Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Victoria’s Secret apresenta Fantasy Bra de US$ 50 milhões e aposta em Kylie Jennerpara ampliar o alcance do desfile
Publicado 01/11/2026 • 16:02 | Atualizado há 2 horas
Setor de criptomoedas investe mais de US$ 200 milhões nas eleições dos EUA para pressionar por regras favoráveis
OpenAI reduz meta de captação e pretende levantar até US$ 20 bilhões em nova rodada
Justiça dos EUA rejeita ação de Trump contra The Wall Street Journal por suposta carta a Epstein
Binance diz já ter recuperado 90% dos US$ 6,3 bilhões perdidos em ataque hacker e prevê retomar saques no domingo
Petroleiras criticadas por Trump por lucros elevados ampliam ganhos com refino desde agosto, mostram balanços
Publicado 01/11/2026 • 16:02 | Atualizado há 2 horas
Foto: AFP
Após oito anos, o sutiã-joia retorna em uma criação inédita da Jacob & Co. O espetáculo de 2026 reúne modelos históricas, novos talentos e uma estratégia que combina luxo, entretenimento e renovação comercial.
O Victoria’s Secret Fashion Show 2026, realizado em 18 de outubro, em Los Angeles, marcou o retorno de um dos elementos mais emblemáticos da história da marca: o Fantasy Bra. Ausente desde 2018, o sutiã-joia reapareceu em uma criação avaliada em US$ 50 milhões, aproximadamente R$ 250 milhões, apresentada por Kylie Jenner em sua estreia na passarela da grife.
Desenvolvida em parceria com a joalheria Jacob & Co., a peça estabeleceu um novo recorde de valor anunciado para o Fantasy Bra. A escolha de Kylie também sinaliza uma mudança importante na comunicação da Victoria’s Secret, que passa a associar uma de suas maiores tradições ao alcance de uma empresária cuja influência se estende aos setores de beleza, moda e entretenimento.
A apresentação integrou a edição Fandemonium, realizada nos estúdios da Sony Pictures, em Culver City. Foi o terceiro desfile desde a retomada do evento, em 2024, após cinco anos de interrupção.
O Fantasy Bra de 2026 foi concebido sem a tradicional base de tecido utilizada em versões anteriores. Sua estrutura é formada por ouro e diamantes, com componentes articulados que permitem a movimentação do corpo.
A peça reúne 4.410 diamantes naturais, entre eles um diamante amarelo Natural Fancy Vivid Yellow de 75,54 quilates, colocado na região central.
Diamantes classificados como Fancy Vivid Yellow apresentam uma intensidade de cor excepcional. Na avaliação dessas pedras, a raridade da tonalidade, a saturação, o peso, a lapidação e as características de pureza são fatores determinantes para seu valor.
Além da seleção das gemas, a construção exigiu soluções técnicas específicas. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, foram desenvolvidos 3.218 componentes individuais, em um processo que envolveu 15 profissionais especializados e mais de mil horas de trabalho.
O desafio consistiu em criar uma estrutura suficientemente resistente para sustentar as pedras e, ao mesmo tempo, flexível para acompanhar os movimentos de Kylie Jenner na passarela.
A colaboração com a Jacob & Co. é relevante também pelo posicionamento da joalheria, reconhecida por criações de grande complexidade técnica, pedras excepcionais e uma linguagem estética de forte impacto visual.
Ao reunir essas características em uma peça de lingerie, a Victoria’s Secret associa um de seus produtos mais reconhecidos aos atributos de raridade, trabalho artesanal e exclusividade próprios da alta joalheria.
Os US$ 50 milhões correspondem à avaliação divulgada para a criação, e não a uma transação comercial realizada.
A tradição começou em 1996, quando Claudia Schiffer apresentou o Million Dollar Miracle Bra, avaliado em US$ 1 milhão. A peça foi utilizada em campanhas publicitárias e no catálogo da Victoria’s Secret, incluindo um anúncio de grandes proporções em Nova York.
Em 2000, Gisele Bündchen vestiu o Red Hot Fantasy Bra, um conjunto com rubis e diamantes avaliado em US$ 15 milhões. A criação entrou para o Guinness World Records e permaneceu como uma das mais conhecidas da história da marca.
No ano seguinte, Heidi Klum apresentou o Heavenly Star Fantasy Bra, de US$ 12,5 milhões, o primeiro a ser exibido em um desfile televisionado da Victoria’s Secret.
A partir daí, a apresentação da joia passou a representar um dos momentos de maior prestígio do evento. Ser escolhida para vestir o Fantasy Bra significava ocupar uma posição de destaque entre as modelos associadas à marca.
O Brasil teve participação especialmente importante nessa trajetória.
Gisele voltou a apresentar a joia em 2005, com o Sexy Splendor Fantasy Bra, também avaliado em US$ 12,5 milhões. A criação reunia aproximadamente 2.900 diamantes, 22 rubis e um diamante de 101 quilates em um pingente central.
