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O dinheiro fácil acabou? Redes sociais mudam as regras para criadores

Publicado 07/08/2026 • 19:45 | Atualizado há 2 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Foto: Getty Images

A economia dos criadores de conteúdo entrou em uma fase diferente. Durante anos, redes sociais estimularam uma corrida por alcance baseada em volume, frequência e capacidade de capturar tendências. O modelo formou uma indústria de perfis que republicam vídeos, compilam materiais alheios ou adaptam conteúdos com poucas modificações. Agora, sinais das próprias plataformas apontam para outra direção: originalidade e participação efetiva na produção ganham peso.

O movimento aparece de maneiras diferentes no YouTube, Facebook, TikTok e X. Não significa que as redes sociais estejam acabando nem que produzir conteúdo tenha deixado de ser economicamente interessante. A mudança atinge principalmente uma lógica específica de crescimento: transformar audiência emprestada em receita recorrente. Plataformas passaram a demonstrar interesse maior em identificar quem realmente cria determinado material e quem apenas encontra formas eficientes de redistribuí-lo.

No YouTube, essa discussão ficou mais evidente com as políticas do Programa de Parcerias. A empresa historicamente restringe a monetização de conteúdo reutilizado quando não existe contribuição original significativa. Em 2025, o YouTube também atualizou a terminologia de suas regras para caracterizar melhor conteúdos repetitivos ou produzidos em massa. A plataforma afirmou, porém, que a mudança não representava uma proibição generalizada de vídeos produzidos com inteligência artificial.

A Meta também direcionou esforços para conteúdo original no Facebook. A companhia anunciou medidas para favorecer criadores responsáveis pela produção de vídeos, fotos e textos e reduzir a distribuição de materiais considerados não originais. Republicar conteúdo produzido por terceiros, fazer alterações de baixo valor ou simplesmente reagir ao trabalho alheio sem acrescentar informação relevante pode comprometer distribuição e monetização. A estratégia transforma autoria em elemento cada vez mais importante para alcançar audiência.

O TikTok segue lógica semelhante em seu programa de recompensas para criadores. Entre os requisitos apresentados pela plataforma está a publicação de conteúdo original e de alta qualidade, além de critérios relacionados ao tamanho e ao desempenho dos vídeos. Isso afasta o modelo de remuneração da simples multiplicação de clipes curtos e coloca mais condições entre uma visualização viral e a possibilidade de transformar aquela audiência em dinheiro.

No X, a monetização também deixou de depender simplesmente da existência de uma grande quantidade de visualizações. A plataforma estabeleceu requisitos próprios para seus programas destinados aos criadores e mantém regras relacionadas a autenticidade, manipulação e conteúdo monetizável. O funcionamento desse sistema passou por diferentes alterações desde que a antiga remuneração por anúncios exibidos nas respostas foi apresentada, o que reforça a instabilidade de depender exclusivamente das regras de uma plataforma.

É nesse ponto que a ideia de uma bolha começando a estourar merece atenção. O problema não é necessariamente a existência de influenciadores ou da economia dos criadores. O que perde espaço é a expectativa de que alcance, sozinho, seja um ativo permanentemente rentável. Uma pessoa pode acumular milhões de visualizações e ainda depender de critérios que não controla: elegibilidade, originalidade, localização da audiência, formato, retenção e mudanças repentinas nos programas comerciais.

Existe também uma questão econômica por trás desse processo. Plataformas precisam equilibrar interesses de usuários, anunciantes e criadores. Conteúdo duplicado pode gerar números elevados, mas oferece pouco diferencial quando dezenas de contas publicam praticamente o mesmo material. Para as empresas de tecnologia, identificar a origem de uma publicação também ajuda a direcionar incentivos financeiros a quem produz algo capaz de manter usuários no ecossistema.

A inteligência artificial adicionou outra camada ao problema. Ferramentas capazes de produzir textos, imagens, narrações e vídeos em escala reduziram drasticamente o custo de abastecer perfis. Como consequência, tornou-se possível publicar centenas de peças com participação humana limitada. Isso cria abundância, mas também aumenta a necessidade de separar produção original de material repetitivo, automatizado ou simplesmente reorganizado para capturar tráfego.

O resultado pode ser uma profissionalização forçada da creator economy. Ter seguidores continua relevante, mas possuir audiência já não significa controlar a distribuição. O criador constrói seu negócio dentro de sistemas privados cujas regras podem mudar. Quando YouTube, Facebook, TikTok ou X alteram critérios de remuneração e distribuição, empresas inteiras baseadas nessas plataformas precisam se adaptar.

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