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Raphael Coraccini

Elon Musk converte culto à personalidade em (muito) dinheiro com IPO da SpaceX

Publicado 13/06/2026 • 12:00 | Atualizado há 3 horas

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

"I know your anger, I know your dreams. I've been everything you wanna be".

Os versos de Living Colour, escritos nos anos 1980, mencionavam o culto à personalidade a líderes políticos, como Jonh Kennedy e Joseph Stalin, mencionados na música. Se a banda de black punk escrevesse a letra em 2026, é muito provável que Elon Musk ocupasse uma das estrofes. E não seria preciso mudar os versos aqui destacados.

Musk conhece muito bem ódios, sonhos e anseios da humanidade, seja por causa das soft skills que possui ou pelos yottabytes processados por suas empresas. Além disso, Musk é favorecido por uma mudança global importante: a transferência lenta e gradual da confiança das pessoas de líderes políticos carismáticos para empresários de sucesso. Isso tem virado capital tangível nas mãos de Elon Musk. Muita gente entrou no IPO da SpaceX por causa do seu dono, e fez a fortuna do magnata saltar para cima de US$ 1 trilhão.

Uma matéria da CNBC dos Estados Unidos ressaltou o comportamento dos pequenos investidores na abertura de capital da SpaceX. O texto aponta que a corretora Fidelity estabeleceu um saldo mínimo de US$ 2 mil para que o máxima de pequenos investidores pudesse participar da oferta inicial de ações. A corretora reduziu vertiginosamente o saldo médio exigido para participar de IPOs, que era de até US$ 500 mil. Isso aconteceu por conta da explosão da demanda por ações da SpaceX. "A CNBC conversou com vários desses pequenos investidores. Alguns citaram Elon Musk como um dos principais fatores por trás do interesse da companhia", diz a matéria.

O Musk Premium ou Elon Effect, como ficou conhecido esse fator Musk na valorização das empresas que ele lidera, também foi visto na disparada da Tesla e do Twitter (agora, X), quando a rede social foi adquirida pelo magnata. Depois, o X foi retirado da bolsa por iniciativa do novo dono, que alegou intenção de garantir total liberdade de expressão aos seus usuários. Para isso, a solução que encontrou foi um tanto despótica: cancelar a participação societária de terceiros sobre o X e retirá-lo da lista de empresas públicas.

A pesquisa Edelman Trust Barometer Global de 2025, realizada em 28 países, apontou que o setor empresarial é o único que está na lista de instituições confiáveis, com um índice de 62 pontos, com um bom espaço de vantagem para ONGs (58 pontos) e governos (52 pontos). Nesse cenário, os grandes líderes empresariais viram as figuras públicas mais importantes. Musk entendeu isso faz tempo e acentuou suas aparições públicas até chegar ao governo dos EUA, como líder do Departamento de Eficiência Governamental do governo de Donald Trump. A experiência não foi exatamente bem-sucedida. Se Musk tinha de fato a intenção de ser um self-made-man da política dos EUA, isso foi interrompido por conta de conflitos com Trump, mas isso não fustigou a idolatria pelo trilionário.

O IPO da SpaceX acelerou essa conversão da idolatria a Musk em dinheiro. E esse movimento parece estar em franca evolução. Em 15 dias, a mais nova empresa da bolsa passará a compor o Nasdaq 100 e, daqui uns meses, deve integrar o S&P 500, o que vai abrir novas possiblidades para a companhia porque as ações passarão a compor alguns dos fundos mais importantes do mundo, e aumentar as possibilidades para que os fãs passem a ser também sócios de Elon Musk.

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