmissão e repercussão digital em tempo real, o que transforma o show em um conteúdo que extrapola o espaço físico. A comparação com eventos anteriores, como o de Madonna, ajuda a dimensionar o potencial: no caso de Shakira, a combinação entre apelo latino, alcance global e expectativa de público recorde tende a elevar ainda mais esse impacto.
Mas a passagem de Shakira pelo Brasil, no show Todo Mundo no Rio, na cidade do Rio de Janeiro, vai além de musica e entretenimento. O movimento reforça uma tendência global que vem redesenhando o turismo: o gig tripping, fenômeno em que pessoas viajam especificamente para assistir a grandes shows e eventos ao vivo.
Mais do que público, esses eventos mobilizam cadeias inteiras da economia, da aviação à hotelaria, passando por alimentação, transporte e consumo local.
O conceito ganhou força nos últimos anos, especialmente após a pandemia, com turnês de artistas globais como Taylor Swift, Beyoncé e Coldplay movimentando cidades inteiras.
Segundo dados da Global Travel Trends (2024), eventos musicais já estão entre os principais motivadores de viagens internacionais, com impacto direto na taxa de ocupação hoteleira e no consumo local.
Na América Latina, esse movimento ganha ainda mais relevância por um fator estrutural: a menor frequência de grandes turnês globais, o que aumenta o deslocamento regional de fãs entre países.
Ou seja: não é apenas o público local que consome, é um público que viaja para consumir
O impacto desses eventos se conecta diretamente a um setor já relevante.
Segundo o WTTC (World Travel & Tourism Council), o turismo representou cerca de 7,8% do PIB do Brasil em 2024, com tendência de crescimento contínuo.
No Rio de Janeiro, esse peso é ainda mais significativo. Estimativas da prefeitura e de órgãos de turismo indicam que o setor pode representar entre 10% e 12% da economia da cidade, considerando sua vocação histórica para eventos, lazer e hospitalidade.
Grandes shows funcionam como aceleradores desse sistema.
Eles não apenas ocupam hotéis, mas ativam toda a cadeia da hospitalidade:
E fazem isso em um curto espaço de tempo, com alta concentração de consumo.
Casos recentes ajudam a dimensionar esse impacto.
Shows internacionais no Brasil têm gerado picos de ocupação próximos a 100% na rede hoteleira, aumento de tarifas e crescimento significativo no fluxo de turistas.
Além disso, há um efeito indireto importante: o fortalecimento da imagem da cidade como destino global.
No caso do Rio, isso dialoga com uma estratégia maior de reposicionamento da cidade como polo de eventos internacionais, combinando entretenimento, cultura e turismo de experiência.
Dentro desse ecossistema, as marcas ocupam um papel estratégico.
A Dove, por exemplo, é um dos patrocinadores oficiais do evento e utiliza o show como plataforma de conexão com um público massivo e altamente engajado.
Mais do que exposição, o investimento segue uma lógica clara: transformar presença em experiência.
A ativação da marca vai trazer:
A agencia criativa, a BR Media Group, a Tastemakers Brasil e Initiative Brasil sao as agencias envolvidas na ação.
Com foco na linha de desodorantes, a estratégia busca associar a marca a momentos de alta intensidade emocional um dos territórios mais valorizados pelo marketing contemporâneo.
O retorno desse tipo de patrocínio não se mede apenas em alcance.
Eventos dessa escala oferecem três camadas de valor:
Em um cenário onde atenção é um ativo escasso, estar presente em eventos de alta mobilização se torna uma decisão estratégica, não apenas publicitária.
O show de Shakira no Brasil ilustra um movimento maior.
O entretenimento ao vivo deixou de ser apenas cultura e passou a operar como infraestrutura econômica completa temporária.
Ele movimenta cidades, ativa setores e atrai fluxos internacionais.
E, ao mesmo tempo, cria novas formas de consumo, onde viajar para viver uma experiência se torna prioridade.
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