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Divergência será pedra no sapato de Warsh, e Brasil tem algo a ensinar ao Fed
Publicado 29/04/2026 • 22:50 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 29/04/2026 • 22:50 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Divulgação
Em sua última dança como presidente do Fed (Federal Reserve), Jerome Powell usou um tom duro para dizer que a autoridade monetária dos EUA precisa aguardar mais sinais de uma desaceleração da inflação nos EUA.
O destaque da entrevista foi a mudança do Comitê para uma postura mais neutra, reduzindo a probabilidade de cortes. Mas isso pode importar pouco, a considerar que o mandato de Powell termina no dia 15 e a cadeira será ocupada por Kevin Warsh, indicado por Donald Trump. O presidente dos EUA fez de Powell seu desafeto por conta da política restritiva imposta por Powell.
O mercado enxergou um tom duro nas palavras de Powell. “Ele evitou validar cenário de alta de juros, sugerindo que o cenário base ainda é de manutenção prolongada”, diz um comunicado ao mercado da Buysidebrazil. Contudo, a decisão da próxima reunião estará nas mãos de Warsh, que tem dado sinais trocados sobre sua posição com relação ao futuro dos juros nos EUA.
O que insere ainda mais incerteza no mercado com relação à política monetária nos EUA é o fato de ter havido dissidência no comunicado com relação às próximas decisões. Três membros do Fomc — Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan — não concordaram com a inclusão de um viés de afrouxamento no comunicado. Ou seja, indicam que votarão contra uma queda dos juros na próxima reunião.
Outros nove membros indicaram tendência a votar por uma redução na próxima reunião, com destaque para Stephen Miran, que votou pela redução agora, mas foi voto vencido. “Isso mostra dificuldade de achar consenso, refletindo a dificuldade de contornar a tensão que existe dentro desse mandato do Fed”, analisa Will Castro Alves, economista-chefe da Avenue. “Kevin Warsh assumindo, talvez tenhamos uma postura e uma comunicação diferentes”, alerta.
Essa divergência é a maior em 34 anos, o que aponta para o fato de Kevin Warsh receber um Fed que precisará aparar arestas. Isso pode ter um impacto importante na curva de juros.
No Brasil, um exemplo recente joga luz sobre o cenário nos EUA. Em maio de 2024, durante gestão de Campos Neto, a decisão foi de 5 a 4 pela queda de 0,25 pp nos juros. O resultado significou uma disparada dos juros futuros com o mercado interpretando uma falta de entendimento dentro da autoridade monetária. Isso exigiu que os integrantes do BC aparassem as arestas para a reunião seguinte, o que deu certo. A decisão seguinte foi unânime e os juros futuros voltaram a se comportar.
Por incrível que pareça, pode ser que o Brasil tenha algo a ensinar aos EUA na condução da política monetária, especialmente neste momento de troca de bastão: o consenso é a saída, mais do que a decisão em si.
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