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TV por assinatura se reinventa com streamings para tentar frear a perda de assinantes

Publicado 23/10/2026 • 13:10 | Atualizado há 3 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Foto: Unsplash

A TV por assinatura mudou seu modelo de negócios para enfrentar uma das maiores transformações do mercado audiovisual brasileiro. Pressionadas pelo crescimento das plataformas de streaming e pela mudança nos hábitos dos consumidores, operadoras como Claro e Vivo passaram a oferecer pacotes que combinam canais tradicionais e serviços digitais. A estratégia busca reduzir o cancelamento de contratos e preservar a relevância da televisão paga diante da concorrência.

Durante décadas, o setor sustentou seu crescimento na comercialização de pacotes com dezenas ou centenas de canais, organizados conforme o valor da mensalidade. Entretanto, a popularização dos serviços de vídeo sob demanda alterou essa lógica. O consumidor passou a escolher o conteúdo, o horário e o dispositivo de reprodução, sem depender da programação linear. Essa liberdade transformou a percepção de valor dos pacotes tradicionais de televisão.

O avanço dos streamings também criou um problema comercial para as operadoras. Muitos assinantes passaram a questionar o pagamento de mensalidades elevadas por canais que assistiam com pouca frequência. Ao mesmo tempo, plataformas digitais concentraram investimentos em produções exclusivas, filmes, séries e transmissões esportivas. Diante desse cenário, a TV por assinatura deixou de tratar os serviços digitais apenas como concorrentes e passou a enxergá-los como parceiros comerciais.

A Claro representa um dos exemplos dessa mudança de posicionamento. A empresa passou a combinar seus serviços de televisão com plataformas de streaming, oferecendo alternativas que reúnem diferentes modalidades de entretenimento em uma mesma contratação. A proposta procura tornar o pacote mais atraente financeiramente, sobretudo para consumidores que já utilizam serviços digitais. Dessa forma, a operadora tenta justificar a permanência do cliente em seu ecossistema de produtos.

Além da integração de serviços, a Claro aposta na conveniência como argumento comercial. O assinante pode concentrar parte de suas despesas com entretenimento em uma única operadora, em vez de administrar diversas contratações independentes. Os combos com condições promocionais também procuram reduzir a percepção de que a televisão tradicional representa um gasto dispensável. A estratégia transforma a operadora em uma intermediária entre o consumidor e as plataformas digitais.

A Vivo adotou uma abordagem semelhante ao desenvolver ofertas que associam seus serviços de televisão e conectividade a assinaturas de streaming. A empresa busca aproveitar sua base de clientes para comercializar pacotes combinados com condições promocionais. Nesse formato, a televisão paga passa a integrar uma oferta mais abrangente de serviços digitais. O objetivo é aumentar a atratividade dos contratos e diminuir os incentivos para o cancelamento.

O movimento das duas operadoras revela uma alteração importante na disputa pelo consumidor. Antes, a principal diferença entre os pacotes estava na quantidade de canais disponíveis e na presença de conteúdos premium. Agora, o acesso a plataformas digitais também participa da decisão de compra. Para Claro e Vivo, a combinação de serviços pode funcionar como ferramenta de fidelização, especialmente quando o preço representa vantagem sobre contratações separadas.

A necessidade de reinvenção não surgiu apenas da concorrência dos streamings. Nos últimos anos, diversos canais deixaram a TV por assinatura, em um movimento associado à reorganização das empresas de mídia e à prioridade dada ao vídeo sob demanda, conhecido pela sigla VOD. Parte dos grupos responsáveis por essas marcas passou a concentrar seus catálogos e investimentos em plataformas digitais, reduzindo a dependência da distribuição tradicional.

Essa mudança afeta diretamente a proposta comercial das operadoras. Durante muito tempo, a variedade de canais funcionou como um dos principais argumentos para justificar mensalidades mais altas. Com a retirada de marcas da programação, parte desse diferencial perdeu força. O consumidor passou a encontrar determinados conteúdos em aplicativos, muitas vezes sem precisar manter um contrato convencional de televisão. Assim, os pacotes tradicionais enfrentam dificuldades para sustentar seu antigo posicionamento.

A migração de conteúdos para o ambiente digital também modificou a relação entre produtoras, distribuidoras e assinantes. No modelo tradicional, os canais dependiam das operadoras para alcançar o público. Com o VOD, as empresas de entretenimento passaram a estabelecer relações comerciais mais diretas com os consumidores. Essa transformação reduziu o papel exclusivo das distribuidoras e exigiu novas formas de participação na cadeia de valor do audiovisual.

O principal desafio das operadoras passou a ser demonstrar que ainda existe vantagem em contratar um serviço intermediário. Nesse contexto, os combos promocionais representam mais do que uma estratégia de desconto. Eles permitem reunir produtos que antes disputavam separadamente o orçamento das famílias. A televisão linear, os aplicativos de streaming e outros serviços digitais passam a fazer parte de uma mesma oferta comercial.

Porém, a concentração de diferentes assinaturas em um único pacote não elimina a concorrência entre plataformas nem garante a permanência dos clientes. Quando o período promocional termina, o valor da mensalidade volta a influenciar a decisão do consumidor. Além disso, a contratação direta dos serviços digitais continua disponível, o que exige das operadoras vantagens comerciais capazes de justificar sua participação nessa relação.

Outro aspecto importante envolve a mudança de identidade das empresas de televisão paga. A distribuição de canais lineares deixou de ser suficiente para definir integralmente seus negócios. Ao negociar parcerias com plataformas digitais, as operadoras assumem uma função mais próxima da organização e comercialização de serviços de entretenimento. A experiência do assinante passa a depender tanto da facilidade de acesso aos conteúdos quanto da composição dos pacotes.

O movimento também evidencia uma diferença entre preservar o mercado tradicional e adaptar o negócio às novas formas de consumo. As parcerias com streamings não representam necessariamente uma recuperação da audiência dos canais lineares. Na prática, podem ajudar as operadoras a manter relações comerciais com clientes que já transferiram parte significativa de seu tempo de entretenimento para aplicativos e serviços sob demanda.

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