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Por que os realities de culinária viraram moda na TV brasileira e no streaming

Publicado 31/07/2026 • 19:53 | Atualizado há 2 semanas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Foto: Deposit Photos

Os realities de culinária deixaram de ser um nicho para ocupar espaço estratégico na programação da TV aberta, da televisão por assinatura e das plataformas de streaming. Formatos como MasterChef Brasil, Chef de Alto Nível, Bake Off Brasil, Top Chef Brasil e Pesadelo na Cozinha demonstram que a gastronomia se transformou em entretenimento de massa. O fenômeno resulta da combinação entre competição, histórias pessoais, consumo de conteúdo gastronômico nas redes sociais e interesse crescente do público por experiências ligadas à comida.

Outro fator importante é a versatilidade desse tipo de programa. Diferentemente de realities centrados apenas em convivência, as disputas culinárias conseguem reunir competição, emoção, aprendizado e prestação de serviço em um único formato. O público acompanha técnicas, conhece ingredientes e observa a evolução dos participantes, criando identificação com cozinheiros amadores ou profissionais. Isso aumenta o potencial de reprises, distribuição internacional e consumo sob demanda nas plataformas digitais.

O sucesso comercial também explica a expansão do gênero. O MasterChef Brasil, da Band, tornou-se um dos maiores cases de integração comercial da televisão brasileira. Em diferentes temporadas, a emissora comercializou cotas de patrocínio avaliadas em mais de R$ 30 milhões, segundo informações divulgadas pelo mercado publicitário e pela imprensa especializada. Além disso, o programa gera receitas com merchandising, ações de branded content, licenciamentos e produtos derivados, ampliando seu retorno financeiro além dos intervalos comerciais tradicionais.

As plataformas de streaming identificaram rapidamente esse potencial. A Netflix investiu em produções como Iron Chef: Brasil, enquanto o HBO Max passou a apostar em competições gastronômicas e o Globoplay fortaleceu a distribuição de realities produzidos por canais do Grupo Globo, como Que Seja Doce, do GNT. Os formatos tem boa relação entre custo e permanência no catálogo, já que episódios podem continuar atraindo audiência muito tempo após o lançamento.

Outro aspecto decisivo é a força da gastronomia como conteúdo digital. Redes sociais como Instagram, TikTok e YouTube transformaram receitas, desafios culinários e avaliações de restaurantes em conteúdos de enorme alcance. Os realities dialogam diretamente com esse ambiente, gerando cortes em vídeo, memes, receitas reproduzidas pelos espectadores e discussões sobre provas e eliminações.

A presença de chefs conhecidos também fortaleceu o gênero. Personalidades como Henrique Fogaça, Helena Rizzo, Erick Jacquin, Felipe Bronze e Claude Troisgros deixaram de ser apenas referências da gastronomia para se tornarem figuras populares da televisão. Essa transformação ajudou a aproximar o público de um universo antes considerado restrito, aumentando o interesse por competições culinárias e contribuindo para a criação de novas franquias.

O crescimento desse mercado também está ligado ao interesse dos anunciantes. Marcas de alimentos, eletrodomésticos, supermercados, bebidas, aplicativos de entrega e utensílios domésticos encontram nesses programas um ambiente natural para exposição de produtos. Em vez de anúncios convencionais, elas conseguem integrar seus produtos às provas, às receitas e às narrativas dos participantes, aumentando o potencial de lembrança da marca e justificando investimentos elevados em patrocínio.

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