Adriana Lima foi escolhida três vezes, em 2008, 2010 e 2014. Na primeira participação, vestiu o Black Diamond Fantasy Miracle Bra, de US$ 5 milhões, composto por aproximadamente 3.900 pedras preciosas.
Alessandra Ambrosio apresentou o Floral Fantasy Bra, de US$ 2,5 milhões, em 2012. Dois anos depois, dividiu o protagonismo com Adriana Lima na única edição em que a Victoria’s Secret apresentou dois Fantasy Bras simultaneamente. As criações de 2014, desenvolvidas pela Mouawad, foram avaliadas em US$ 2 milhões cada.
Em 2017, Lais Ribeiro foi escolhida para apresentar o Champagne Nights Fantasy Bra, também de US$ 2 milhões, produzido com diamantes, safiras amarelas e topázios azuis.
Entre as peças de maior valor da história também estão o Royal Fantasy Bra, de US$ 10 milhões, usado por Candice Swanepoel em 2013, e o Very Sexy Fantasy Bra, de US$ 11 milhões, apresentado por Heidi Klum em 2003.
A última edição antes da interrupção ocorreu em 2018, quando Elsa Hosk vestiu o Dream Angels Fantasy Bra, desenvolvido pelo Atelier Swarovski e avaliado em US$ 1 milhão.
O modelo de 2026 supera em 50 vezes o valor nominal da peça de 2018 e em mais de três vezes o conjunto de US$ 15 milhões apresentado por Gisele em 2000. A comparação considera os valores anunciados em cada época, sem atualização monetária.
A diferença mostra a dimensão escolhida pela Victoria’s Secret para recuperar uma tradição que durante décadas ajudou a sustentar a projeção internacional de seu desfile.
Historicamente, o Fantasy Bra era apresentado por supermodelos que mantinham uma relação próxima com a Victoria’s Secret. A escolha funcionava como reconhecimento de sua importância para a marca e garantia visibilidade internacional às profissionais selecionadas.
Com Kylie Jenner, a empresa amplia esse critério.
A empresária construiu uma trajetória diretamente relacionada à capacidade de transformar audiência em consumo. Sua atuação no mercado de beleza e sua presença nas redes sociais fazem dela uma personalidade com alcance comercial que ultrapassa a indústria da moda.
A Victoria’s Secret passa, assim, a utilizar o Fantasy Bra não apenas para valorizar suas modelos, mas também para conectar o desfile a outros públicos e segmentos de mercado.
Essa decisão acompanha uma transformação importante no setor: a influência comercial já não depende exclusivamente das figuras tradicionais da moda. Celebridades, empresárias e criadoras de conteúdo passaram a participar diretamente da formação de desejo e das decisões de compra.
A escolha também se relaciona ao esforço da Victoria’s Secret para recuperar consumidores.
Elizabeth Preis, diretora de marketing da empresa, já havia explicado à Fast Company que o retorno do desfile buscava aumentar a consideração pela marca entre pessoas que não compravam seus produtos.
Na edição de 2026, essa intenção ganhou uma dimensão comercial mais concreta. Segundo o Business Insider, com base em informações da Barron’s, a Victoria’s Secret disponibilizou para compra 17 vezes mais itens apresentados na passarela.
O dado é relevante porque aproxima a repercussão do espetáculo das oportunidades de venda.
O Fantasy Bra ocupa o extremo aspiracional da apresentação, enquanto os produtos comercializados permitem que a consumidora participe daquele universo por meio de uma compra acessível dentro do portfólio da marca.
Para a Jacob & Co., a colaboração também representa uma oportunidade de exposição internacional. A joalheria demonstra sua capacidade de executar um projeto tecnicamente complexo diante de uma audiência que não se restringe aos compradores habituais de alta joalheria.
As duas empresas compartilham visibilidade, mas preservam posicionamentos distintos: a Victoria’s Secret utiliza a exclusividade para fortalecer o desejo por seus produtos; a Jacob & Co. apresenta a excelência técnica e a raridade de suas criações em uma plataforma de entretenimento global.
O espetáculo reuniu modelos de diferentes gerações, combinando nomes históricos da Victoria’s Secret com profissionais que estão construindo suas carreiras no circuito internacional.
Bella Hadid abriu a apresentação com lingerie verde e asas florais. O desfile também contou com Anok Yai, Barbara Palvin, Elsa Hosk e Rosie Huntington-Whiteley, que retornou à passarela da marca após 16 anos.
Entre as brasileiras, Adriana Lima e Alessandra Ambrosio reafirmaram sua longa relação com a grife.
Carol Trentini retornou após 17 anos, enquanto Luiza Perote, amazonense de 21 anos, fez sua estreia.
As modelos históricas preservam a memória afetiva de um público que acompanhou os anos de maior popularidade do desfile. Os novos rostos permitem que a marca estabeleça conexões com outras gerações de consumidoras.
Essa combinação ajuda a explicar a estratégia de recuperação do evento: preservar elementos reconhecíveis de sua identidade sem depender exclusivamente deles.
