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CNBCAções da SpaceX voltam a disparar, mas desta vez há uma diferença importante

Raphael Coraccini

Como Milei, Flávio Bolsonaro faz bolsa disparar, e alinhamento ideológico com o mercado é a explicação

Publicado 06/10/2026 • 20:53 | Atualizado há 2 horas

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

O mercado é ideológico, ao contrário do que a teoria dos mercados racionais pode sugerir. Os gestores têm preferências e elas estão expressas na disparada da bolsa e queda do dólar depois da vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e a iminência da eleição do 01 para presidente do Brasil.

Os bancos de investimento já recalculam as perspectivas para o Ibovespa e apontam novas escaladas daqui em diante. O cenário é semelhante ao visto na Argentina depois da eleição de Javier Milei, em novembro de 2023. Depois que o candidato de extrema-direita venceu, o Merval, principal índice acionário disparou. Em dólar, o avanço é de quase 90%.

Mais do que a valorização do índice em si, o que mais chama a atenção na bolsa argentina é a disparada de um indicador essencial para avaliar ações: o preço/lucro (P/L).

No auge da valorização, o principal índice da Bolsa argentina chegou a negociar a cerca de 40 vezes o lucro (P/Lx40). Essa métrica mostra quantas vezes o investidor está pagando pelo lucro anual de uma empresa. Quanto maior o múltiplo, maior a expectativa embutida no preço.

Para se ter uma ideia da animação do mercado com a Argentina de Milei, o índice passou a operar a múltiplos superiores aos do setor de tecnologia dos EUA e mais de três vezes a sua média histórica, que é de 12x.

Enquanto isso, as ações brasileiras chegaram a ser negociadas por apenas 8x o lucro, abaixo da média de 11x. Só em 2025, o lucro das empresas brasileiras que operam na bolsa de valores do país subiram 18% na média. Mas não foi suficiente para desmanchar a desconfiança de parte importante do mercado.

Isso mostra o quanto a ideologia está impregnada nas decisões econômicas. Mesmo diante dos dados objetivos, como aumento dos lucros das empresas brasileiras e melhora do índices econômicos (PIB acima e inflação abaixo do esperado) os investidores não se animaram muito. Por outro lado, a estagnação do desempenho das empresas argentinas não foi um obstáculo para que houvesse um frenesi com relação ao mercado de ações do país vizinho.

Basicamente, na Argentina, os preços das ações dispararam muito mais rapidamente do que os lucros das empresas. No Brasil, em boa medida, aconteceu o contrário: os lucros cresceram enquanto os preços das ações permaneceram relativamente deprimidos.

E isso produz uma pergunta incômoda: por que o mercado acreditou muito mais na Argentina que no Brasil? Só o viés ideológico pode explicar.

Argentina rendeu bons lucros para especuladores

A Argentina de Milei produziu uma enorme expectativa de transformação econômica. O mercado comprou essa história antecipadamente e reprecificou as empresas antes que os resultados aparecessem. E não apareceram até agora. Inclusive, os dados recentes mostram piora do cenário macroeconômico.

Mas, diante desse fluxo imenso de capital para a bolsa argentina, muita gente ganhou dinheiro. E tem muita gente perdendo também, especialmente os pequenos investidores, que não têm o aparato informativo que os aportadores maiores possuem.

Foi nesse ambiente que o Merval chegou aos seus múltiplos extremos. E foi também por isso que a correção de 2026 atingiu justamente quem entrou depois da grande reprecificação. O Merval cai 5% em 2026, movimento na direção oposta ao da maioria das bolsas emergentes, incluindo o Brasil.

O Ibovespa também pode estar diante de uma grande reprecificação. Se durante anos os lucros das empresas cresceram mais do que seus preços, existe espaço para que o mercado passe a pagar mais por esses mesmos lucros. Por isso os bancos de investimento estão tão animados com o país. Os lucros foram produzidos nos últimos trimestres e podem ser transformados agora em preço para as ações. O motivo? Alinhamento ideológico com o candidato que está mais perto da cadeira de presidente.

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