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Plano de Negócios Rodrigo Loureiro

Os retalhos de um IPO da Shein

Publicado 01/09/2026 • 12:32 | Atualizado há 58 minutos

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Rodrigo Loureiro

Rodrigo Loureiro é jornalista especializado em economia e com experiência nos principais veículos do Brasil. Além de comandar esta coluna, é analista de mercado nos principais programas do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC.

Shein diz que o aumento de tarifas dos EUA não vai parar a onda de fast-fashion

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Fachada da Shein

Um IPO furado. Essa talvez possa ser a definição da abertura de capital da Shein. A varejista digital realizou sua oferta pública de ações na Bolsa de Hong Kong na terça-feira, com números frustrantes. A operação fez a empresa levantar US$ 1,7 bilhão e ser avaliada em US$ 26 bilhões.

Os números, ainda que grandiosos, são bem menores do que aqueles que a Shein sonhava quando a companhia estava no auge. Isso aconteceu durante a pandemia, quando a empresa se tornou a queridinha do mercado de moda — e inimiga íntima das varejistas tradicionais.

Em 2022, após diversas rodadas de financiamento privado, que incluíram nomes como General Atlantic, Tiger Global e Sequoia Capital na lista dos investidores, a Shein estava avaliada em cerca de US$ 100 bilhões. Quase quatro vezes mais do que o valor de mercado atual.

Os problemas da Shein começaram no ano seguinte, quando a companhia começou a encontrar problemas em sua futura operação de abertura de capital. O plano era fazer o IPO nos Estados Unidos, onde a companhia estaria exposta à principal bolsa de valores global.

As tensões entre Estados Unidos e China jogaram contra esse planejamento. Outra chinesa, a ByteDance, dona do TikTok, estava sendo investigada por um suposto repasse de dados de usuários americanos ao governo chinês. O temor era que o mesmo pudesse acontecer com a Shein.

Essas tensões já afetavam o valor de mercado privado da Shein, que era reduzido para uma faixa entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.

Não bastasse isso, a companhia começou a enfrentar problemas em seu próprio quintal. Autoridades chinesas investigavam a operação por preocupações ligadas à segurança e ao uso de dados.

A Shein chega ao mercado aberto pressionada por uma operação refém de tarifas que atrapalham suas vendas. O lucro líquido, que somou US$ 2 bilhões no ano passado, é 42% menor do que o registrado um ano antes — resultado de margens mais comprimidas pelo aumento de custos.

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