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Muito além dos bilhões: venda da Paramount acende alerta para cerceamento da liberdade de imprensa
Publicado 26/07/2025 • 09:26 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 26/07/2025 • 09:26 | Atualizado há 10 meses
Paramount Theatre, em Austin, TX
Pexels
A aprovação da venda da Paramount para a Skydance Media, formalizada nesta semana, é um dos episódios mais controversos e politicamente delicados da história da indústria da mídia. Estimada em cerca de US$ 8 bilhões, a operação resultou na criação de uma nova gigante midiática, avaliada em US$ 28 bilhões, encerrando o longo domínio da família Redstone sobre a empresa e colocando o executivo David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, no comando da nova Paramount Skydance.
No entanto, mais do que uma movimentação financeira e corporativa, a fusão foi marcada por uma forte influência política, que gerou dúvidas sobre os limites éticos entre regulação, interesses governamentais e liberdade de imprensa.
Em meio às negociações, a Paramount desembolsou US$ 16 milhões para encerrar um processo movido por Donald Trump, que acusava a CBS (canal de TV aberta dos Estados Unidos que faz parte do conglomerado) de ter editado de forma maliciosa uma entrevista de Kamala Harris, então vice-presidente do país, no programa 60 Minutes -- o empresário diz que a emissora adulterou a atração com o objetivo de “inclinar a balança eleitoral ao Partido Democrata”.
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Embora o valor tenha sido oficialmente destinado à biblioteca presidencial de Trump, críticos e analistas políticos enxergaram o pagamento como um gesto para apaziguar o ex-presidente e evitar obstáculos à aprovação da fusão pela Comissão Federal de Comunicações (FCC), controlada por aliados do republicano. A Paramount, porém, garante que o acordo firmado extrajudicialmente não inclui um pedido de desculpas ou uma declaração de arrependimento pelo conteúdo transmitido.
A decisão da FCC veio com exigências que aprofundaram as preocupações sobre a independência editorial do novo conglomerado. Entre as condições impostas estavam a criação de um ombudsman editorial independente por dois anos, com autoridade para investigar possíveis vieses nas reportagens, e a revogação completa de políticas internas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).
As determinações, que foram por muitos como concessões ideológicas à ala conservadora americana, foram criticadas por defensores da liberdade de expressão, que alertam para o risco de que tais medidas abram precedente para a interferência política direta em decisões jornalísticas. A comissária Anna Gomez, única representante democrata na FCC, votou contra a aprovação e classificou as exigências como uma “violação sem precedentes da liberdade de imprensa”.
Organizações como a Freedom of the Press Foundation e o Columbia Journalism Review também alertaram que o caso pode incentivar novos ataques à mídia, especialmente quando grandes corporações optam por evitar conflitos com figuras politicamente influentes, mesmo que isso signifique sacrificar princípios editoriais e legais.
A fusão da Paramount com a Skydance, portanto, transcende o campo dos negócios. Ela escancara como decisões corporativas podem ser moldadas por pressões políticas e como a busca por aprovação regulatória pode custar caro em termos de credibilidade e de independência editorial.
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