CNBC

CNBCAções da Oracle despencam 11% após aumento de captação e preocupações com caixa

Raphael Coraccini

Trump controla o mercado com discursos e ações contraditórios e abre oportunidades para megaespeculadores

Publicado 11/06/2026 • 14:59 | Atualizado há 3 horas

Foto de Raphael Coraccini

Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

O que ele diz, não se escreve. Isso não quer dizer que o comportamento de Donald Trump ao simular uma biruta de aeroporto não tenha efeitos práticos. Ao contrário. As oscilações do preço do petróleo muito acima do seu histórico abre oportunidades para megaespeculadores aumentarem seu capital. Isso porque o mercado sem flutuações acentuadas raramente produz grandes vencedores.

A paz nos mercados financeiros quase sempre significa o avanço lento, gradual e contínuo dos ativos ao longo do tempo. Já a volatilidade é capaz de criar ondas que enriquecem uma parcela seleta da população, aquela que está mais próxima das esferas de poder e é capaz de antecipar movimentos massivos do mercado, às vezes, por acesso a informações privilegiadas.

Nesta semana, Trump deu mais demonstrações da sua disposição de operar o mercado por meio de seus pronunciamentos e ações aparentemente desencontrados. Apenas algumas horas de diferença separaram um Trump moderado -- ressaltando um novo acordo entre Irã e Israel -- de um político belicista, que voltou a atacar os persas, rompendo o combalido cessar-fogo, anunciado no começo de abril. Um levantamento apontou que por quase 40 vezes o presidente dos Estados Unidos disse que estava próximo de fechar um acordo definitivo com o Irã desde a deflagração da guerra. Na maioria das vezes, a fala foi seguida por movimentos contrários.

Em 2026, a guerra ao Irã ocupa o lugar de principal driver do mercado financeiro. Mas, antes disso, Trump já havia interferido diretamente no comportamento dos ativos via medidas e discursos relacionados ao tarifaço. "Esta é uma ótima hora para comprar", disse Trump às 9h37 do dia 9 de abril, antes da abertura do mercado. Algumas horas depois, o mandatário anunciou a suspensão por 90 dias de parte das tarifas que haviam sido impostas uma semana antes.

Nesse cenário de instabilidade proposital, o VIX, "índice do medo", que mede a volatilidade do mercado, subiu perto de 30% em 12 meses, e acelerou em 2026 principalmente por ocasião da guerra.

O conflito com o Irã não parece oferecer vantagens econômicas evidentes aos Estados Unidos. Ao contrário, contribui para pressões inflacionárias ao elevar preços de energia, gasolina e diesel para os próprios americanos. Mesmo o tarifaço teve um impacto contraditório para a economia americana, com aumento de preço de itens básicos e ruptura das cadeias de suprimentos. Mas isso não desestimula Trump. Tanto que, agora, ele lança mão de novas tarifas a seus variados parceiros comerciais. Além disso, aumenta suas contradições na condução da guerra do Irã.

O comportamento de Trump segue padrões. Quem acerta o tempo e a intensidade dos seus movimentos está conseguindo saltar à frente da maioria na manipulação de ativos, e encher o bolso.

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Raphael Coraccini