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Por que o futebol feminino virou o novo queridinho das marcas

Publicado 29/08/2026 • 09:54 | Atualizado há 3 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Futebol Feminino

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O futebol feminino atravessa uma mudança de patamar comercial. O interesse das marcas já não depende apenas de discursos sobre diversidade ou responsabilidade corporativa: audiência, direitos de transmissão, patrocinadores e novas plataformas transformaram a modalidade em um negócio com escala própria. A Copa Feminina de 2027, no Brasil, será um dos principais testes do movimento, sobretudo após a entrada da Netflix no mercado de direitos esportivos da competição.

A decisão da Netflix ajuda a dimensionar essa transformação. Em dezembro de 2024, a plataforma adquiriu com exclusividade os direitos de transmissão das Copas do Mundo Femininas de 2027 e 2031 nos Estados Unidos. O contrato contempla transmissões em inglês e espanhol, mas Fifa e Netflix não revelaram quanto a empresa pagará pelo pacote. O sigilo sobre a cifra não reduz a relevância comercial de uma negociação inédita para o torneio.

Historicamente, o Mundial feminino aparecia associado aos pacotes comerciais da Copa masculina em vários mercados. A venda separada tornou mais transparente o valor específico daquele produto. Na edição de 2023, disputada na Austrália e na Nova Zelândia, a Fifa afirmou que o torneio gerou mais de US$ 570 milhões em receita e alcançou equilíbrio financeiro. A entidade também elevou a premiação distribuída às seleções de US$ 30 milhões, em 2019, para US$ 110 milhões.

Os números ajudam a explicar por que patrocinadores passaram a enxergar o futebol feminino de forma diferente. A Deloitte estimou que o esporte feminino de elite movimentaria US$ 1,28 bilhão globalmente em receitas comerciais, bilheteria e direitos de mídia em 2024. A projeção representava crescimento superior a 300% diante da estimativa feita pela própria consultoria para 2021. Futebol era apontado como a maior fonte desse faturamento, à frente de outras modalidades.

Outro termômetro está nos campeonatos nacionais. Nos Estados Unidos, a NWSL fechou em 2023 um contrato de mídia de quatro temporadas com CBS Sports, ESPN, Amazon Prime Video e Scripps Sports. O acordo foi avaliado pela imprensa americana em cerca de US$ 240 milhões, ou aproximadamente US$ 60 milhões por temporada. O contrato anterior rendia apenas uma fração desse valor, sinal da disputa crescente por propriedade esportiva feminina.

Esse avanço encontra uma característica especialmente atraente para anunciantes: ainda existe espaço para crescimento sem os preços historicamente cobrados pelas maiores propriedades do esporte masculino. Uma marca pode associar sua identidade a uma competição global em fase de valorização, alcançar consumidores mais jovens e ocupar posições comerciais que custariam muito mais em torneios masculinos equivalentes. Para plataformas digitais, há ainda a possibilidade de converter torcedores em assinantes e usuários recorrentes.

É nesse ponto que a Copa do Mundo Feminina de 2027 ganha peso estratégico. O torneio será disputado no Brasil, mercado onde futebol, televisão e publicidade mantêm uma relação comercial histórica. Nos Estados Unidos, porém, a competição estará exclusivamente na Netflix. A plataforma passará a controlar a experiência de distribuição de um dos maiores eventos esportivos femininos do mundo, sem depender da grade linear de uma emissora aberta ou de um canal esportivo tradicional.

A operação também mostra por que o futebol feminino virou uma porta de entrada atraente para empresas de tecnologia. Em vez de enfrentar imediatamente os preços bilionários das principais ligas masculinas americanas, a Netflix consegue associar sua marca a duas Copas completas. Além

dos jogos ao vivo, o acordo prevê conteúdos relacionados ao torneio. Dessa forma, a companhia pode trabalhar o evento antes, durante e depois das partidas dentro do mesmo ambiente.

Para as marcas, portanto, o valor do futebol feminino passa pela combinação de crescimento de público, aumento das receitas, maior competição pelos direitos e oferta ainda limitada de grandes eventos globais. Os US$ 570 milhões movimentados pelo Mundial de 2023, os US$ 240 milhões do acordo da NWSL e a projeção de US$ 1,28 bilhão para o esporte feminino mostram uma curva comercial consistente. A Copa de 2027 deverá ocupar o centro dessa disputa.

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