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Skydance terá Harry Potter, DC e Bob Esponja, mas enfrenta rival maior

Publicado 09/10/2026 • 21:42 | Atualizado há 21 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

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A aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount, por US$ 110 bilhões, representa uma mudança na estrutura de poder da indústria audiovisual. Mais do que reunir dois grandes estúdios de Hollywood, a operação, agora chamada de Skydance, coloca sob o mesmo controle marcas, franquias, canais de televisão e serviços de streaming que até então disputavam espaço no mercado. O tamanho da transação, porém, não garante uma posição dominante. A nova companhia terá de demonstrar que consegue transformar a concentração de ativos em resultados financeiros, eficiência operacional e capacidade de competir pela atenção do público.

O primeiro impacto está na redução do número de grandes grupos independentes de entretenimento. A união de Paramount Pictures e Warner Bros. cria uma empresa com influência sobre diferentes etapas da produção e distribuição de conteúdo, desde o desenvolvimento de filmes até a exibição em plataformas digitais e canais de televisão. Essa concentração pode favorecer negociações comerciais e o aproveitamento de propriedades intelectuais, mas também levanta dúvidas sobre a diversidade de produções e a autonomia criativa. Os questionamentos judiciais apresentados por 12 estados norte-americanos e pelo sindicato dos roteiristas demonstram que a operação enfrenta resistência além do ambiente empresarial.

No streaming, a aquisição evidencia uma contradição do setor: reunir catálogos conhecidos não significa necessariamente conquistar mais espectadores. HBO Max, Paramount+, Pluto TV e Discovery+ passam a integrar o mesmo conglomerado, mas a soma desses serviços ainda não alcança o público de concorrentes como Netflix, Disney e YouTube, conforme as informações divulgadas. O desafio de Casey Bloys, responsável pela estratégia conjunta das plataformas, será transformar a dimensão do catálogo em uma vantagem competitiva. A companhia também precisará avaliar como organizar suas marcas sem comprometer a identidade de serviços que atendem a públicos diferentes.

A concorrência com o YouTube acrescenta outra dimensão à disputa. Durante anos, os grandes estúdios concentraram esforços na competição por assinaturas, bilheterias e direitos de exibição. Agora, enfrentam plataformas que disputam o mesmo tempo disponível dos consumidores com formatos diferentes. A observação do analista Rich Greenfield sintetiza essa mudança: "É uma guerra pelo tempo das pessoas, e você persegue o gigante do setor, que é o YouTube".

Nesse cenário, possuir Harry Potter, DC Comics e Bob Esponja representa uma vantagem comercial, mas não resolve sozinho a dificuldade de manter o interesse contínuo dos espectadores. O aspecto financeiro talvez represente a maior pressão imediata sobre David Ellison, chefe do conglomerado. A meta de US$ 6 bilhões em economias indica que a integração não se limitará à reorganização de marcas e plataformas.

Mesmo com a declaração de que as demissões não deverão responder pela maior parte dos cortes, a indefinição sobre a permanência de funcionários revela o tamanho da reestruturação. A sobreposição de departamentos, estruturas administrativas e operações comerciais cria espaço para redução de despesas, mas também pode produzir conflitos internos e afetar a capacidade de execução dos projetos. O equilíbrio entre economia e investimento é determinante para a nova fase.

A integração também altera as condições de negociação com profissionais criativos, produtoras independentes e parceiros comerciais. Um conglomerado que controla dois estúdios históricos e diversas plataformas de distribuição ganha maior capacidade de definir prioridades de investimento e selecionar projetos. Em contrapartida, a redução de compradores independentes pode limitar alternativas para produtores e roteiristas que dependem de contratos com grandes empresas. A contestação judicial apresentada pelo sindicato dos roteiristas reforça a relevância das relações de trabalho nesse processo. A concentração de propriedade, portanto, não afeta apenas os acionistas, mas diferentes participantes da cadeia audiovisual.

A disputa anterior com a Netflix ajuda a compreender a dimensão estratégica do negócio. Ao superar uma proposta de US$ 27,75 por ação pelos ativos de estúdio e streaming, com um acordo de US$ 31 por ação, a Skydance assumiu uma posição que vai além da aquisição de um catálogo. A companhia passou a controlar operações tradicionais de cinema, televisão aberta, canais pagos e serviços digitais. Essa diversidade pode reduzir a dependência de uma única fonte de receita, mas também torna a administração mais complexa em uma fase de mudança dos hábitos de consumo.

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