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Rio Innovation Week 2026 e Senior Living Meeting movimentam a agenda sobre Economia Prateada

Publicado 27/07/2026 • 11:47 | Atualizado há 42 minutos

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Gilmara Espino

A economia prateada já é um dos movimentos mais relevantes do nosso tempo. Gilmara Espino acompanha de perto o mercado 60+ e traz, semanalmente, tendências e casos práticos que revelam como esse fenômeno está abrindo novas frentes de negócio.

Divulgação

Fernando Potsch CEO, curador da RIW 2026

Palco dedicado à longevidade na maior conferência global de tecnologia e novo encontro de senior living no Secovi-SP mostram o público 60+ entrando na pauta da inovação e dos investimentos.

Por Gilmara Espino

Dois eventos colocam a economia prateada na agenda de negócios das próximas semanas. No Rio de Janeiro, a Rio Innovation Week 2026 reserva ao tema um palco no dia 6 de agosto. Em São Paulo, o Secovi-SP recebe no dia 20 a quarta edição do Senior Living Meeting, encontro dedicado à moradia para o público 60+, que em setembro ganha nova edição em Gramado. O circuito especializado em longevidade segue firme e movimentado. A novidade é o tema conquistar palcos mais amplos, diante de plateias que até pouco tempo atrás não o tinham como prioridade.

Economia prateada na Rio Innovation Week: o retrato da demanda

A Rio Innovation Week ocupa o Píer Mauá de 4 a 7 de agosto e se apresenta como a maior conferência global de tecnologia e inovação. A edição de 2026 espera cerca de 180 mil participantes, distribui a programação por 40 palcos e traz nomes como Malala Yousafzai, Nobel da Paz, e Edvard Moser, Nobel de Medicina. A longevidade, que já esteve na programação de 2025, volta com o palco Economia Prateada & Longevidade no dia 6, neste ano dedicado à potência da longevidade feminina.

A programação do palco começa com um painel sobre a nova edição do Tsunami Prateado, estudo da Data8 que acompanha comportamentos, valores e hábitos de consumo dos brasileiros com mais de 50 anos, e do qual participo como debatedora. Fernando Potsch, organizador do palco, antecipa o ponto que deve concentrar o debate: "o mercado ainda comete um erro fundamental: segmenta pela idade, quando deveria segmentar pelas transições da vida". Divórcio, viuvez, aposentadoria, ninho vazio. São essas rupturas, e não o aniversário de 60 anos, que reorganizam prioridades e ativam decisões de compra.

O recorte feminino torna o argumento concreto. Mulheres vivem mais, concentram poder de consumo crescente e, em muitos arranjos familiares, decidem sobre patrimônio, saúde, moradia e turismo. A comunicação, porém, insiste em tratá-las apenas como mães, esposas ou cuidadoras. Potsch resume a distância em duas frases: a publicidade segue dizendo "cuide de quem você ama" para uma consumidora cujo momento pede outra mensagem, "agora é a sua vez de cuidar de você".

Senior living no Secovi-SP: a fronteira do capital

O Senior Living Meeting nasceu para discutir moradia e serviços para o público sênior e cresceu junto com o interesse de incorporadoras, fundos, operadores e grupos de saúde. Em 2026, terá pelo menos duas edições: a de São Paulo, no Secovi-SP, em 20 de agosto, e a de Gramado, em 9 de setembro, dentro da Geronto Fair. Outras duas, em diferentes estados, estão em avaliação. O avanço desses modelos, aliás, já passou por aqui: esta coluna tratou do mercado de senior living no Brasil, em crescimento e ainda em construção.

Martin Henkel, consultor que integra a realização do encontro, vê nesse ritmo o reflexo da consolidação de "uma nova classe de ativos imobiliários intensivos em serviços". As vocações se dividem: São Paulo concentra o debate sobre funding, estruturação e expansão; Gramado olha para a operação na região Sul, que reúne algumas das iniciativas mais maduras do país.

