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O manifesto de 88 palavras: por que o “We Must Act Now” é o aviso mais urgente da década 

Publicado 18/07/2026 • 12:30 | Atualizado há 7 horas

Foto de Joaquim Santini

Joaquim Santini

Pesquisador e palestrante internacional, diplomado em Psicologia Clínica Organizacional e mestre em Consulting and Coaching for Change no Insead ( european business school, na França), graduado e mestre em Engenharia Mecânica pela Unicamp. Fundador da EXO - Excelência Organizacional.

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O manifesto de 88 palavras: por que o "We Must Act Now" é o aviso mais urgente da década 

O coração desse alerta está contido nesta declaração exata, que os líderes assinaram em conjunto: 

"A IA pode se tornar radicalmente mais poderosa nos próximos 10 anos. Isso pode impulsionar uma transformação sem precedentes em nossa economia, maior do que a Revolução Industrial, mas se desenrolando em um período de tempo muito mais curto. Ela pode trazer riscos, incluindo a perda de empregos em larga escala, bem como oportunidades, como grandes ganhos nos padrões de vida. Economistas, formuladores de políticas públicas e líderes de tecnologia devem agir agora para compreender a economia da IA transformadora e para construir os incentivos, salvaguardas e instituições necessários para direcionar a IA em um caminho que complemente os humanos e beneficie a sociedade." 

A força do manifesto está na assinatura de quem o sustenta. O comitê organizador, liderado pelos economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal, Anton Korinek e Tom Cunningham, conseguiu reunir um ecossistema sem precedentes. Estamos falando de um documento endossado por dezesseis prêmios Nobel de Economia — incluindo nomes como Daron Acemoglu (MIT), conhecido por suas análises rigorosas sobre tecnologia e desigualdade, e Michael Spence (NYU). 

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Ao lado deles, assinam os chamados "padrinhos" da IA moderna, como os pioneiros Yoshua Bengio e Yann LeCun, além de nomes que estão na linha de frente da indústria atual, como Jack Clark, cofundador da Anthropic (criadora do Claude). Para fechar o arco de influência, o texto traz o aval de titãs do Vale do Silício e do capital global, como o ex-CEO do Google Eric Schmidt, o cofundador do LinkedIn Reid Hoffman e o lendário investidor de risco Vinod Khosla. 

A comparação que esses intelectuais fazem com a Revolução Industrial não é mero recurso retórico; é um alerta de proporções históricas. A Revolução Industrial começou na segunda metade do século XVIII e levou quase cem anos para se consolidar plenamente. Esse intervalo de várias gerações deu à humanidade o tempo necessário para criar leis trabalhistas, sindicatos, o sistema de educação pública universal e novas dinâmicas de mercado de capitais. O tecido social teve tempo para cicatrizar e se reorganizar enquanto os músculos da indústria substituíam os músculos dos cavalos. 

Com a inteligência artificial, o cenário é radicalmente diferente. Estamos falando de uma força que não substitui a força física, mas sim as capacidades cognitivas, e que se propaga na velocidade dos bits, não do aço. O que levou um século para acontecer no passado está sendo comprimido em uma janela de menos de dez anos. Não há tempo geracional para adaptação passiva. 

O mercado de trabalho já está sofrendo pressões inéditas. Mais de 120 mil demissões no setor de tecnologia foram registradas apenas no acumulado de 2026, impulsionadas por reestruturações profundas como a da Microsoft, que cortou cerca de 4.800 postos de trabalho enquanto redireciona bilhões de dólares para infraestrutura de IA. Enquanto isso, nossas instituições políticas e regulatórias continuam lentas, operando em um ritmo analógico. 

Essa urgência é endossada por quem ajudou a pavimentar o caminho tecnológico em que estamos hoje. Yoshua Bengio reforçou o peso do cenário ao afirmar que, considerando a trajetória atual de desenvolvimento da tecnologia, "é altamente plausível que a IA transforme drasticamente nossas economias". Quando uma das mentes que criaram as bases do deep learning usa o termo "altamente plausível" para descrever uma disrupção econômica dessa magnitude, a discussão deixa de ser um debate filosófico para o futuro e se torna um plano de gerenciamento de crise iminente para o presente. 

Se usarmos a IA sob a lógica antiga — focada puramente em cortar custos rápidos, automatizar processos cegamente e substituir pessoas —, destruiremos o próprio mercado de consumo que sustenta o capitalismo. O manifesto exige o oposto. Brynjolfsson e os demais signatários cobram que líderes e governos criem, desde já, salvaguardas e incentivos para que a tecnologia complemente o ser humano, expandindo a capacidade de entrega e gerando riqueza distribuída, em vez de apenas concentrar dividendos na mão de poucos. 

Para evitar que a força dessa tecnologia destrua o mercado de trabalho antes que possamos nos adaptar, os signatários cobram que as lideranças assumam a responsabilidade de "construir os incentivos, salvaguardas e instituições necessários para direcionar a IA em um caminho que complemente os humanos e beneficie a sociedade"

O "We Must Act Now" rasga o roteiro da complacência corporativa. Ele prova que a discussão sobre o futuro da IA não é um assunto para o departamento de TI ou de RH; é a pauta mais estratégica e urgente na mesa de qualquer conselho de administração. Ignorar o aviso de quem está construindo e de quem estuda os limites econômicos dessa transição não é pragmatismo — é negligência histórica. A mensagem final para CEOs, CFOs e conselhos é clara: a governança da IA não é sobre gerenciar o orçamento de um novo software, mas sobre redesenhar o próprio contrato social do trabalho dentro e fora da empresa. 

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No vácuo de instituições fortes e salvaguardas claras, o sistema nervoso das empresas reagirá com o seu pior instinto — o da autodefesa desordenada e da miopia operacional. O tempo de ensaio acabou. Como o próprio manifesto deixa claro, esperar pela certeza absoluta para começar a agir significa, inevitavelmente, chegar tarde demais para o futuro. 

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