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Eleições? Só se fala de outro assunto: estrangeiros voltam à Bolsa na reta final de agosto, e risco global é o motivo
Publicado 31/08/2026 • 21:16 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 31/08/2026 • 21:16 | Atualizado há 3 horas
Reprodução/Canva
A nova disparada da bolsa tem estrangeiros liderando, replicando o momento de tensão no início da guerra do Irã, que fez a bolsa brasileira disparar para perto dos 200 mil pontos.
Mais uma vez, existe um flagrante desencontro entre investidores brasileiros e estrangeiros com relação à percepção sobre o Brasil. O capital internacional voltou a encontrar no país um bom destino enquanto os locais estão mais assustados, retirando dinheiro da bolsa.
*Movimento da bolsa entre 21 e 27 de agosto
Estrangeiro: +R$ 4,7 bi
Institucional: -R$ 2,9 bi
Pessoa Física: -R$ 428 mi
A alta da bolsa brasileira está relacionada com os temores do capital global com a economia americana e o futuro da guerra no Irã. Nesse cenário, o Brasil se mostra um destino óbvio, com sua exposição a commodities e bons indicadores econômicos, o que reverteu o movimento de saída de capital durante o ciclo negativo das semanas anteriores.
A bolsa brasileira fechou esta segunda-feira (31) com a sua nona alta consecutiva, aos 177 mil pontos, depois de 11 pregões de queda que levaram o índice para baixo dos 165 mil. O fluxo do mês de agosto ficou perto do zero a zero depois da saída acelerada de capital no começo do mês.
Tanto no momento mais sombrio quanto agora, em dias mais alvissareiros, os movimento estão mais relacionados à dinâmica internacional e à capacidade de o Brasil se proteger dos choques globais. Quando o Ibovespa desidratou, a guerra parecia perto do fim, com os EUA voltando a ser uma boa alternativa por conta da redução do risco atrelado ao conflito e indicadores domésticos menos pressionados no país de Trump, com destaque para mercado de trabalho e inflação.
Mas muita coisa mudou.
O gatilho para essa nova fase parece ter sido a pressão sobre o fiscal americano, com a compra de títulos pelo governo americano demonstrando preocupação sobre o rumo da dívida da maior economia do mundo. Além disso, dados indiciam uma economia americana ainda superaquecida.
Os investidores passaram a dar como certo o retorno do ciclo de alta de juros nos EUA, com unanimidade para uma alta na reunião de setembro e a maior parte dos agentes cravando novo avanço dos juros na reunião seguinte.
Os motivos para oscilação da bolsa no Brasil acima da média são, portanto, macroeconômicos e internacionais. Não há efeito relevante do cenário eleitoral na alta volatilidade do principal índice da bolsa, ao menos, até aqui.
As mudanças no cenário eleitoral têm acontecido basicamente entre os azarões que disputam no segundo bloco e com poucas chances reais. Enquanto, no pelotão de frente, as mudanças mais recentes acontecem dentro da margem de erro.
Mesmo se houvesse avanço dos candidatos de oposição nas eleições presidenciais de 2026, nenhum deles deu ainda ao mercado o caminho para o controle de gastos. Diante disso, entre os gestores e investidores estrangeiros o tumulto causado pelos EUA é o que tem tirado o sono e direcionado dinheiro de volta aos emergentes. E, entre eles, com relação à eleição no Brasil… só se fala de outro assunto.
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