Henkel também aponta onde o dinheiro costuma tropeçar. O erro clássico de quem chega do imobiliário tradicional é tratar o empreendimento como produto de venda, quando o negócio é de serviços. "O edifício é o ativo. A operação é o negócio. E a experiência do morador é o que determina o valor econômico desse ativo ao longo do tempo", diz. Ele lembra ainda de uma particularidade que exige sofisticação comercial: nesse mercado, quem paga nem sempre é quem mora, o que traz filhos e famílias para a decisão.

Os números ajudam a dimensionar o apetite. Caio Calfat, cuja consultoria assina o evento paulista, lembra que esse mercado praticamente não existia no Brasil há cinco anos e hoje cresce em ritmo acelerado, com projetos concentrados no Sul e no Sudeste e avanço gradual por capitais do Nordeste e do Centro-Oeste. No modelo de investimento patrimonial, ele estima retornos de 10% a 12% ao ano, chegando a 15% em alguns casos. Na compra de unidades para renda, algo entre 7% e 8% acima da inflação. O setor já negocia com os bancos, via Abecip, o acesso a linhas do Sistema Financeiro da Habitação para financiar novos empreendimentos.

Longevidade como pauta econômica

O que os dois eventos têm em comum é o esforço de qualificar a conversa. No Rio, com pesquisa sobre quem é o consumidor 60+. Em São Paulo e em Gramado, com números e modelos de negócio. Nos dois casos, o recado ao mercado é o mesmo: interesse pelo tema já existe; o que separa os projetos bem-sucedidos dos demais é a qualidade da leitura sobre esse público.

Vejo nessa agenda uma evidência que vai além dos eventos. Quando a longevidade passa a ser debatida por plateias de inovação, incorporadores, investidores, jornalistas e economistas, o assunto confirma seu peso econômico. Falamos de um mercado estimado em R$ 1,5 trilhão no Brasil, com participação crescente na economia mundial, e oportunidades de negócio dirigidas ao público com mais de 60 anos ainda longe de serem esgotadas.

Esta coluna, que acaba de completar três meses no Times Brasil, existe para acompanhar esse movimento de perto. Na próxima edição, o tema muda de escala: novas descobertas sobre a manutenção da capacidade cognitiva na velhice, e o que elas representam para uma sociedade que vai viver, trabalhar e consumir por mais tempo.

Gilmara Espino é mestre em gestão, palestrante e professora de MBA. Presidente da GPeS, Comunicamos Saúde e colunista de Economia Prateada do Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC.

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Perguntas frequentes sobre os eventos de economia prateada de 2026

O que é o palco Economia Prateada & Longevidade da Rio Innovation Week 2026?

É o espaço da RIW 2026 dedicado à economia da longevidade, no dia 6 de agosto, no Armazém 5 do Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Nesta edição, o palco destaca a potência da longevidade feminina e reúne debates sobre consumo, trabalho, tecnologia, saúde e novos significados da maturidade para o público 50+.

Quem participa do painel de abertura do palco de economia prateada na RIW 2026?

A conferência de abertura, "Você sabe com quem está falando? "Tsunami Prateado 2026: o retrato de uma nova longevidade", acontece às 10h30 do dia 6 de agosto e reúne Jotta Júnior, da Akademy Comunicação & Marketing, Cléa Klouri, sócia fundadora da Data8 e da Silver Maker, e Gilmara Espino, colunista de Economia Prateada do Times Brasil.

O que é o estudo Tsunami Prateado?

É a pesquisa da Data8 que acompanha há anos os comportamentos, valores e hábitos de consumo dos brasileiros 50+, cobrindo temas como gerações X e Baby Boomers, tecnologia, trabalho, saúde e gestão financeira. A nova edição será debatida no painel de abertura do palco na RIW 2026.

O que é o Senior Living Meeting?

É o encontro do mercado de moradia e serviços para o público 60+, reunindo incorporadoras, investidores, operadores e arquitetos. Em 2026, tem edições confirmadas no Secovi-SP, em São Paulo, no dia 20 de agosto, e em Gramado, no dia 9 de setembro, dentro da Geronto Fair.

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