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Raphael Coraccini

EUA assustam investidores e dinheiro busca refúgio até no Brasil

Publicado 19/08/2026 • 21:33 | Atualizado há 11 horas

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

A bolsa brasileira finalmente interrompeu os 11 pregões seguidos de queda nesta quarta-feira (19). E isso tem a ver com o mal-estar do investidor com o maior mercado do mundo. Os EUA recompraram títulos públicos para segurar a disparada dos juros ao longo de toda curva, principalmente em datas mais distantes, que estão nos maiores patamares em décadas. Diante da dificuldade de domar seu endividamento, os EUA encontram mais dificuldade de convencer os investidores a comprarem alguns dos seus títulos, supostamente, os ativos mais seguros do mundo. 

As últimas ofertas de bonds do tesouro americano para prazos mais longos —com destaque para os de 30 anos — tiveram procura abaixo da média. Os déficits recorrentes que têm catapultado a dívida americana estão estremecendo a relação do mercado com a maior economia do mundo. Os EUA seguem grande demais para quebrar, mas não o suficiente para evitar arrepios nos investidores.  

Não por acaso, o Tesouro dos EUA se viu obrigado a recomprar títulos de dívida para reduzir a pressão sobre o preço dos títulos públicos no mercado. Anteriormente, os EUA já tinham feito movimento para segurar o preço dos seus ativos ao intervir no câmbio japonês. Vale lembrar que os japoneses são alguns dos principais detentores de títulos de dívida pública estadunidense. 

O resultado colateral dessa desconfiança é a debandada de parte do dinheiro dos investidores para mercados de maior risco. Nesse ambiente, o Ibovespa se beneficia e sobe quase 1%, de volta aos 167 mil pontos. Na máxima do dia, o principal índice da bolsa brasileira chegou a alcançar os 170 mil pontos. O desempenho só não foi melhor porque, ao longo da sessão, os investidores recalibraram suas carteiras e devolveram parte do dinheiro para outros ativos em outros mercados lá fora. 

Dólar cai

O receio com a economia americana também impactou o câmbio. Depois de dias de valorização, o dólar finalmente perdeu força contra o real, caindo 0,86%, de volta a R$ 5,17 depois de ter saltado acima dos R$ 5,20 nos últimos dias. E a perda de tração da moeda dos EUA não se deu apenas contra o real. O DXY, que mede o desempenho da divisa global contra outras moedas relevantes, sustenta patamares abaixo dos 100 pontos depois de muito tempo acima dessa marca. 

O futuro oferece poucas certezas, uma delas é a de que as nações terão problemas sérios com o nível de juros de suas economias. Da maneira como está, os juros em patamares recordes acabam criando uma bola de neve que se retroalimenta: quanto mais se teme um descontrole da dívida pública, mais os juros ficam pressionados e incidem diretamente no aumento da dívida pública. 

Por outro lado, os investidores têm — paradoxalmente — procurado refúgio em ativos de maior risco, como  algumas economias emergentes e, principalmente, empresas de inteligência artificial. As primeiras, também têm questões de endividamento e juros altos que podem acender o alerta. Já as outras, as companhias de tecnologia, ainda estão buscando um ponto de maturação, gastando fábulas para acelerar seu crescimento e, de tempos em tempos, aumentando a desconfiança sobre uma suposta bolha do setor.  

Tudo isso tem feito a percepção sobre risco subir no mundo. O VIX, índice do medo, está bem acima da sua média histórica, e dando ao investidor a percepção de que, se ele ficar nos títulos públicos, o bicho do endividamento pega, e se correr para ações de tecnologia, a bolha da IA come.

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