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Onde estão os dados da Economia Prateada?

Publicado 20/04/2026 • 11:00 | Atualizado há 3 semanas

Foto de Gilmara Espino

Gilmara Espino

A economia prateada já é um dos movimentos mais relevantes do nosso tempo. Gilmara Espino acompanha de perto o mercado 60+ e traz, semanalmente, tendências e casos práticos que revelam como esse fenômeno está abrindo novas frentes de negócio.

Arte - Time Brasil

A boa notícia é que os dados existem. Eles estão sendo produzidos por instituições de peso e estão disponíveis para quem quiser acessá-los

Três estudos essenciais sobre o público 60+ que todo gestor deveria ler.

Por Gilmara Espino

A coluna anterior, “Muito além dos 60+: como a longevidade e o ‘jovem idoso’ estão redefinindo o mercado”, trouxe um alerta que considero ponto de partida obrigatório para qualquer empresa que queira atuar com seriedade nesse mercado: tratar o público maduro como um bloco homogêneo é um erro estratégico de leitura de mercado.

Reconhecer a heterogeneidade é apenas o primeiro passo. O segundo é mais exigente: quantificá-la com dados concretos. A boa notícia é que os dados existem. Eles estão sendo produzidos por instituições de peso e estão disponíveis para quem quiser acessá-los. 

A seguir, uma lista com três relatórios recentes que considero leitura obrigatória para gestores, profissionais de marketing e empreendedores de olho nas oportunidades da economia prateada.

Leia também: Longevidade produtiva: como aproveitar a experiência 60+

1. O dado que deveria incomodar: Pesquisa “Pessoa Idosa x Mercado de Consumo” (Procon-SP)

Divulgada no final de 2025, a pesquisa ouviu centenas de consumidores com mais de 60 anos sobre suas experiências de compra. O número mais revelador: 51% relataram que não conseguiram comprar um produto ou contratar um serviço simplesmente porque a empresa só operava via aplicativo. Mesmo com 92% dos participantes afirmando ter acesso à internet e apps. Isso não é um problema de acesso à tecnologia. É um problema grave de design e jornada digital. Link para relatório aqui.

2. A matemática da heterogeneidade:  1º Anuário Mosaic Insights (Serasa Experian)

Lançado em março de 2026, o estudo analisou o comportamento de consumo de quase 190 milhões de CPFs. A análise entrega uma conclusão que deveria encerrar de vez o debate: os brasileiros com 60 anos ou mais consomem acima da média nacional em categorias essenciais como mercado, farmácia, itens para casa e até eletrônicos.

Quase metade desse público — 48,7% — se enquadra no perfil de “Aposentados e Planejadores Financeiros”. No outro extremo, existe uma “Elite Econômica e Profissional” que representa apenas 1,4% dos maduros, mas com presença digital ativa de 64,2% e um poder de consumo que rivaliza com segmentos muito mais jovens. Dois públicos, uma mesma faixa etária, estratégias completamente diferentes. Link para anuário aqui.

3. A lente macro: The Rise of the Silver Economy (FMI)

Publicado no World Economic Outlook de abril de 2025, o capítulo documenta as implicações globais do envelhecimento populacional, do impacto no PIB e no mercado de trabalho até as finanças públicas e a retenção de talentos seniores.

Leia também: Canetas emagrecedoras e o debate sobre longevidade: poderiam ir além da perda de peso?

O FMI retira a longevidade do campo das tendências comportamentais e a coloca como uma variável estrutural da economia global. Capítulo disponível aqui.

Os três estudos convergem para o mesmo ponto central: existe consumo, existe dinheiro e existe demanda real no público maduro. O que ainda carece é a leitura estratégica de quem, de fato, é esse consumidor.

A pergunta que fica para a próxima coluna: como setor imobiliário brasileiro interpreta  está interpretando estes dados e oferecendo novas soluções na economia da longevidade?

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