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Impasse no Estreito de Ormuz ameaça indústria automotiva de luxo
Publicado 01/05/2026 • 10:22 | Atualizado há 57 minutos
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Publicado 01/05/2026 • 10:22 | Atualizado há 57 minutos
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Analistas e entidades do setor alertam para estoques de óleos que podem se esgotar em breve caso a guerra com o Irã continue.
A escassez global de óleos básicos começa a chegar aos consumidores de carros de luxo, com analistas e entidades do setor alertando que os estoques podem se esgotar em breve caso a guerra com o Irã continue.
A interrupção contínua no estrategicamente vital Estreito de Ormuz desencadeou o que a Agência Internacional de Energia (AIE) descreveu como “a maior ameaça à segurança energética da história”, embora o choque de oferta vá muito além do petróleo bruto, fertilizantes e hélio.
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Os óleos básicos são o principal componente usado na produção de lubrificantes de alto desempenho para motores e fluidos industriais.
Óleos básicos dos grupos III e IV, como as polialfaolefinas (PAO), são matérias-primas essenciais para lubrificantes sintéticos usados no setor automotivo, sendo particularmente importantes para veículos de luxo.
“Os estoques vão acabar em um mês se nada chegar, e isso simplesmente reduzirá a produção de lubrificantes finais”, afirmou Gabriella Twining, chefe de precificação de óleos básicos da Argus Media.
A região do Golfo responde por até 20% da capacidade global de produção de óleos básicos do Grupo III e representou 72% e 47% das importações desse tipo de óleo pela Europa e pelos Estados Unidos, respectivamente, no ano passado, segundo a Argus Media.
Supercarros, especialmente comuns em grandes cidades como Londres, Monte Carlo e Los Angeles, dependem desses produtos especializados porque eles suportam calor extremo, rotações elevadas (RPM) e pressão intensa.
“A própria definição já diz tudo: eles são, essencialmente, a base de todos os lubrificantes finais — automotivos, industriais, aviação, marítimos… se algo se move, precisa de lubrificação, e isso é feito a partir de óleo básico”, explicou Twining em entrevista à CNBC.
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Nas últimas semanas, os preços dos óleos básicos avaliados pela Argus dispararam para níveis recordes, com os valores do Grupo III no norte da Europa subindo quase 100% desde o início da guerra com o Irã.
Isso ocorre em meio a uma prolongada interrupção no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, danos à instalação Pearl Gas-To-Liquid da Shell no Catar devido a ataques com mísseis iranianos e declarações de “força maior” por produtores no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos.
A Coreia do Sul, líder global na produção de óleos básicos e grande exportadora do Grupo III, recentemente impôs limites obrigatórios às exportações de produtos refinados, buscando reforçar o abastecimento interno durante a crise.
“Essas altas históricas de preços precisam ser pagas por alguém, e isso será repassado ao lubrificante final e ao comprador”, disse Twining.
“Os estoques vão acabar em um mês se nada chegar. Isso reduzirá a produção de lubrificantes. Você pode adiar uma troca de óleo, mas ela ficará mais cara e haverá menor disponibilidade”, acrescentou.
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Rico Luman, economista sênior do ING com foco em transporte e logística, afirmou que a atual pressão no mercado de petróleo e a forte dependência da Ásia e do Oriente Médio para óleos básicos “definitivamente” levarão a uma escassez de oferta.
Existem estoques desses produtos “de menor giro” ao longo da cadeia de suprimentos, mas os prazos de entrega podem aumentar significativamente, comprometendo a reposição. “E, claro, os preços também serão impactados pela dependência asiática, além da alta geral do petróleo”, disse Luman por e-mail.
A Associação Independente de Fabricantes de Lubrificantes (ILMA) descreveu uma reunião recente com legisladores dos Estados Unidos sobre a gravidade das interrupções no fornecimento de óleos básicos como “produtiva e preocupante”, com consenso sobre a severidade da situação e a falta de soluções claras no curto prazo.
O grupo destacou que cerca de 44% do fornecimento de óleos básicos dos EUA normalmente vem do Golfo Pérsico e afirmou, em 8 de abril, que os impactos já estão sendo sentidos em vários setores.
A ILMA também disse esperar que o mercado americano permaneça sob pressão até pelo menos 2027, com seus membros se preparando para custos crescentes em toda a cadeia.
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A CEO da ILMA, Holly Alfano, afirmou que o setor enfrenta três pressões simultâneas: cerca de 40% da oferta global do Grupo III proveniente do Golfo Pérsico está fora do mercado ou impossibilitada de ser exportada; refinarias sul-coreanas enfrentam escassez de petróleo bruto; e refinadores estão desviando insumos do Grupo II para produção de combustíveis.
“Somados, esses fatores colocam quase três quartos das importações americanas de Grupo III sob pressão, além de eliminar a capacidade do setor de substituir com óleos do Grupo II”, disse Alfano.
“Para agravar o risco, estamos entrando na temporada de furacões — até mesmo uma única tempestade que atinja a costa do Golfo pode retirar de operação de 30% a 40% da capacidade americana de Grupo II e mais 10% do Grupo III, apertando ainda mais uma cadeia de suprimentos já pressionada”, concluiu.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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