A discussão sobre diversidade é indispensável para compreender o atual momento da Victoria’s Secret.
A marca construiu parte de sua notoriedade apresentando um ideal de beleza bastante restrito, especialmente em relação ao corpo feminino. Durante anos, o desfile esteve associado a mulheres muito magras, jovens e enquadradas em padrões físicos específicos.
Esse posicionamento passou a enfrentar críticas crescentes à medida que a sociedade e a indústria da moda ampliaram as discussões sobre representatividade.
A edição de 2026 apresentou maior variedade de gerações e origens entre suas participantes.
A presença de modelos negras, como Anok Yai, e a abertura para novos talentos internacionais contribuem para ampliar a diversidade racial e geográfica do casting.
A escolha de Solange Omon, vencedora do concurso de seleção Angels Among Us, também mostra uma iniciativa da empresa para dar visibilidade a profissionais fora do grupo tradicional de Angels. O processo foi acompanhado por uma série publicada no YouTube, transformando a seleção em conteúdo para o público.
A diversidade etária foi outro elemento importante.
Adriana Lima, Alessandra Ambrosio, Carol Trentini e Rosie Huntington-Whiteley representam uma geração que continua ocupando espaço na moda internacional. Sua presença é especialmente significativa em um setor que historicamente valorizou a juventude como condição de relevância feminina.
Mas a questão corporal ainda exige atenção.
Embora a Victoria’s Secret tenha incorporado modelos com diferentes silhuetas em sua fase recente, a presença de mulheres mid-size e plus-size precisa ser avaliada para além de participações pontuais.
A representatividade não depende apenas de colocar diferentes corpos na passarela. Depende da proporção dessas mulheres no elenco, do destaque que recebem, das peças que apresentam e da continuidade dessa presença nas campanhas e no desenvolvimento de produtos.
Para uma empresa de lingerie, essa coerência é particularmente importante.
O produto está diretamente relacionado ao corpo da consumidora. Portanto, a diversidade não deveria existir somente na comunicação, mas também na oferta de tamanhos, na modelagem, na experiência de compra e na forma como a marca representa as mulheres.
É nesse ponto que a transformação da Victoria’s Secret precisa ser observada com mais rigor.
A presença de mulheres diferentes em um espetáculo pode sinalizar uma mudança de direção. A consolidação dessa mudança depende de decisões permanentes dentro da empresa.
O retorno do Fantasy Bra reúne três movimentos importantes.
O primeiro é a valorização da alta joalheria como instrumento de posicionamento. A criação da Jacob & Co. demonstra como materiais raros, conhecimento técnico e trabalho artesanal podem elevar o valor simbólico de uma colaboração entre marcas.
O segundo é a utilização de celebridades com capacidade de mobilização comercial. Kylie Jenner não foi escolhida apenas para apresentar uma peça excepcional. Sua presença amplia o alcance do evento e conecta a Victoria’s Secret a uma audiência formada também fora do universo tradicional das passarelas.
O terceiro é a tentativa de aproximar entretenimento e vendas. Ao ampliar a disponibilidade de produtos apresentados no desfile, a marca procura transformar atenção em oportunidades concretas de consumo.
Essas decisões fazem sentido dentro de um mercado em que a disputa não acontece apenas por preço, produto ou distribuição. A relevância cultural e a capacidade de construir relações com diferentes públicos também influenciam o desempenho das empresas.
Mas a Victoria’s Secret enfrenta uma questão que nenhuma criação milionária consegue resolver isoladamente.
Sua história está associada a um imaginário de beleza que ajudou a torná-la mundialmente conhecida, mas que também contribuiu para afastar mulheres que não se reconheciam naquele padrão.
O desafio atual é preservar a força comercial de sua identidade sem reproduzir as limitações que passaram a ser questionadas pelas consumidoras.
A empresa demonstrou que ainda possui recursos criativos, reconhecimento internacional e capacidade de mobilizar grandes audiências.
Agora precisa demonstrar que sua transformação alcança também os produtos, a representação das mulheres e a experiência de consumo.
O Fantasy Bra de US$ 50 milhões recolocou a Victoria’s Secret no centro das atenções. O resultado mais importante, porém, não será medido pelo valor dos diamantes ou pela repercussão do desfile, mas pela capacidade da marca de transformar essa visibilidade em relevância comercial duradoura.
Maiores Audiências
1
PlayStation resgata visual dos anos 1990; conheça os novos acessórios
2
Leilão do Banco Master reúne 447 lotes, de cadeiras Herman Miller a TV de 98 polegadas, com lances a partir de R$ 21; veja os itens
3
Protestos e acusações de golpe mergulham Polônia em nova crise institucional
4
Banco Central decreta liquidação da MW Pay, instituição ligada a bets, por violações graves às normas do sistema de pagamentos
5
Trump descarta encontro com Flávio Bolsonaro, mas diz que senador pode ficar nos EUA “pelo tempo que quiser”